Avaí e CSA empataram por 1 a 1 em um jogo bastante movimentado na Ressacada na última segunda-feira (8). Pensando nisso, o ND+ traz alguns detalhes táticos de como saíram os dois gols da partida, as movimentações que geraram espaços e o que se pode esperar dessa reta final.
O CSA tinha uma intenção clara na primeira etapa. Atrair o Avaí para seu campo e buscar o ponta esquerda Iury Castilho no mano a mano com Edilson em condições de desequilibrar. Mais forte e rápido, o camisa 99 acabou levando vantagem na maioria dos lances. (vídeo abaixo)
O gol da equipe alagoana sai de uma longa troca de passes desde a saída de bola. Essa troca de passes, quando tentava progredir, era sempre pelo lado esquerdo de ataque. A equipe encontra Iury Castilho pela esquerda, que tenta acelerar um passe de primeira.
A zaga avaiana rebate, há uma nova rebatida do jogador do CSA, Edilson tem um erro técnico ao tentar tirar a bola e então se forma o chamado “efeito cascata”.
Após o erro técnico, Alemão sai da posição para tentar cobrir o espaço deixado na lateral. O futebol é um jogo de cobertor curto, se você “cobrir” um lugar, outro, consequentemente ficará aberto.
Alemão e Edilson dobram a marcação, Iury Castilho tenta um elástico, erra o gesto técnico e a bola sobra limpa para Gabriel, no espaço deixado dentro da área, finalizar. Glédson espalma e, no rebote, Dellatorre faz 1 a 0 . (vídeo abaixo)
Lance completo da jogada do gol do time alagoano – Vídeo: Reprodução/NDTV
Os detalhes do gol avaiano
Em transição ou em organização ofensiva, na grande maioria dos lances, o lateral direito Edilson vem jogar por dentro, se juntando, normalmente a Bruno Silva na construção.
Edilson, por dentro, ajudando na construção, atrai o marcador rival – Foto: Reprodução/NDTVMas por que isso acontece? Primeiramente por característica, Edilson, por ser um lateral um pouco mais lento, exigir que ele vá a linha de fundo “o tempo todo” iria contra as características naturais do jogador.
O segundo motivo é pelo refino técnico e o bom passe que o lateral possui enxergando o jogo de frente. O terceiro motivo entra na própria forma de marcar do CSA. A equipe alagoana marca por encaixes individuais, ou seja, existem perseguições dentro de um determinado setor do campo.
A movimentação de Edilson, consequentemente arrasta o ponta rival para dentro junto com ele. O que isso gera? Corredor aberto e situações de 1×1 para Copete contra o lateral rival.
Edilson constrói por dentro na imagem, com Copete tendo corredor aberto para avançar – Vídeo: Reprodução/NDTV
Quando Copete não está em amplitude, outro jogador pode aproveitar o espaço gerado, como no caso de Jean Cléber no lance abaixo.
Edilson constrói por dentro e quem aproveita o espaço gerado é Jean Cléber – Vídeo: Reprodução/NDTV
O gol avaiano, inclusive, sai em uma dessas movimentações. O Avaí circula a bola para o lado esquerdo, Edilson vem jogar por dentro atraindo o marcador rival, Alemão recebe e aciona Copete no um contra um em condições de desequilibrar. O colombiano dribla e faz o cruzamento para Getúlio empatar.
Troca de passes e lance completo do gol avaiano – Vídeo: Reprodução/NDTV
Há outra movimentação muito interessante no gol do Leão que é a de Getúlio. No momento em que Copete vai para o drible, Getúlio arranca como se fosse para o fundo, o zagueiro o acompanha. Então ele trava a passada e dá dois passos para trás, o que lhe deixa completamente livre.
O defensor, olhando apenas a bola, não percebe a movimentação. Um problema da chamada mentalidade zonal por parte do atleta. O termo nada mais é que a capacidade de o atleta conseguir dividir referências (bola, espaço e adversário).
A partir dessa capacidade cognitiva, ele executa as ações de acordo com a necessidade da situação.
Próxima parada
O Avaí volta a campo no próximo sábado (14) quando enfrenta o Guarani, fora de casa, em confronto direto na briga pelo G4 da Segundona.