O Jasc (Jogos Abertos de Santa Catarina) é a maior competição de esporte amador do Estado. Em 60 anos de tradição, revelou fenômenos como Gustavo Kuerten, o manezinho tricampeão de Roland Garros, no tênis; Tiago Splitter, no basquete; Ana Moser e Nathália Zílio, no vôlei; Fernando Scherer, o Xuxa, na natação. Cancelado em 2020, o Jasc ocorre de 20 a 28 de novembro, em São José, com 28 modalidades.
A manezinha Fabiana Beltrame fez prova de exibição no Jasc em 2003 – Foto: Leo Munhoz/NDA remadora Fabiana Beltrame, campeã mundial em 2011, treina no Clube Martinelli, da Capital. Ela participou e venceu uma prova de exibição nos Jogos Abertos de 2003, em Blumenau.
“Foi muito legal. É uma festa do esporte catarinense. E é muito bacana, para incentivar a garotada a treinar. Foi um prazer participar”, disse Beltrame. Ela defende que a participação feminina no Jasc seja ampliada.
“Esse ano, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, foi a primeira vez que o remo teve o mesmo número de vagas para homens e mulheres. O remo do Estado tem que correr atrás disso para que fique parelho. Sei que é difícil, porque o número de atletas mulheres é menor, mas se colocarem mais provas, vão incentivar mais meninas a remar”.
Nesta edição, é provável que Beltrame participe novamente de uma prova de exibição. Ela se sente ansiosa e feliz por representar a Capital. “Poucas vezes tive a chance de representar Florianópolis. Quando a gente viajava para brasileiro, ia pelo um clube. Representar a cidade que amo tanto, será uma satisfação muito grande”, comentou.
Em prova de exibição, Beltrame foi para o lugar mais alto do pódio em 2003 – Foto: Divulgação/NDNo single skiff, além de Florianópolis, Blumenau e Presidente Getúlio competem no Jasc. Os remadores da Capital, do Riachuelo e Aldo Luz, são emprestados para Biguaçu, Santo Amaro da Imperatriz e São José.
Em busca do 15º título por São José
Aos 53 anos, Sérgio Castro, o Ceará, vai em busca do 15º título no Jasc no vôlei de praia por São José. Novamente, ele compete com o parceiro Tiagão.
São José busca mais um título no vôlei de praia no Jasc – Foto: Leo Munhoz/ND“Quando fala em Jogos Abertos, já dá um frio na barriga. É uma sensação que motiva a gente a estar participando esse tempo todo. Sendo em casa a competição, é um sabor mais especial e desafiador”, disse Ceará, que até morou na capital cearense, mas nasceu em São Luís, no Maranhão.
Para vencer mais uma vez, ele intensificou os treinos na quadra de areia da Beira-Mar de São José. “Estamos fazendo três treinos por semana. Mais perto do Jasc, vamos aumentar e fazer mais jogos”, registrou o atleta.
O vôlei de praia será no final do calendário. Na avaliação de Ceará, as duplas de Balneário Camboriú, finalistas da edição de 2019, além de Itapema, Joinville e Blumenau, chegam fortes.
Ceará treina em Canasvieiras e na Beira-Mar de São José – Foto: Leo Munhoz/ND“O vôlei masculino é bem equilibrado. O detalhe é que vai fazer a diferença para o campeão. Os favoritos representam Itapema, estão ganhando todos os campeonatos aqui no Estado, mas jogos abertos, jogos abertos”, brincou Ceará, que vive em Santa Catarina há 30 anos, mora em Jurerê e treina principalmente na praia de Canasvieiras.
Atrás do tri na ginástica rítmica por Florianópolis
Alice Kraeski, 20 anos, vai representar Florianópolis na ginástica rítmica e entrou no esporte por influência familiar. Ela é filha da professora da Adiee (Associação Desportiva Instituto Estadual de Educação), Maria Helena Kraeski.
Alice começou na ginástica por influência da mãe – Foto: Ricardo Bufolin/CBG/ND“Desde muito pequena, frequentava o ginásio e estava no meio. Aos poucos, fui tomando gosto e acabei me envolvendo tanto que estou até hoje”, comentou a atual bi-campeã do Jasc.
“Estamos treinando seis vezes por semana, entre quatro e cinco horas por dia. Intensidade máxima, buscando o nosso objetivo, que é ganhar novamente”, declarou Alice. Explicando o que mais gosta na ginástica, ela disse que é o fato de estar sempre se desafiando.
“Você está sempre aprendendo coisas novas, sempre tem algo que pode ser feito diferente para somar e isso, além de ser um fator do esporte, contribui com a minha vida pessoal, profissional e até acadêmica”, ressaltou.
