“Relembro sua história gloriosa”. No dia 29 de janeiro, a história do Joinville Esporte Clube se alonga, ano após ano. Um dia de comemoração para a torcida, apesar da fase dentro de campo. Em 46 anos, o JEC viveu altos e baixos, momentos muito altos, com títulos em sequência, um octacampeonato inédito e, até hoje, único, acessos, títulos nacionais, festas que irromperam a madrugada na maior cidade de Santa Catarina.
Se Arlindo e Lincoln fazem parte da história do JEC, que comemora 46 anos neste 29 de janeiro de 2022 – Foto: Vitor Forcellini/JEC/Divulgação/NDMas, nem só de alegria vive o torcedor tricolor. Longe disso. Os momentos delicados, de tristeza e lágrimas também se multiplicam ao longo das mais de quatro décadas. Derrotas doloridas, quedas amargas e o inferno de viver sem calendário nacional, de viver sem série. A história do Coelho é repleta de emoções e o coração do torcedor vive uma montanha russa delas.
Muitos construíram a história do clube que tem dois títulos nacionais e hoje vive a incerteza de não ter sequer um Campeonato Brasileiro à vista para disputar. Mas se em campo, à beira do gramado e na diretoria, pessoas vêm e vão, dentro do clube há aqueles que viveram intensamente cada um dos momentos e que, hoje, comemoram o aniversário do time do coração, de onde sai o sustento da família, do clube que é “tudo na vida”.
SeguirÉ bem verdade que, neste 29 de janeiro de 2022, o que se comemora é a história e o passado, uma vez que o presente é amargo. Mas, para os massagistas Carlos Lincoln Zimmermann e Arlindo Voltolini, o JEC é a vida. “O JEC significa tudo”, fala seu Arlindo. “Não tem nem explicação. É meu time, minha cidade, é tudo”, complementa Lincoln, o famoso Rei do Acesso.
Há 17 anos no clube, Lincoln ganhou o apelido de “Rei do Acesso” – Foto: Carlos Jr./NDA emoção na voz ao falar do time do coração é a mesma estampada no rosto em cada um dos títulos, em cada uma das vitórias que pavimentavam o caminho das conquistas, dos acessos, da chegada à Série A.
Há 17 anos no clube, Lincoln coleciona amigos, alguns que passaram, outros que voltaram, aqueles que chegaram e permanecem. São quase 20 anos dos 46 do JEC em que Lincoln se transformou em um dos principais personagens do time, do time que ele cresceu amando. “Na década de 1980 eu ia aos treinos para trabalhar de gandula. Muitos dizem que eu não consigo sair daqui, se sair eu morro. Não tem explicação o sentimento por esse clube. O JEC é gigante e se todos abraçarem, voltaremos à elite porque grande ele já é”, fala.
Em 17 anos, Lincoln chegou, trabalhou com a base, saiu e não conseguiu ficar longe, voltou para ficar. E a história dele no clube se mistura com a história das grandes conquistas. Emocionado, com a voz embargada e precisando de tempo para respirar, ele lembra do melhor momento vivido dentro do Tricolor. “A maior alegria foi o título da Série B. A ficha não caía. Nós tínhamos o acesso, mas a ficha não caía, imagina só, disputar uma Série A. Foi muito trabalho, muita doação de todos e uma alegria contagiante”, conta.
Com o acesso nas mãos, 2015 foi o momento de realizar o sonho: pisar nos gramados da elite do futebol nacional e, por ironia do destino, o primeiro jogo na Série A foi, justamente, no templo do futebol, o Maracanã. “Não é sobre pisar no Maracanã, é sentir que conseguimos o acesso, é olhar para trás e lembrar do trabalho árduo na Série B, na Série C. Passávamos noites no ônibus, não tem explicação”, relembra.
Seu Arlindo está há 9 anos no clube e sentiu o gosto do título da Série B, sua maior alegria – Foto: Vitor Forcellini/JEC/Divulgação/NDE o título da Série B marcou também a trajetória de seu Arlindo, que não poupa esforços para manter o CT do Morro do Meio em ordem todos os dias. Aquela conquista, em 2014, ficou fixada na memória de quem já está há quase uma década no time que ama. “São vários momentos que marcaram, mas o título da série B foi o que mais marcou, foi a maior conquista. Eu fiquei até cinco da manhã lá”, conta rindo ao lembrar da festa pelo título inédito.
Os dois já passaram por maus bocados, quedas em campo, meses sem salário, o gosto amargo das derrotas, mas também comemoraram, ficaram até de madrugada na rua, se misturaram com a torcida que chorava de alegria nas conquistas mais importantes de uma história que, hoje, coloca mais um ano na conta. A fase não é boa, as derrotas e decepções machucaram o torcedor, mas de uma coisa, nem Lincoln, nem Arlindo, nem todos que amam o Tricolor abrem mão: de ser JEC. E é essa torcida que pode levantar o time mais uma vez.
“A torcida nunca abandonou. A torcida é o maior patrimônio do Joinville Esporte Clube” finaliza Lincoln.