Colecionador tem 145 camisas raras de futebol furtadas dentro de casa em Florianópolis

Colecionador alega que inquilino morou com ele e vendeu as peças para uma comerciante, que estaria revendendo o material; prejuízo é de R$ 70 mil

Foto de Ian Sell e Suzan Rodrigues

Ian Sell e Suzan Rodrigues Florianópolis

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O colecionador de camisas de futebol Júlio Cesar Wojcikiewicz teve 145 peças de sua coleção pessoal furtadas dentro da própria casa onde mora, no bairro Ribeirão da Ilha, em Florianópolis. Ele calcula um prejuízo aproximado de R$ 70 mil.

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    Júlio concedeu entrevista ao Grupo ND - Ian Sell/ND
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    Júlio concedeu entrevista ao Grupo ND - Ian Sell/ND
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    Júlio concedeu entrevista ao Grupo ND - Ian Sell/ND
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De acordo com Júlio, as peças foram furtadas por um amigo que ele havia recebido em casa por alguns meses e estariam sendo revendidas por uma comerciante nas redes sociais.

“Em abril deste ano, essa pessoa que me furtou me pediu abrigo, pois tinha saído de onde estava e a kitnet onde alugou só ficaria pronta em quatro dias. Então aceitei recebê-lo, até porque, num primeiro momento, não seria nada a longo prazo”, conta o colecionador.

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“Alguns dias depois, como ele passou a ajudar nas despesas e rotinas da casa, fiz a proposta para ele ficar aqui e me pagar o que pagaria de aluguel na kitnet, que ele supostamente havia alugado, no valor de R$ 900. A pessoa aceitou a proposta, mas nunca me pagou o referido valor”, completa.

Ainda de acordo com o depoimento, no dia 30 de maio uma pessoa veio até Júlio perguntando se não venderia para ele uma camisa rara da coleção, uma vez que viu o anúncio da venda na internet.

Júlio então alega ter estranhado a situação, pois o item não estava à venda.

“Quando fui ver, realmente era a minha camisa. Essa pessoa então me passou o link da venda e fui perguntar para a pessoa que estava anunciando quem havia vendido pra ela”, conta o colecionador.

Conversa com o amigo que avisou Júlio da venda das camisas na web – Foto: Reprodução/Internet/NDConversa com o amigo que avisou Júlio da venda das camisas na web – Foto: Reprodução/Internet/ND

“Ela então me disse o nome e bateu com a pessoa que estava aqui na minha casa. No ato, não sabia o tamanho do furto, apenas perguntei para a pessoa que estava aqui se havia realmente feito a venda sem eu saber. Ele me disse que sim, então o mandei embora”, relata.

O caso veio à tona na última semana, após Júlio fazer um post nas redes sociais relatando o caso. “Após a publicação, pessoas me procuraram, uma dizendo que comprou uma camisa minha através da pessoa que receptou as camisas e que queria me devolver”, conta.

Comprador avisa que adquiriu uma das camisas de Júlio – Foto: Arquivo Pessoal/Julio Cesar Wojcikiewicz/NDComprador avisa que adquiriu uma das camisas de Júlio – Foto: Arquivo Pessoal/Julio Cesar Wojcikiewicz/ND

Receptadora comprou 145 camisetas por R$ 7,8 mil

Júlio alega que pediu que a comerciante retirasse os anúncios da internet e que fosse com ele à delegacia para fazer um boletim de ocorrência sobre o caso.

“Eu pedi a ela [comerciante] a relação das camisas compradas e comprovantes de pagamento. Essa pessoa então relatou que comprou um lote com 145 camisas pelo valor de R$ 7.850”, explica.

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    Camisa rara do Figueirense foi apreendida - Ian Sell/ND
    Camisa rara do Figueirense foi apreendida - Ian Sell/ND
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    Uma das camisas da coleção de Júlio que foi apreendida - Ian Sell/ND
    Uma das camisas da coleção de Júlio que foi apreendida - Ian Sell/ND

“Ela foi cobrada para passar as informações e até então não enviou qualquer informação para ajudar para irmos fazer um B.O sobre o assunto. Disse apenas que contratou um advogado para auxilia-la no caso”, conclui.

O colecionador prestou depoimento na 2ª Delegacia de Polícia da Capital no dia 6 de junho, onde relatou o caso. No dia 13, o suspeito foi intimado a depor.

No depoimento, no qual a reportagem do Grupo ND teve acesso, o suspeito relata que realmente furtou as camisas de Júlio e vendeu à comerciante.

