Ciranda alvinegra: Jorginho é o 14º técnico em cinco anos no Figueirense

Há anos passando dificuldades no campeonato brasileiro, o Figueirense repete a velha fórmula do futebol: troca técnicos; clube já soma 30 profissionais ao longo de década

Foto de Diogo de Souza

Diogo de Souza Florianópolis

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O técnico Jorginho já projeta sua equipe que entra em campo contra o Cruzeiro, na próxima sexta-feira (20), no estádio Mineirão. Será a estreia do novo comandante do alvinegro que tem uma missão bastante ingrata de tirar o Figueirense do atoleiro.

Até aí, na verdade, aparentemente está tudo normal dentro do dinâmico futebol brasileiro. É só mais uma estreia de técnico em um País que, em média, não assegura um profissional dessa categoria mais do que seis meses na respectiva função.

Técnico Jorginho, do Figueirense, é mais um a tentar dar sequência a um trabalho com o uniforme do Figueirense, – Foto: Patrick Floriani/FFC/NDTécnico Jorginho, do Figueirense, é mais um a tentar dar sequência a um trabalho com o uniforme do Figueirense, – Foto: Patrick Floriani/FFC/ND

O detalhe é que Jorginho é o 14º nome diferente na casamata do Furacão em intervalo de cinco anos.

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O profissional, que esteve no Juventus de Jaraguá do Sul no Catarinense 2020 – onde eliminou o próprio Figueirense, chegou para substituir Elano Blumer que, em menos de dois meses, fez 17 jogos e 26% de aproveitamento. Elano, por sua vez, já fora o escolhido para substituir Márcio Coelho.

Se levar em conta somente as trocas efetuadas pelas respectivas direções do clube, nos últimos anos, o número pula de 14 para 17 já que Vinícius Eutrópio esteve a frente da equipe em duas oportunidades, assim como Márcio Coelho que fez duas funções de interinidade uma na condição de efetivado.

De novembro de 2015 até novembro de 2020 vestiram o abrigo alvinegro os seguintes nomes: Hudson Cutinho (2015); Vinícius Eutrópio, Argel Fuchs, Tuca Guimarães e Marquinhos Santos (2016); Márcio Goiano, Marcelo Cabo, Milton Cruz (2017); Rogério Micale (2018); Hemerson Maria, Vinícius Eutrópio, Márcio Coelho e Pintado (2019); Márcio Coelho, Elano Blumer e Jorginho (2020).

Campanhas condizentes

De 2015 para cá, em todos os anos, o Figueirense lutou para não cair. Em 2016, inclusive, foi o ano que o clube perdeu essa luta uma vez que desceu da primeira para a segunda divisão onde está desde então.

Figueirense, sob o comando de Milton Cruz: um dos técnicos mais longevos do clube nos últimos anos, foram quase 70 jogos e um título no bairro do Estreito – Foto: Luiz Henrique/Figueirense/divulgaçãoFigueirense, sob o comando de Milton Cruz: um dos técnicos mais longevos do clube nos últimos anos, foram quase 70 jogos e um título no bairro do Estreito – Foto: Luiz Henrique/Figueirense/divulgação

Em 2017, 2018 e 2019, foi somente em 18 que o alvinegro ameaçou não lutar na parte de baixo. Sob o comando de Milton Cruz chegou a 6ª colocação a um ponto do grupo dos quatro primeiros.

Problemas extracampo como os atrasos salariais, no entanto, frearam a campanha até levar o clube à luta contra a queda.

Na última temporada o outro extremo: foram 18 jogos sem vencer – sendo um W.O – até que o técnico Pintado chegou e salvou o Furacão da queda que, em dado momento, parecia eminente.

Média de três profissionais por ano

Essa ciranda dos técnicos alvinegros vai muito mais além ao estendermos essa estatística para o início da década. Ainda que alguns profissionais tenham ido e voltado em até mais de duas oportunidades – casos de Vinícius Eutrópio e Argel Fuchs, por exemplo – o Figueirense soma incríveis 30 trocas ao longo desse período.

É importante ressaltar, no entanto, que não trata-se de uma exclusividade do Furacão do Estreito.

No Brasil estima-se que o tempo médio de permanência de um profissional a frente de um clube de alto rendimento é, não mais, que seis meses.