A discussão sobre a volta da torcida ao estádio avança no país com indicativo de liberação nos próximos meses, para as fases finais dos campeonatos. Em Minas Gerais, inclusive, já tivemos uma amostra da volta do público a jogos de futebol. Uma amostra que precisa servir de exemplo e reflexão.
Volta da torcida aos estádios e ginásios é debatida enquanto números continuam preocupando – Foto: Divulgação/JEC/KronaEm Joinville, um vereador apresentou uma moção na Câmara de Vereadores para liberação de 30% da capacidade para volta parcial de torcedores na Arena Joinville. A sugestão do vereador Mauricinho Soares veio no mesmo dia em que o esporte joinvilense recebia a notícia devastadora da morte de Janaína Coelho, esposa do ala e capitão do JEC Futsal, Xuxa. Janaína morreu aos 37 anos, três dias antes de completar 38, vítima da Covid-19.
Segundo a última atualização de dados do município, Joinville chegou a 1.720 mortes, tem mais de 1,7 mil casos ativos e mantém a ocupação das UTIs acima dos 90%. Em Santa Catarina, são mais de 18,5 mil mortes.
SeguirA volta aos estádios e ginásios é discutida exaustivamente desde o ano passado. Neste ano, com o início e o avanço da vacinação, as conversas também tomaram um rumo otimista para diretores de clubes que querem e, é bem verdade, precisam dos torcedores nas arquibancadas.
Qualquer ser humano que acompanhe o esporte brasileiro sabe e compreende a importância de contar com a renda trazida pela torcida. As dívidas se acumulam nos clubes e, para outros, os recursos proporcionados pela venda de ingressos é fundamental para a manutenção de um time competitivo e economicamente saudável.
Mas, é exatamente neste ponto que precisamos ter cautela: saúde. A vacinação e até mesmo a diminuição dos casos em julho nos deu a sensação de que o pior havia passado, mas precisamos pensar e agir com os pés no chão. A pandemia continua, os números em Joinville avançam, os casos se multiplicam, as mortes continuam destruindo famílias inteiras.
Um personagem histórico do esporte joinvilense e de suas principais conquistas sepultará, na manhã desta terça-feira (24), sua companheira de vida e mãe de seu filho. A empatia com a dor do outro não pode ser colocada de lado em detrimento à volta da torcida a qualquer custo. O quanto o valor de um ingresso pode custar na vida de quem já chorou a perda de um ente querido e daqueles que, diariamente, sepultam familiares, amigos, os sonhos de uma vida?
Sabemos o quanto é importante economicamente para os clubes, mas essa saúde financeira não será sanada em dois meses de torcida nos estádios e ginásios, mas esses dois, três meses podem machucar quem perdeu os seus, pode ser o catalisador de novas perdas que não poderão ser sanadas depois.
Nossa falsa sensação de normalidade não pode determinar uma volta para a qual não estamos preparados.