No dia 7 de julho, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa da comerciante, que estaria revendendo as camisas da coleção. Ao todo, foram apreendidas 20 peças que os agentes identificaram ser de Júlio.

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    Uma das camisas que Júlio alega ter sido furtada - Arquivo Pessoal/Julio Cesar Wojcikiewicz/ND
    Uma das camisas que Júlio alega ter sido furtada - Arquivo Pessoal/Julio Cesar Wojcikiewicz/ND
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    Agasalho do Brasil nas Olimpíadas de Londres, em 2012 - Arquivo Pessoal/Julio Cesar Wojcikiewicz/ND
    Agasalho do Brasil nas Olimpíadas de Londres, em 2012 - Arquivo Pessoal/Julio Cesar Wojcikiewicz/ND

De acordo com o delegado Otávio César Lima, responsável pelo caso, destas 20 camisas, 17 foram reconhecidas por Júlio.

“Feito o boletim de ocorrência, imediatamente peguei as oitivas dos envolvidos. Vimos nas redes sociais que realmente as camisas estavam sendo vendidas, foi quando cumprimos o mandado de busca e apreensão. Tinha cerca de duas mil camisas no local, conseguimos identificar as que possivelmente seriam do Júlio por fotografias que tínhamos”, explica o delegado.

“Mesmo orientando a comerciante a não vender as camisas, ela continua vendendo. O inquérito policial continua os trâmites normais, mas acredito que nesta semana seja encaminhado ao Fórum já com todos os comprovantes necessários”, prossegue o delegado.

Ainda segundo Lima, a comerciante deve responder por receptação dolosa. Já o suspeito do furto das peças deverá ser indiciado pelo crime de furto qualificado.

“Ele igualmente vai responder pelo crime de furto qualificado, porque furtou os produtos mediante confiança da vítima. Porém, ele está ajudando na identificação das peças, tem domicílio identificado, atividade remunerada, portanto, não tem nenhum pressuposto legal para que seja pedido a prisão preventiva dele ou mesmo da comerciante”, explica o delegado.

A reportagem entrou em contato com a defesa do suspeito pelo furto, que preferiu não se pronunciar.

Colecionador sabia da venda, diz defesa de comerciante

Em contato com a reportagem, o advogado Grégor Goedert de Oliveira, responsável pela defesa da suspeita, alega que a venda das camisas foi feita por um homem que morava com Júlio e que o colecionador sabia da venda.

“Basicamente ele [Júlio] pegou fotos das redes sociais da minha cliente e foi na delegacia alegando que as camisas eram dele. O que posso dizer é que ele sabia sim e será provado judicialmente”, ratificou o advogado.

Nota da defesa da comerciante na íntegra – Foto: Divulgação/NDNota da defesa da comerciante na íntegra – Foto: Divulgação/ND

Coleção vem desde os anos 1970

A vasta coleção de Júlio, com cerca de 400 peças, começou ainda nos anos 1970, com a mãe Marja Luiza Wojcikiewicz.

“Tudo começou com a minha mãe nos anos 1970. Ela sempre teve uma paixão muito grande por futebol, foi no estádio que ela conheceu meu pai, inclusive. Hoje trabalho com futebol graças a ela”, explica o colecionador.

Marja morreu em 2022, vítima de câncer após 10 meses de luta contra a doença.

Torcedora do Figueirense e fã de Romário, Marja conseguiu a sonhada foto com o ídolo – Foto: Arquivo Pessoal/Júlio Cesar Wojcikiewicz/NDTorcedora do Figueirense e fã de Romário, Marja conseguiu a sonhada foto com o ídolo – Foto: Arquivo Pessoal/Júlio Cesar Wojcikiewicz/ND

A coleção é composta especialmente por camisas do Figueirense, porém, é possível encontrar do Vasco, São Paulo, Flamengo e até da seleção brasileira na Copa do Mundo 2014 – todas são autografadas.

“A pessoa que furtou as camisas disse que me retornaria os R$ 7.850. Eu falei que não quero o dinheiro. Eu perdi minha mãe de câncer recentemente. A maioria das peças foi ela quem conseguiu. Tinha camisas do Romário, do Fred, do Rogério [Ceni]. Eu não quero que ninguém seja preso, só quero minhas camisas de volta. É triste ver uma paixão que minha mãe iniciou ser perdida desta forma”, lamenta.

O caso veio à tona na última semana, após Júlio fazer uma publicação nas redes sociais relatando o caso.

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