O ano de 2020 será para sempre imperdoável. Ele tem nos tirado muito, desde o pouco até aquilo que é eterno, imortal. 2020 nos tirou o maior do futebol. Você pode concordar comigo ou não e, dentro de campo, cada um tem sua opinião, mas 2020 nos arrebentou porque nos fez derramar lágrimas por uma lenda, por El Pibe que, para nós, é imortal, mas que nos joga no chão e nos arrebenta o coração ao, finalmente, ceder às investidas e concordar com o encontro de La Mano com D10S.
Diego Armando Maradona, el Pibe. D10S, lenda única e que deu o mundo ao futebol argentino morreu aos 60 anos – Foto: Redes Sociais/Reprodução2020 fez La Mano se encontrar com D10S em um sopro, um segundo, um momento para o qual não estávamos preparados. Diego Armando Maradona é eterno e assim parecia. O envelhecimento parecia suave e a imagem irreverente de quem atravessava o campo transformando o futebol em uma verdadeira dança com a perna esquerda é imaculada, intransponível, imortal, eterna.
Maradona era o futebol em sua essência, era a vida em sua essência. Brasileira de nascimento – e com orgulho – meu coração foi arrebatado pelo futebol argentino antes mesmo que eu pudesse entender a grandeza do camisa 10 que usou os pés para encantar o mundo e as mãos para dar à Argentina o mundo. A taça. A Copa do Mundo.
SeguirEl Pibe sempre foi, para mim, um ídolo, a personificação do futebol e do amor. Ele era o futebol em sua essência, a vida em sua essência. Ousado, alegre, viveu como poucos de nós. Bem? Mal? Não sei. Viveu do jeito dele, autêntico e único. Dentro e fora de campo. D10S nunca se importou com o que falavam ou pensavam dele. Ele viveu. Assim, por inteiro. Viveu pelo futebol, para o futebol. Viveu pela Argentina, para a Argentina. Viveu por e para ele.
Maradona era a personificação do futebol argentino, passional – Foto: Redes Sociais/ReproduçãoA ideia do endeusamento de Maradona em terras argentinas sempre intrigou. A cada internação, a cada notícia que preocupava, verdadeiras vigílias se formavam pelas ruas. É isso que um D10S provoca, é isso que um filho fiel de sua terra move, é isso que uma lenda faz, é isso que um imortal faz emergir. A paixão não se traduz, o amor não se explica e tudo que Maradona fez pelo seu país, os filhos argentinos retribuíram o colocando no mais alto pedestal. Ele é D10S.
2020 nos tirou o maior jogador que a Argentina poderia ter. Tirou aquele que jogava sem se importar com mais nada, aquele que amava a bola, amava o futebol, amava genuinamente e incondicionalmente sua Argentina. A cada arrancada que o fazia atravessar um campo de lado a lado deixando para trás adversários, um a um, o coração argentino pulsava mais e mais intensamente.
Maradona viveu intensamente dentro e fora de campo e se tornou imortal para os argentinos – Foto: Redes Sociais/ReproduçãoO coração argentino pertence a Maradona como ele pertence à Argentina. El Pibe amou, em cada um de seus dias, o futebol, a bola, a arte de fazer do campo o seu palco, a arte de tornar o futebol o alento e a felicidade que o argentino precisava e merecia.
Os pés – e mãos – que tanta alegria nos deram se despedem dessa vida nesse 25 de novembro depois de lutar mais de 60 anos para vive-la, intensamente. Maradona brigou com o mundo e com ele mesmo para continuar aqui, ativo, polêmico, único, lendário. O Dios de lá chamou o de cá. Que ele seja recebido como a lenda que é, como o imortal que sempre será no coração de todos os argentinos, genuínos ou não. De todos que entendem que uma lenda humana é, de fato, humana, imperfeita e única.
Sempre D10S.