Duas semanas. Esse é o tempo que, inicialmente, a bola deixa de rolar pelo Campeonato Catarinense. A decisão foi tomada pela FCF (Federação Catarinense de Futebol) na quarta-feira (3), depois que as cidades começaram a sinalizar a publicação de decretos municipais proibindo os jogos. Ainda na quarta-feira, Chapecó, Criciúma e Tubarão comunicaram a decisão da proibição. Florianópolis sinalizou que iria pelo mesmo caminho e, com isso, metade dos times não teria sequer onde mandar seus jogos.
Campeonato foi suspenso por 15 dias após pressão dos municípios – Foto: Lucas Colombo/ECPrósperaA FCF se viu, então, colocada contra a parede e horas após o anúncio dos municípios, comunicou oficialmente a suspensão do Campeonato Catarinense por 15 dias. Nesta sexta-feira (5), um Conselho Técnico extraordinário será realizado com todos os clubes para definir a continuidade da competição.
A proposta que deve ser apresentada aos clubes é para alterar as partidas a partir das quartas de final, tornando as decisões em jogos únicos, com vantagem para o melhor colocado na fase classificatória. A medida tem como objetivo “acelerar” a competição em um calendário já apertado do futebol nacional. A previsão inicial era de que o Estadual fosse decidido no dia 23 de maio. Para que a fórmula de disputa seja alterada, sete dos 12 clubes participantes precisam se manifestar favoráveis.
SeguirEnquanto a reunião não acontece, os clubes se mostram favoráveis à paralisação da competição que já havia tido partidas adiadas devido à situação da pandemia da Covid-19 em Santa Catarina, que se agrava a cada dia que passa.
Um dos times que foi afetado foi o JEC, que teve um surto de Covid-19 com mais de 30 casos positivos. O presidente Charles Fischer se mostra completamente favorável à suspensão das atividades neste momento. “Pelo atual momento que vive o Brasil, tem que parar tudo, inclusive o futebol. Temos que dar um tempo, há muita gente sofrendo. Eu sei que é difícil, o Joinville vai sofrer, todos vão, mas ou é isso ou muitas vidas serão perdidas. O dinheiro se recupera, as vidas não”, diz.
No Oeste, a situação da pandemia fez com que o jogo da Chapecoense não pudesse ser realizado por falta de ambulância disponível e o presidente do Verdão, Gilson Sbeghen, ressalta a importância de se preservar vidas. “Após ouvir as orientações do departamento médico e com o intuito de preservar a saúde e a integridade física dos nossos atletas, comissão técnica e colaboradores envolvidos no futebol, apoiamos integralmente a decisão da Federação de suspender o campeonato por 15 dias. O mais importante neste momento é a saúde de todos”, salienta.
Em Criciúma, o município já havia sinalizado pela proibição do futebol e o presidente do Tigre, Jaime Dal Farra, reforça que diversas equipes não teriam como jogar “em casa”. “Não existe possibilidade nenhuma do campeonato prosseguir. Infelizmente é questão de saúde, não podemos fazer nada com relação a isso, temos que obedecer as determinações dos prefeitos e agora é trabalhar a equipe, usar esses dias para condicionamento dos atletas. Vamos em frente, estamos pensando no jogo contra o Marília no dia 17. Não sabemos se vai acontecer porque no próximo sábado São Paulo entra em lockdown. Não sabemos ainda se o futebol estará incluído”, fala.
O presidente do Brusque, Danilo Rezini, ressalta que é preciso avaliar tudo com muita responsabilidade, levando em consideração à situação crítica da pandemia, os protocolos de saúde, a estrutura do futebol, que testa todos os envolvidos e as ações que precisam ser tomadas também em outros setores. Ele questiona a paralisação do futebol e manutenção de outras atividades, mas se mostra favorável à paralisação e à busca por uma maneira de “salvar” o campeonato.
“Diante das circunstâncias onde algumas cidades já proibiram, claro que temos que tomar uma posição no sentido de salvar o campeonato, não adianta uma cidade fazer e outra não, isso dá um descompasso. Temos que tomar algumas posições, por isso teremos a reunião, esperamos encontrar um ponto de equilíbrio, mas é preciso deixar claro que o importante é ter a responsabilidade neste momento critico e tentar ao menos minimizar essa situação gravíssima que estamos vivendo”, finaliza.
Marcílio Dias é contrário
A maioria dos clubes é favorável à paralisação, mas o Marcílio Dias vai na contramão e se mostra contrário à decisão de paralisação do Campeonato Catarinense. De acordo com o clube, “o futebol profissional não é o motivo do colapso da saúde em Santa Catarina”.
O Marinheiro reforça que está há um ano sem 60% de sua receita, uma vez que boa parte dos lucros depende dos torcedores em dias de jogos. “Enquanto outras atividades estiverem acontecendo normalmente e o futebol não tiver público nos estádios certamente não será o futebol o responsável pelo aumento ou diminuição de casos”, fala o clube.
“Prorrogar o campeonato só irá fazer o buraco financeiro que o clube se encontra aumentar ainda mais. Precisamos ressaltar que todos os atletas são testados semanalmente e acompanhados por um departamento médico. Qual outra atividade que está acontecendo tem um protocolo tão seguro como este? Acompanhamos a situação da saúde em Santa Catarina e desejamos que as autoridades tomem medidas coerentes e efetivas para que o sistema de saúde se restabeleça”, finaliza o Marinheiro em nota oficial enviada ao ND+.