Sem ginásios, Joinville não tem projeto para resolver problema que prejudica times da cidade

Problema de décadas, a falta de ginásios faz com que times de alto rendimento de modalidades de quadra paguem para treinar e jogar

Foto de Drika Evarini

Drika Evarini Joinville

Receba as principais notícias no WhatsApp

Títulos e comemorações. O Centreventos Cau Hansen já foi palco de muitas conquistas do esporte joinvilense. Só no último ano, a torcida vibrou com o JEC Futsal comemorando o tricampeonato da Taça Brasil e o Joinville Vôlei levantando a taça da Superliga B e o acesso à elite do voleibol nacional. Em cada jogo do JEC Futsal, que tem uma temporada longa, de cerca de 10 meses, as arquibancadas lotam e os torcedores, em uníssono, empurram o time que é orgulho da cidade. Mas, a realidade não é essa, ao menos não o ano inteiro. Isso porque Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, não tem um ginásio capaz de comportar os jogos das equipes de alto rendimento.

Sem ginásios, Centreventos Cau Hansen é a casa dos times de quadra em JoinvilleCentreventos Cau Hansen é a casa dos times de alto rendimento em Joinville – Foto: Carlos Jr./ND

Casa do JEC Futsal, o Centreventos Cau Hansen também abre suas portas para o Joinville Vôlei e para o Basquete Joinville, que até recentemente disputava NBB e Liga Ouro, e está com planejamento para retornar ao cenário nacional. Mas, o Centreventos tem cronogramas culturais que, todos os anos, inviabilizam o uso de seu espaço pelos times da cidade e cada vez mais, esse cronograma tem se ampliado, como a realização do Iluminare, que entrou para a programação de Natal em 2022 e deve ser ampliado neste ano.

A construção de um ginásio é um problema já antigo, se arrasta há anos e a solução não está nos planos da gestão municipal.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

“Nessa primeira gestão não há planejamento para isso. O poder público não tem orçamento para isso, o nosso orçamento é bem restrito”, garantiu a secretária de Esportes, Caroline Antunes Rodrigues.

De acordo com o Censo de 2022, Joinville tem mais de 661 mil habitantes. A maior cidade de Santa Catarina é, também, a terceira maior do Sul do país e, ainda assim, afirma não ter orçamento ou maneiras de viabilizar uma arena esportiva que atenda às necessidades das equipes de alto rendimento que colocam o nome do município em evidência.

Com uma população nove vezes menor, Rio do Sul foi sede do Jasc (Jogos Abertos de Santa Catarina) em 2022 e será, novamente, a casa dos jogos neste ano. Ao contrário de Joinville, a cidade do Alto Vale do Itajaí além de fazer parcerias com as escolas para utilização das quadras, assim como os espaços da iniciativa privada, também está em fase final de construção de uma Arena Poliesportiva com 2.100 lugares para a abertura do Jasc.

Atualmente, segundo dados municipais, além do Centreventos, Joinville tem o Centro de Treinamento Ivo Varella, o Ginásio Municipal de Ginástica Rítmica Perácio Bernardo, o Ginásio Abel Schulz, o Expocentro Edmundo Doubrawa e a Arena Joinville como espaços para a prática do esporte.

Ginásio Abel Schulz fica no Centro da cidade, mas não tem as metragens oficiais para jogos profissionais – Foto: Carlos Jr./NDGinásio Abel Schulz fica no Centro da cidade, mas não tem as metragens oficiais para jogos profissionais – Foto: Carlos Jr./ND

No entanto, as equipes de alto rendimento de modalidades de quadra não podem jogar nos outros espaços que não o Centreventos por falta de estrutura e, em alguns casos, até mesmo pela incompatibilidade do tamanho da quadra com as metragens oficiais. Com isso, em momentos em que o Centreventos está sendo utilizado para outras atividades, as equipes precisam de parcerias privadas.

O JEC Futsal, por exemplo, anualmente utiliza o Sesc mediante pagamento de aluguel para os jogos. Com o espaço em obras, o time mandará os jogos no ginásio da Univille neste mês de julho, arcando com os custos apesar de ter parceria com a prefeitura e estampar a marca do município.

Sem ginásios e com programação cada vez maior no Centreventos Cau Hansen, times pagam para jogar

Além do Festival de Dança, que acontece anualmente em julho, a programação do município ampliou a utilização do espaço com a realização dos eventos de Natal. No ano passado, o espetáculo Iluminare usou o Centreventos e a semifinal do Campeonato Catarinense foi disputada no Sesc. Se o JEC Futsal tivesse avançado na Liga Nacional, também não teria sua casa no momento de decisão.

“Obviamente estamos bem cientes da necessidade, estudamos internamente opções de como podemos fazer essa instalação no futuro, mas nesse primeiro momento, orçamentariamente falando, não conseguimos colocar uma instalação de pé. Até porque, pensamos que Joinville comporta 5 mil pessoas, achamos que uma instalação para o porte de Joinville seria em torno dessa quantidade de pessoas e para isso o dispende orçamentário é grande”, fala a secretária.

De acordo com ela, dos R$ 32 milhões de orçamento que a pasta possui, R$ 12 milhões são direcionados apenas para pagamentos e os outros R$ 20 milhões para projetos desenvolvidos no município.

Há ainda o movimento para que locais como o Centreventos e a Arena Joinville sejam geridos por instituições que mostrarem interesse, o que pode refletir diretamente nos times que possuem calendários de competições o ano inteiro

“Essa gestão encontrou as instalações esportivas do município bem degradadas, então a nossa preocupação nessa gestão é deixá-los em condições das nossas atividades acontecerem ali dentro. Com relação a Arena Joinville, fizemos primeiro uma consulta pública e estamos montando um edital exatamente preocupados com que o JEC não perca o seu espaço. Obviamente, a prioridade de utilização da Arena sempre será o JEC”, garante.

Além dos municipais, Joinville tem um ginásio que é fortemente ligado a história do esporte na cidade. Abandonado há mais de uma década, o Ivan Rodrigues faz parte da memória esportiva de Joinville e também foi palco de muitas conquistas e até mesmo do Festival de Dança. O local, no entanto, é de responsabilidade do Estado, que negou a tentativa do município de ficar com a gestão do espaço.

Ginásio Ivan Rodrigues é responsabilidade do Estado e está abandonado há mais de uma década – Foto: Carlos Jr./NDGinásio Ivan Rodrigues é responsabilidade do Estado e está abandonado há mais de uma década – Foto: Carlos Jr./ND

Atualmente, o Ivan Rodrigues serve de depósito para materiais do município e está cada vez mais degradado. Apesar de ter licitação de projeto concluída com recursos solicitados na casa dos R$ 15 milhões, até o momento, nada foi feito.

A reportagem entrou em contato com a Fesporte para saber quais são os planos, projetos e prazos para as reformas no local, mas não obteve resposta.

Enquanto isso, os times da cidade precisam ter “planos B” e arcar com despesas para treinar e jogar. O JEC Futsal está no meio da temporada e divide a liderança da Liga Nacional, e o Joinville Vôlei deve se reapresentar em agosto para se preparar para a Superliga sem garantias de ter um espaço para jogar. Já Joinville carrega a marca de ser a maior cidade do Estado, mas que não consegue construir uma arena esportiva para os seus times.

Tópicos relacionados