Sobre a relação com a mãe, disse que as duas separam bem o tempo. “Ela tem o momento treinadora e o momento mãe. Mas ela é uma inspiração e sempre que preciso, independentemente do âmbito da vida, ela está ali”, reforçou a atleta. A expectativa dela é que as equipes de Blumenau e Joinville disputem o pódio.
As meninas de Florianópolis, campeãs em 2019 – Foto: Divulgação/ND“Nossa expectativa é ser tri, estamos trabalhando demais para isso”. Além da ginástica, Alice cursa Educação Física na Udesc e cogita ser técnica na modalidade.
Atual campeã no ciclismo por Florianópolis
Tamires Radatz, 26 anos, é natural de Indaial, mora em Itajaí, mas desde 2014 representa a Capital no ciclismo. Ela tem seis medalhas no Jasc e é a atual campeã na prova de estrada e na contrarrelógio. Na maratona, ficou em segundo lugar. Nesta edição, o ciclismo terá uma quarta categoria, a prova de cross country.
O Jasc está no calendário de treinos de Tamires – Foto: Divulgação/NDTamires, que se descobriu competitiva pedalando, quer estar em todas. Atualmente, ela participa de provas nacionais e internacionais e continua se dedicando à preparação para os Jogos Abertos. “Tenho muito carinho pelo Jasc. Gosto muito de participar e o Jasc sempre está entre um dos meus objetivos no ano”, afirmou.
Ela começou no ciclismo pelo estresse num antigo trabalho e resolveu fazer algo pela saúde. “Tinha engordado uns 15 kg e estava me sentindo mal. Comecei na academia e conheci meu primeiro treinador”, lembra a ciclista que, em 2013, não sabia nem subir na bike.
“Desde que comecei, pedalei todos os dias. Quando vi, estava um ano e pouco pedalando, tinha emagrecido os 15 kg e não sabia do lado competitivo das bikes”, comenta Tamires sobre a época com o primeiro treinador, Ingwald Evald.
“Com certeza, foi a pessoa que mais me ajudou até hoje. No início, não tinha tanta mulher pedalando. Eu era desprezada nas competições e ele falava: ‘não se importe com os outros. Apenas pedale!’”, registrou a ciclista.
Tamires quer competir nas quatro categorias com a bike no Jasc – Foto: Divulgação/NDNas vésperas do Jasc, Tamires se organiza para estar o mais completa possível em cada largada. Ela treina cerca de três horas só na bike. “Uma semana antes, começo a diminuir a intensidade para chegar nas provas descansada”, disse a atleta. Ela acredita que Rio do Sul e Itapema serão as principais adversárias.
Promessa do taekwondo de São José
Vitor Porto, 20 anos, promessa do taekwondo por São José, é o atual campeão da modalidade no Jasc. Ele começou no esporte aos sete anos, para sair do sedentarismo. “Estava acima do peso para idade e a mãe me colocou no taekwondo para ficar mais ativo”, lembrou Porto.
Vitor Porto (azul), atleta de taekwondo, por São José – Foto: Divulgação/NDEle disse que ficou na arte marcial porque era muito ruim no começo e tinha vontade de melhorar. “Isso fez eu criar uma vontade muito grande de continuar treinando”, conta. O taekwondo é por faixa, da branca até a preta, que ele conquistou aos 15 anos. Porto acredita que seu principal fundamento no esporte é o foco.
“Todos os resultados que tive foram pela disciplina”, afirmou Porto que, agora, é do time de rendimento e tem como treinador Erickson Busato. No Jasc, Porto vivenciou extremos: perdeu na primeira luta no ano de estreia e venceu a competição em 2019. Ele vem determinado a ser campeão novamente. “Estamos treinando a pandemia toda, desde abril de 2020. A preparação para esse Jasc foi de dois anos”, ressaltou o atleta.
Em uma categoria nova, ele não sabe quais serão os adversários, o que será repassado pelos técnicos às vésperas da competição. Tradicionalmente, Itajaí costuma brigar. Uma semana depois dos jogos, Porto vai participar do brasileiro, no Rio de Janeiro, também em busca do primeiro lugar.
Depois do Jasc, Vitor Porto vai competir no brasileiro – Foto: Divulgação/NDAlém de competições coletivas em São José, o Jasc terá provas de atletismo, bocha e balão em Indaial, provas de tiro em Governador Celso Ramos e Blumenau. A disputa de natação será nas piscinas do Clube 12 de Coqueiros, em Florianópolis. A 60ª edição do Jasc teve 7 mil inscritos e promete revelar ainda mais talentos do esporte catarinense.