Conheça Lico, o catarinense campeão da Libertadores pelo Flamengo

O jogador se destacou no futebol de Santa Catarina e foi brilhar no Rio, ao lado de Zico, Júnior, Adílio e Tita na conquista da América em 1981

Redação ND Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

O fantástico time do Flamengo que conquistou todos os títulos possíveis em 1981 e para muitos é considerado a melhor equipe do futebol brasileiro depois da era Pelé no Santos e Garrincha no Botafogo, teve a participação fundamental de um atleta catarinense. Depois de jogar aqui pelo América, de Joinville, Marcilio Dias, Avaí, Figueirense e Joinville, Lico rumou para o Rio de Janeiro e, quando entrou no Flamengo aproveitou a chance e não saiu mais.

Lico caiu como uma luva no time campeão do Flamengo – Foto: Arquivo pessoal/NDLico caiu como uma luva no time campeão do Flamengo – Foto: Arquivo pessoal/ND

Com um futebol leve e inteligente, o catarinense se encaixou perfeitamente em um time praticamente formado que tinha o craque Zico como líder ao lado de feras como Júnior, Tita, Leandro, Nunes, Andrade, Adílio, Marinho, Mozer, Figueiredo e o goleiro Raul. Quase quatro décadas depois, com o Flamengo muito próximo de conquistar o bicampeonato da Libertadores, Antônio Nunes, 68 anos, mas conhecido no futebol como Lico, e que recentemente lançou sua biografia em Imbituba, a sua cidade natal, falou sobre a expectativa com o jogo e se dá para comparar as duas equipes: o Flamengo de 1981 com o atual.

1 – Para começar a pergunta inevitável: existe comparação entre o Flamengo de 1981 e o time atual?

Não existe comparação porque o Flamengo da minha época enfrentava adversários, a maioria, com o mesmo nível técnico. Hoje, os adversários estão muito abaixo em qualidade técnica, ou seja, bem mais fracos. Por outro lado, penso que  time atal vem demostrando um futebol admirável, consistente na marcação e bastante objetivo na parte ofensiva. Esta equipe de hoje é muito boa, podendo ficar na história. É só vencer o River, conquistar o título e na sequência buscar o Mundial. Aí sim irão todos ficar marcados na história do clube.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Outra coisa é que aquele time de 81 poderia tranquilamente representar a Seleção Brasileira, pois todos os jogadores eram dotados de recursos técnicos impressionantes, com a capacidade de atuar em outras posições com o mesmo rendimento. Acho que os dois times estão bem preparados e prontos para se campeões. Vamos aguardar e ver quem leva.

2 – O que representar a conquista da Libertadores para um atleta profissional. Qual é o peso dessa competição na carreira de um atleta?

Uma conquista de Libertadores é, sem dúvida alguma, uma conquista marcante na carreira de um jogador porque se trata de uma das taças mais cobiçadas, a mais disputada competição do futebol brasileiro e mundial. Ela deixa um peso e uma marca muito grande na carreira do atleta.

3 – Na  decisão da Libertadores de 1981 contra o time chileno do Cobreloa, você e o Adílio foram vítimas da violência em campo. Você teme algum tipo de violência entre os jogadores argentinos do River diante do Flamengo na decisão de sábado?

Não, eu acho que o time do River é tão bom quanto o do Flamengo para esta disputa. Os dois estão bem treinados e preparados para o duelo, tem uma filosofia de jogo bem interessantes que nos leva a acreditar num grande jogo, sem favorito e que pode ser disputado tranquilamente porque as câmeras de vídeo estão por toda parte e qualquer jogada que aconteça na partida pode ser consultada. Ao contrário da nossa época, quando os zagueiros podiam bater a ponto de tirar um ou outro jogador de campo sem ter falta marcada.

4 – O Zico, o craque daquele time de 1981, costuma dizer que você foi um jogador fundamental nas conquistas daquele grupo. Qual das suas virtudes você acha que encaixou naquele time?

Por ser uma equipe formada basicamente no clube, vindo a maioria desde a categoria infantil, penso que o entrosamento entre eles foi um ponto fundamental para que a equipe tivesse aquele reportório tão bem afinado em que cada um já conhecia as características do outro. Isso facilitava  muito o conjunto. Todos estavam sempre dentro da filosofia de jogo, que era vencer tudo e todos. E eu, dentro das minhas características e qualidades técnicas parecidas com os demais atletas, Tita, Adílio, Zico, Júnior, Leandro, encaixei perfeitamente liberando mais o Zico, ora Júnior, ora Leandro, sempre com uma movimentação trocando de posição muitas vezes com Tita e ficando na marcação para subida de Júnior e Leandro. Então, penso que facilitei o trabalho de marcação e de criatividade no setor ofensivo por ser um jogador de técnica apurada.

5 – Recentemente você lançou a autobiografia  em um evento em Imbituba, sua cidade natal. Nessa mesma ocasião, o seu nome foi gritado por torcedores, amigos e fãs. Que sensação você pode descrever desse momento?

Foi um momento gratificante e significativo para mim, porque jamais imaginava que fosse alcançar o que alcancei e estar contando em uma revista ou livro toda uma trajetória bonita de vida, desejada e realizada de um sonho do menino engraxate que queria ser um jogador de uma grande equipe do futebol brasileiro. E jogar no melhor time de uma época consagradora ao lado dos melhores jogadores que a bola já conheceu, com a maior torcida do mundo e no palco mágico do futebol, o Maracanã, é um presentão que recebi. Só tenho que agradecer a todos que me ajudaram nesta caminhada para chegar à esta realização profissional

Tópicos relacionados