Brusque erra mais uma vez ao tentar consertar nota desastrosa

Clube "pediu desculpas" na tarde desta segunda-feira (30) depois de acusar Celsinho, jogador que foi vítima de racismo em jogo da Série B

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“Transtorno”. “Posicionamento equivocado”. “Esperamos que entendam esse momento infeliz que estamos vivendo”. O Brusque, mais uma vez, demorou horas para se manifestar depois de emitir uma nota, na noite de domingo (29), acusando Celsinho, jogador vítima de racismo no Augusto Bauer, de ser “reincidente” e “oportunista”.

Brusque FC pede desculpas após repercussão negativa de nota sobre caso de racismo – Foto: Reprodução/InternetBrusque FC pede desculpas após repercussão negativa de nota sobre caso de racismo – Foto: Reprodução/Internet

E só o fez porque o que eles chamam de posicionamento equivocado e muitos viram como racismo, repercutiu negativamente nas redes sociais, em veículos de comunicação de todo o país. A avalanche de comentários não demorou mais do que minutos após a publicação da nota que acusava o jogador ao invés de assumir a própria responsabilidade sobre as ofensas.

Chamar de “momento infeliz que estamos vivendo”, como se chamasse para si uma situação desfavorável quando o próprio clube, enquanto instituição, veio à público acusar uma vítima é uma tentativa de reverter uma situação que não pode ser revertida.

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A pequenez da atitude é eterna. Não se trata de um posicionamento equivocado. Equívoco é pedir um pênalti que não existiu, é brigar por um impedimento inexistente, isso é equívoco. Acusar uma vítima de injúria racial, tentar jogar para Celsinho a “culpa” é violentá-lo mais uma vez.

O clube se posicionou novamente porque a repercussão foi tão negativa que “Brusque” estava nos trending topics do Twitter durante a noite de domingo. Na mesma rede social, dirigentes do clube continuam tentando justificar o injustificável, tanto quanto um comunicado que, novamente, não assume de fato a responsabilidade e trata o caso como “momento infeliz que nós estamos vivendo”.

E Celsinho? E o momento que o jogador viveu e vive diariamente? Não é um “transtorno”, como o comunicado faz parecer. Ele não passou por um transtorno, foi vítima de um crime, um crime tratado pelo clube catarinense como oportunismo.

O Brusque chegou à Série B, mas para além dos seus acessos em campo precisa repensar e aprender a ascender no tratamento e respeito dentro e fora de campo. Aliás, os jogadores do Quadricolor, aqueles que entram em campo, deram exemplo e, imediatamente após o comunicado, iniciaram um movimento antirracista nas redes sociais.

Quem sabe a diretoria possa aprender, com seus atletas, o que significa respeito e igualdade. Aquilo que, afirmam em palavras fazer parte de sua história, mas que na prática, passou longe dos corredores do Augusto Bauer.

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