Enquanto as peças se movem na Copa do Mundo de Xadrez, que iniciou no dia 30 de julho e terminará na quinta-feira (24), a Fide (Federação Internacional de Xadrez) anunciou a implementação de novas diretrizes para competidores transgêneros. A instituição determinou que mulheres trans serão proibidas de jogar nos torneios oficiais até que uma revisão, que pode levar dois anos, seja concluída.
O jogador Nijat Abasov joga contra Fabiano Caruana na Copa do Mundo de Xadrez 2023, realizada em Baku, no Azerbaijão – Foto: FIDE / Divulgação / NDDe acordo com as novas regras, mulheres trans que tenham feito a transição para o gênero masculino terão seus títulos e prêmios revogados. No entanto, a mesma regra não será aplicada às pessoas que transacionam do gênero masculino para o feminino.
Além disso, a solicitação para mudança de categoria deverá ser acompanhada de documentação que ateste a conformidade com as leis do país de origem da pessoa, incluindo certidão de nascimento, passaporte ou outros documentos de identificação.
SeguirA Fide afirmou que a regulamentação foi necessária frente a alta demanda de solicitações de alteração de gênero recebidas nos últimos dias. Segundo a instituição, a decisão se trata de “questões de evolução para o xadrez”, que devem ser tomadas de acordo com “evidências de pesquisa”.
Reações e posicionamentos
Diversas federações de xadrez, incluindo as da Alemanha e dos Estados Unidos, se manifestaram contrárias a essa decisão. Entidades que defendem os direitos das pessoas LGBTQIA+ apontam que essa medida discrimina tanto mulheres trans quanto cisgênero.
O Centro de Igualdade Trans expressou sua discordância nas redes sociais, alegando que as novas normas são baseadas em “ideias anti-trans ignorantes” e representam um “insulto às mulheres cisgênero, às mulheres trans e ao próprio jogo de xadrez”.
Angela Eagle, membro do parlamento britânico e campeã de um torneio nacional de xadrez, usou suas redes sociais para se manifestar sobre o assunto: “Não há vantagem física no xadrez, a menos que você acredite que os homens são inerentemente mais capazes de jogar do que as mulheres. Passei minha carreira no xadrez ouvindo que o cérebro das mulheres era menor que o dos homens e nem deveríamos estar jogando. Essa proibição é ridícula e ofensiva para as mulheres”, diz ela.
A decisão da Fide segue uma tendência de regulamentações que dispõem sobre a participação de atletas transexuais em outros esportes, incluindo natação, atletismo e ciclismo.