Toninho superou o preconceito para ser o primeiro remador negro do remo em Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp
Toninho e Nelson Chierighini vencedores da Regata Internacional de Porto Alegre no barco Double Skiff, em 1970. – Foto: Acervo Família Sady Cayres BerberToninho e Nelson Chierighini vencedores da Regata Internacional de Porto Alegre no barco Double Skiff, em 1970. – Foto: Acervo Família Sady Cayres Berber

Em tempos de intolerância, onde “todas as vidas importam”, nada mais justo que relembrar a fascinante história do ex-remador Toninho que enfrentou as barreiras do preconceito para praticar esporte e ser admitido num clube de remo em Florianópolis.

A história começa no ano de 1966. Antônio Luiz Vilela se apaixona pelo remo e junto com amigos decide procurar um clube para praticar o seu esporte. Porém, sem acreditar, ouviu de um dirigente da época que o “remo não é esporte para negros”.  O problema aqui é que Toninho tinha a percepção de que na cidade, em vários clubes sociais ou de esporte a resposta seria a mesma.

Toninho recebendo um homenagem em solenidade no Veleiros Iate Clube  em 1984 pelo seu trabalho de “levar os barcos” em sua camionete para as competições – Foto: acervo familiar/divulgaçãoToninho recebendo um homenagem em solenidade no Veleiros Iate Clube  em 1984 pelo seu trabalho de “levar os barcos” em sua camionete para as competições – Foto: acervo familiar/divulgação

Sem desaminar e incentivado pelo seu amigo Arueira, foram procurar o então presidente do Clube de Regatas Aldo Luz, Sady Cayres Berber que, sem hesitar em nenhum momento, aceitou o atleta Toninho no quadro do clube. A sede ficava na rua João Pinto, centro de Florianópolis, quando antes da chegada do aterro o mar batia ali na região.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

O ex-presidente do Aldo Luz (visionário e além do seu tempo) não só ganhou um atleta dedicado, supercampeão por uma década no remo, como também a partir daquele momento,  até a sua morte em 2015, foram amigos. Sady foi até padrinho de casamento do Toninho.

Toninho e o saudoso ex-presidente Sady Cayres Berber em matéria da Record News/NDTV em 1996 – Foto: Reprodução/Record News/1996Toninho e o saudoso ex-presidente Sady Cayres Berber em matéria da Record News/NDTV em 1996 – Foto: Reprodução/Record News/1996

Mas quem pensa que o Toninho guardou algum rancor, está muito enganado. Simples, honesto e um cara do bem, o ex-remador sabe hoje da sua importância em toda essa história, mesmo que a sua humildade não permita esse reconhecimento. Com o seu jeito simples e cativante – com suas medalhas e troféus – Toninho passou pelos três clubes de Florianópolis, onde é muito querido.

E vê atualmente não só o Aldo Luz que lhe abriu as portas em um dia por intermédio do saudoso ex-presidente Sady, mas como também o Martinelli (onde remam seus filhos e netos) e o Riachuelo como clubes plurais, onde atletas negros, mulheres e paratletas competem e são bem aceitos em um ambiente de igualdade; respeito e cordialidade: sem preconceitos.

Tópicos relacionados