Não há como negar, independente do momento vivido na temporada, da posição na tabela, ou mesmo do vazio dos estádios brasileiros diante da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), um clássico mexe com o emocional e a motivação de jogadores, treinadores e torcedores – mesmo que a distância.
Claudinei Oliveira falou com a imprensa na manhã desta quarta-feira – Foto: Reprodução/TV AvaíEm coletiva na manhã desta quarta-feira (23) no auditório do estádio da Ressacada, o técnico Claudinei Oliveira não negou a ansiedade e falou sobre o “campeonato à parte” que a rivalidade entre Avaí x Figueirense representa. Os clubes se enfrentam pela terceira vez na temporada neste sábado (26), às 16h.
No entanto, o técnico frisou que é necessário ter a cabeça no lugar e que o Leão vencerá a partida se “jogar futebol”.
Seguir“Para o torcedor é um campeonato à parte, nós precisamos ter consciência pois são três pontos muito importantes para o nosso objetivo que é o acesso. Apesar de não ter público o jogador sabe da responsabilidade que tem. É preciso ter consciência de que vamos ganhar se jogarmos futebol, não dando pontapés”, reforçou o treinador.
Outro ponto apontado pelo comandante azurra foi o tempo para trabalhar. Desde que assumiu o Avaí, no início de dezembro, essa foi a primeira vez que Claudinei teve uma semana inteira de trabalho para preparar a equipe.
Para o técnico o mais importante está sendo “passar o conceito de jogo para os atletas”. “Estamos fazendo trabalhos intensos para realizarmos duas ou três situações de jogo. Antes, passando apenas vídeos pela falta de tempo, isso acabava sendo impossível”, relata o treinador.
Questionado sobre uma possível vitória no clássico ser uma espécie de “presente de Natal” ao torcedor, Claudinei voltou a reforçar a importância dos três pontos para o Leão e fez críticas a “falta de sensibilidade” do calendário brasileiro diante da pandemia.
Bruno Silva voltou a treinar com o grupo após tempo afastado – Foto: Leandro Boeira/Avaí F.C“Às vezes a gente se sente meio que ‘gladiadores’ que vão para a arena ‘se matar’ para divertimento dos outros. Claro que estou feliz por estar trabalhando, mas perdi amigos para essa doença”, disse o treinador.
“Talvez uma solução melhor fosse haver jogos mais espaçados e o campeonato ser jogado em turno único. Espero que essa pandemia tenha logo uma solução para podermos trabalhar e irmos para a casa com tranquilidade”, completa.
Confira outros trechos da entrevista:
Dúvidas no meio-campo
Claudinei: tem posições onde temos mais atletas, é normal haver esse rodízio entre os volantes. Com a volta do Ralf e do Bruno temos mais jogadores para função, na zaga também tínhamos seis jogadores para treinar, fizemos rodízio para todos ter um volume parecido.
Reintegração de Bruno Silva
Claudinei: fiquei surpreso quando soube que ele estava afastado desde setembro. Os números dele nos treinos não foram inferiores aos atletas com ritmo de jogo. Está percorrendo a mesma quilometragem que os demais. A perda maior dele foi de ritmo de jogo, ele precisa ter esse contato com a bola, vamos avaliar a parte técnica durante a semana.
Crescimento e liberdade de Valdívia
Claudinei: o Valdívia é tecnicamente muito bom. É um dos melhores meias que vão estar em uma série B. Não quero que ele fique muito tempo sem participar do jogo. Se você não receber a bola entre as linhas, não pode abdicar do jogo. Ele está autorizado a vir perto dos volantes para receber também, não posso ter um jogador como ele e ficar cinco, dez minutos sem pegar na bola. Ele está se empenhando na fase defensiva também. Só tenho coisas boas a falar dele nesses três jogos.
Problemas a corrigir
Claudinei: precisamos trabalhar a questão da profundida, os jogadores vêm pegar muito a bola no pé para construir, acho que até pelo fato de termos poucos jogadores de beirada. Temos muito a corrigir e não é em uma semana que o time vai jogar perfeitamente como quero.