O denominado Conselho Gestor do Figueirense botou “a cara” e concedeu uma entrevista coletiva, na manhã desta terça-feira (4), na sala de imprensa André Podiacki, junto ao estádio Orlando Scarpelli, onde explanou por mais de uma hora.
A pauta do manifesto, como não poderia ser diferente, o 2022 que sucumbiu com a derrocada na Série C e o que o clube pode almejar pela frente, em mais um ano duro que se desenha na tentativa de voltar à Série B 2024.
Além de agradecimento aos torcedores e parceiros que correram ao lado do Figueirense, no transcorrer do ano, a promessa que mesmo diante das dificuldades naturais do momento, que “em 2023 esperaremos e lutaremos para conquistar alegrias e coisas boas para o torcedor do Figueirense”.
SeguirA frase foi lançada pelo presidente do Conselho de Administração da SAF, Paulo Prisco Paraíso.
Junto a mesa de apresentação [da esq. para direita], o clube mostrou a cara nas figuras de Francisco de Assis Filho, presidente do Conselho Deliberativo; Norton Boppré, presidente do clube; Paulo Prisco Paraíso e ainda o diretor executivo do Alvinegro, José Carlos Lage.
“Um olho no padre e um olho na sacristão”
Foi com essa analogia que o Paulo Prisco Paraíso ilustrou a situação do Figueirense que, ao longo do ano, vem equilibrando a necessidade de honrar compromissos com a atividade fim do clube, que é o futebol.
Todos os presentes foram unânimes ao afirmar que a situação do clube ainda é muito delicada, mas reiteraram os avanços conquistados, sobretudo no campo jurídico, ao longo da temporada.
Além da homologação do processo de recuperação extrajudicial, a aprovação do empréstimo que deve ajudar o clube a quitar parte de sua dívida (estimada, anteriormente, em R$ 185 milhões); o Figueirense passou por um processo de re-credibilização do seu nome.
De acordo com a cúpula alvinegra o clube agoniza os problemas oriundos em gestões anteriores, mas hoje paga os compromissos em dia. Nas palavras de Paulo Prisco Paraíso, por exemplo, o Figueirense paga em dia e tem crédito com fornecedores e parceiros.
Outra derrota em 2022
Além do fracasso na Série C, sobretudo, na reta final da competição, o Figueirense teve mais uma derrota que não estava em seu planejamento.
O crowdfunding (financiamento coletivo) elaborado no início do ano, com intenção de ofertar 5% da SAF do clube, em troca de um aporte de R$ 5 milhões, não deu certo.
Isso, segundo foi repassado pelo presidente do conselho da SAF, PPP, porque o clube não conseguiu convencer o mercado e grandes investidores em nome dessa fatia.
O projeto tinha a necessidade mínima de angariar 70% do valor, algo em torno de R$ 3,5 milhões. Esse valor ficou aquém já que, segundo repassado, o clube conseguiu reunir “apenas” R$ 1 milhão angariados junto a pequenos parceiros e contribuições livres dos torcedores.
“O objetivo era levantar R$ 5 milhões para aplicar a retomada da base e fortalecer o futebol, mas infelizmente não conseguimos esse valor. Não tivemos a capacidade de convencer o mercado de aportar esse valor, mas infelizmente não deu”, revelou Paulo Prisco Paraíso.
Ele usou esse projeto, no entanto, como exemplo do que o clube precisa fazer para, aos poucos, reestruturar suas finanças. “Vamos reprogramar, vamos reinventar, vamos de novo”, acrescentou.
Retomada do terreno
Se por um lado o clube não avançou no projeto do financiamento coletivo, o presidente Norton Boppré, em um exemplo da retomada da credibilidade do Figueirense como uma instituição genuinamente de Florianópolis, é uma espécie de retomada do ginásio Carlos Alberto Campos, localizado ao lado do estádio Orlando Scarpelli.
Boppré revelou que foi um trabalho de “conciliação” com a PMF (Prefeitura de Florianópolis). Ele salientou que “sempre foi propriedade do clube”, mas que estava estendida a prefeitura da capital.
Norton Boppré, sem dar mais detalhes, revelou que a retomada do imóvel faz parte de um projeto de “expansão do estádio Orlando Scarpelli”.
Futebol 2023
Sobre o futebol, em 2023, muitas promessas de um clube competitivo para a próxima temporada. Um dos manifestos, protagonizados por Paulo Prisco Paraíso, ele chegou a mencionar “time com cara de Série B para disputar a Série C”.
Em meio a necessidade de equilíbrio e pagamento de empréstimos e demais compromissos, o Figueirense deve ter um time “para dar alegrias ao seu torcedor”.
O atual elenco, segundo o diretor executivo José Carlos Lages, deve passar por uma “profunda reformulação” onde nem a permanência de Júnior Rocha, nesse momento, está assegurada.
“Vamos esperar o término da Copa SC para fazer essa análise do elenco e da comissão técnica”, limitou-se o dirigente.
Alguns atletas, com vínculo até o ano que vem como os zagueiro Maurício e o atacante Andrew, estão confirmados, assim como outros atletas já vinculados.
Do atual elenco ao menos oito peças já foram desligadas e, nesse momento, o clube “monitora” o mercado de olho na montagem do elenco para 2023.
Ao ser questionado sobre o goleiro Wilson, o dirigente revelou que conversou com o ídolo alvinegro, mas que “aguarda” o goleiro “decidir o que vai fazer da vida”.
A entrevista coletiva completa pode ser conferida no vídeo a seguir: