Quem mora em Florianópolis sente no bolso o aumento do custo de vida. Com a segunda cesta básica mais cara entre as capitais do país, o salário mínimo ideal para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 5.944 na cidade catarinense. Hoje, o salário mínimo no Brasil é de R $1.212.
Custo de vida sobe em Florianópolis e salário mínimo deveria ser R$ 5,9 mil – Foto: Leo Munhoz/NDO cálculo feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em fevereiro, considera, além do valor da cesta básica, despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
A economista e planejadora financeira Ana Oliveira avalia que o cenário atual do custo de vida em Florianópolis demandaria um salário mínimo ainda maior para atender as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas: entre R$ 8,5 mil e R$ 10 mil.
SeguirO valor é quase 5,7 vezes maior do que o salário que Cristiane Oliveira, 37 anos, recebe por mês como atendente de padaria. Com R$ 1,5 mil, ela sustenta duas filhas, de 16 e 5 anos, e um neto de 7 meses.
Cristiane conta que mais de 60% do salário é gasto com o aluguel da casa onde mora no bairro Vargem do Bom Jesus, no Norte da Ilha de Santa Catarina. O que resta do valor é tratado com equilíbrio e cautela.
“Eu compro o que eu posso comprar. Como só eu que trabalho em casa, tenho que abrir mão de algumas coisas e priorizar o que é mais necessário”, diz.
Para driblar o aumento do custo de itens básicos da alimentação, Cristiane conta que busca estabelecimentos com promoções e substitui alimentos mais caros por outros produtos de menor valor.
“Está tudo muito caro, então, vou atrás dos mercados mais baratos. A última vez que comprei carne vermelha, por exemplo, foi quando ganhei o 13º salário. Desde então, tenho comprado só ovos”, revela.
Dados apontam aumento do custo de vida
O custo de vida em Florianópolis subiu 0,89% em fevereiro, segundo o Índice de Preços ao Consumidor calculado pela Esag/Udesc (Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas da Universidade do Estado de Santa Catarina).
Um dos grupos que apresentou aumento foi o de alimentos e bebidas. A maior alta foi verificada entre os tubérculos, raízes e legumes (8,7%) e hortaliças e verduras (6,7%).
Outro item que vem pesando no bolso da população de Florianópolis é a carne vermelha. A Capital catarinense aparece em 4º lugar na lista das 27 cidades com o preço mais alto da América Latina, custando, em média, R$ 43,54 o quilo. O levantamento foi feito pelas plataformas Cuponation e Numbeo.
O cálculo do Dieese aponta que o custo da cesta básica em Florianópolis no mês de fevereiro era de R$ 707,56, a segunda mais cara entre as capitais, atrás apenas de São Paulo, onde o valor foi de R$ 715,65.
Como driblar a alta do custo de vida
Ana Oliveira diz que é preciso adotar algumas manobras para minimizar a alta do custo de vida. A primeira dica é não “engessar” o orçamento próximo à renda.
“Despesas e dívidas devem ‘abocanhar’ no máximo 50% da renda. Em torno de 10% ou 20% podem ser deixados para uma reserva. O ideal é guardar a outra parte para alguma adversidade”, sugere a planejadora financeira.
Uma orientação para driblar a alta nos preços dos produtos é rever os itens selecionados e ficar atento a promoções. Compras fracionadas, segundo a economista, são a melhor alternativa para adquirir itens com menor preço nos supermercados.
“É preciso pesquisar. Os mercados, geralmente, fazem promoções como o ‘dia da carne’, o ‘dia da feira’. O consumidor deve fazer uma lista dos itens necessários; ir ao mercado com foco e sabendo o limite do que pode gastar”, aconselha.
Conforme a economista Bruna Soto, que participa do relatório do Índice de Custo de Vida da Udesc, outra recomendação é substituir itens.
O frango, por exemplo, pode ser adquirido no lugar da carne vermelha. Ela reforça que a pesquisa de preços também é essencial para quem busca economizar nas compras do dia a dia.