Análise tática: Brasil faz partida ruim, mas vence a Suíça com brilho vindo do banco

Brasil venceu a Suíça por 1 a 0 e garantiu vaga para as oitavas de final da Copa do Mundo; atuação, no entanto, deixou a desejar

Foto de Ian Sell

Ian Sell Florianópolis

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O Brasil venceu a Suíça por 1 a 0 nesta segunda-feira (28) em um jogo extremamente truncado, fechado e de raras chances de gol. Casemiro, já na reta final do segundo tempo, marcou o gol da vitória.

A seleção brasileira viveu tarde poucas inspirada e não fez uma boa partida no estádio 974, em Doha.

Tite optou pelas entradas de Éder Militão e Fred nas vagas de Danilo e Neymar, machucados. Casemiro, Fred e Paquetá formavam um “tripé” no meio-campo, com o trio de ataque mantido.

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Já na Suíça houve uma mexida importante. Rieder entrou na vaga do badalado Shaqiri. O objetivo é reforçar a marcação pelo lado direito da defesa e dobrar a marcação em cima de Vinicius Júnior.

Formações de Brasíl x Suíça – Foto: TacticalBoard/Reprodução/NDFormações de Brasíl x Suíça – Foto: TacticalBoard/Reprodução/ND

O setor de Shaqiri costumeiramente é mais frágil, uma vez que o atacante tem menor capacidade de marcação, muito também pela idade mais avançada (31 anos).

Suíça veio com uma equipe diferente, saindo Shaqiri e entrando o rider, jogador de meio-campo, com maior poder de marcação.o setor do shaqiri costumava ser um lado mais frágil, uma vez que ele tem capacidade para jogar, mas não ajuda tanto assim na marcaçãoidade mais avançada pesa.

O que mudou no Brasil?

A entrada de Éder Militão implicou em uma mudança especialmente na saída de bola. Quando Danilo está em campo, ele costuma vir mais por dentro, quase que alinhando a Casemiro, em uma saída 3+2 (zagueiros e Alex Sandro mais Casemiro e Danilo).

Já com Militão, que não tem essa característica de atuar tanto por dentro, a saída foi feita em 4+1 (com os quatro defensores mais Casemiro).

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    Saída de bola do Brasil com Militão - TacticalBoard/Reprodução/ND
    Saída de bola do Brasil com Militão - TacticalBoard/Reprodução/ND
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    Brasil muda a saída de bola quando tem Danilo em campo - TacticalBoard/Reprodução/ND
    Brasil muda a saída de bola quando tem Danilo em campo - TacticalBoard/Reprodução/ND

Dificuldades para progredir

O Brasil teve muitas dificuldades para conseguir criar as jogadas no primeiro tempo. A circulação de bola era lenta e não conseguia gerar jogo no espaço entre as linhas de meio-campo e zaga da Suíça.

Mesmo quando Paquetá e Fred ocupavam o setor, a Suíça fechava bem esse espaço e o Brasil não conseguia encontrar passes verticais.

Essa circulação de bola lenta, inclusive, prejudicava a atuação dos dois pontas brasileiros (Vinicius Júnior e Raphinha). Os dois, especialmente Vini Jr, que foi muito acionado, não recebiam bolas em situações de mano a mano com o lateral adversário, a marcação era sempre dobrada no setor e a progressão não acontecia.

Marcação sempre dobrava em Vini Jr e complicava a atuação do camisa 20 – Foto: TacticalBoard/Reprodução/NDMarcação sempre dobrava em Vini Jr e complicava a atuação do camisa 20 – Foto: TacticalBoard/Reprodução/ND

A única boa chance brasileira na primeira etapa foi criada por Raphinha. O camisa 11 atraiu a marcação pelo direito e cruzou na segunda trave para Vinicius Júnior que atacava o espaço deixado pelo lateral-direito Weidmer, que havia ficado caído na origem do lance. A finalização do atacante, no entanto, parou no goleiro Sommer.

Segundo tempo

Tite voltou para o segundo tempo com uma mudança. Rodrygo entrou na vaga de Paquetá para tentar melhorar o jogo entrelinhas do Brasil. A substituição chamou atenção pelo fato de Paquetá ter maior facilidade de atuar entrelinhas em relação a Fred.

Apagado, Fred seguiu sem conseguir desenvolver o jogo até ser substituído por Bruno Guimarães. O volante do Newcastle  conseguiu desenvolver boa dinâmica no 4-2-3-1 do Brasil sendo esse volante de “área a área”.

Outras duas mexidas foram as entradas de Gabriel Jesus e Antony nas vagas de Richarlison e Raphinha. A ideia era “empurrar” a zaga suíça para trás e tentar gerar justamente esse espaço entre as linhas para Rodrygo aproveitar. Acredito no contexto, o centroavante Pedro poderia ser utilizado.

Brasil após as mexidas de TiteBrasil após as mexidas de Tite – Foto: TacticalBoard/Reprodução/ND

E em uma das poucas vezes em que o Brasil conseguiu encontrar Rodrygo nesse espaço crucial, o gol saiu. A jogada começa pela esquerda, com Vini Jr encontrando bom passe para o camisa 21, de calcanhar, tocar para Casemiro fazer um golaço.

O volante brasileiro, inclusive, já havia fez algumas progressões durante o jogo na tentativa de melhorar a criação.

Casemiro comemora o gol da vitória do Brasil sobre a SuíçaCasemiro comemora o gol da vitória do Brasil sobre a Suíça – Foto: Lucas Figueiredo/CBF/ND

Após o gol, até em um “repeteco” do que foi contra a Sérvia, mais espaços passaram a aparecer, e o Brasil perdeu boas chances até de ampliar o marcador.

A mais clara delas foi com Vinicius Júnior. Gabriel Jesus fez ótimo domínio em contra-ataque, acionou Vini, mas o camisa 20 demorou a tocar para Rodrygo e acabou perdendo a bola.

Ainda que a partida tenha passado longe de uma atuação exuberante, o Brasil consegue a classificação de forma antecipada.

Ponto forte

O sistema defensivo segue sendo o grande pilar brasileiro na Copa do Mundo. As transições defensivas seguem sendo muito bem feitas e a Seleção acumula duas partidas sem ter sofrido sequer uma finalização no gol.

Casemiro e Thiago Silva são os dois grandes destaques individuais até aqui. Marquinhos também fez grande partida diante da Suíça.

Faz falta

A Seleção sentiu muito a falta de Neymar na partida contra a Suíça, fato admitido pelo técnico Tite em coletiva após a partida. O jogador costuma ser um “alvo” da marcação, muitas vezes atraindo três ou quatro marcadores, assim como foi no primeiro gol contra a Sérvia e libertando espaços valiosos para outros companheiros.