Acostumado com a pressão e a ansiedade que um clássico costuma proporcionar, o técnico Alex vive a expectativa de disputar seu primeiro Avaí x Figueirense. As equipes se enfrentam no próximo sábado (4), em duelo válido pela quinta rodada do Campeonato Catarinense.
Em entrevista ao Arena ND+, o treinador do Leão da Ilha esbanjou sinceridade ao falar sobre a pressão que o clássico traz, o papel do treinador no dia a dia com os jogadores e sobre esses pouco mais de 40 dias de trabalho em Florianópolis.
Confira a entrevista com Alex na íntegra (conteúdo também disponível em áudio):
Dimensão de um Avaí x Figueirense
“Já tenho a dimensão do tamanho do clássico. Se eu trouxer o que vivenciei em Curitiba, Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e em São Paulo, só muda as cores e trazer para o azul e branco do nosso clube e para o preto e branco do Figueirense, a gente começa a entender. Entendemos o sentimento do torcedor, o que vale uma vitória, uma derrota, qualquer tipo de apresentação. Clássico em qualquer lugar do país a gente sabe da dimensão que causa.
SeguirMomento do Avaí no campeonato
“Eu vejo um momento identico ao final do jogo da Chapecoense. Foi um jogo igual, onde erramos e acabamos perdendo. O jogo do Camboriú fomos muito superiores, poderíamos até ter ganho de mais, não tomando sustos em momento algum. O jogo do Marcílio foi equilibrado, onde as coisas ocorreram a nossa favor com o Gustavo e o Andrey. O jogo do Hercílio nos apresentamos muito mal, mas em termos de jogo dentro do campo se parecia muito com o do Marcílio. Infelizmente em uma escolha errada acabou acontecendo a penalidade. É um time que tem exatamente as coisas que a gente imagina como vai sair, onde e como vai marcar, que hora devemos transitar, tudo isso está sendo questionado. Se analisarmos nosso time, é um time muito jovem e com pouco jogos. Elimina o Thales, que tem uma experiência, o Natanael, Robinho, Eduardo, Raniele e Ricardo, o restante todos têm poucos jogos. Essa variação de jogar bem hoje e mal amanhã é totalmente normal quando você tem um time assim”.
Assimilação com as ideias de jogo
“Depende do jogador. Dando um exemplo, o Thales [Oleques] já entendeu qual é a função dele, já o Eduardo ainda não assimilou. O Felipinho já assimilou, consegue cumprir em alguns momentos, mas em outros não. Essa oscilação é normal porque estamos falando de peças onde o entendimento varia e precisamos juntar isso e ainda no meio disso é preciso ganhar jogos. No final das contas, o que condiciona a tua sequência é o resultado, especialmente para a imprensa e o torcedor. Por exemplo, apenas internamente sabemos o que foi treinado hoje. A diretoria do clube e os jogadores sabem como estou vendendo a ideia do clássico, como vamos nos portar. A única coisa que não conversei ainda é a estratégia, já que isso será falado a partir de amanhã. Do lado de fora se eu ganhar o clássico é tudo maravilhoso, até mesmo se eu jogar mal. Mas eu posso fazer uma partida maravilhosa e acabar perdendo, é futebol. A sequência de trabalho me preocupa mais que o jogo. Com essa sequência de trabalho eu preciso entender como marco e como transito. É preciso pontuar algumas coisas. Tomamos gols de bola parada? Não! Tomamos gol de transição? Apenas um, quando nos lançamos para frente no jogo com a Chapecoense. Algum time nos dominou? O nosso goleiro trabalhou muito? Não. Mostramos que temos uma defesa que pode jogar em linha alta, que pode dificultar a saída de jogo do adversário. Mas é preciso também ver por outro lado, nós criamos chances maravilhosas? Não, e precisamos melhorar muito neste sentido. Tem coisas legais aqui, outras nem tanto e precisamos controlar isso”.
Alex comanda treino do Leão da Ilha – Foto: Leandro Boeira/Avaí F.C/NDAté que ponto entra o trabalho do treinador nos movimentos do time?
“O meu trabalho é criar espaços para que o time jogue atrás, no meio e na frente. Qual é o trabalho do jogador? Assimilar os espaços que o meu trabalho oferece. Hoje, por exemplo, nós treinamos muito a defesa, quais os movimentos que a defesa vai fazer. Se um jogador não fizer, nós estamos falando de uma defesa de seis, sete jogadores, que vai ficar pelo caminho. O trabalho do treinador é 100% em criar espaços para que esses espaços sejam ocupados. O quanto o torcedor e a imprensa consegue observar isso no dia do jogo? Aí é do nível de cada um. O meu trabalho é encontrar soluções para que se o time adversário venha me pressionar, eu consiga sair dessa pressão, para que consiga progredir. O Cristóvão está fazendo a mesma coisa lá [Figueirense], eu vou ter que combater as ideias dele né. É uma repetição todo dia, um duelo meu contra o Cristóvão e um duelo entre os jogadores. Inclusive sendo um duelo mental: o quanto o meu jogador é mais forte mentalmente que o jogador do Figueirense? O quanto o jogador meu entende o tamanho do clássico?”
Quem é o Alex treinador
“Eu sou um cara que delego muito para os outros. Por exemplo, tem o analista de desempenho. Vamos discutir o trabalho dele, mas se ele está num clube como o Avaí é porque tem competência para isso, eu confio nele. O mesmo vale para o preparador físico, auxiliares. Por exemplo a Josi, que é psicóloga, eu acredito em tudo que ela faz, porque acredito muito na área da psicologia. Ela está ali mostrando a competência dela. O Alex treinador é um cara preocupado em fazer com que o local do meu emprego, hoje o Avaí, seja o local mais importante do mundo. Mais importante que a nossa família, que o nosso lazer, que nossas situações fora que são diárias. No meio disso tem o jogo, que é a única situação que não consigo controlar. Por isso não me preocupo tanto com o jogo, minha preocupação maior é sempre com a semana. No jogo a minha interferência é mínima, no treino e no dia a dia ela é máxima”.
Papel do Alex treinador na formação de jovens
“O meu papel é ser direto. A namorada vai mentir, o agente vai mentir, o mercado todo do futebol vai mentir. O que acontece muitas vezes é o jovem achar que é só o treinador sair que vai tudo se resolver. Aí vem outro treinador e ele não joga, e outro e outro. Quando ele se deu conta passou um ano e ele não jogou. Meu papel é ser direto, entender o motivo de o atleta não ter jogado com outro treinador, perguntar até mesmo se ele não quer procurar um novo clube ou porque não treina e não se dedica mais”.
Qual o futuro dos campeonatos estaduais?
“Acho que a extinção dos Estaduais não é um caminho, porque estamos falando de muitos clubes. Tem outro ponto também, onde não podemos tratar o estado de Santa Catarina da mesma forma que tratamos o Acre. Fazer essa análise de maneira individual, de Estado a Estado, é importantíssimo. Eu acho importante que a nível nacional nós tenhamos divisões onde os clubes possam participar. Porque é a partir daí que culturalmente vamos mudar.