Crônicas da Copa: A tecnologia e o abismo que vai se formando no futebol

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Diogo de Souza Florianópolis

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Copa do Mundo é simplesmente espetacular. Ainda que todo o esforço da sua entidade organizadora, com seus mandos e desmandos inescrupulosos, é preciso salientar, sempre que possível, esse sentimento de difícil definição que aflora a cada quatro anos.

Também por isso, é importante destacar a força descomunal da toda poderosa FIFA em afastar, em seus mínimos detalhes, a modalidade da sua grande razão de ser: das pessoas.

A bola no segundo gol do Japão, na frieza da regra, não saiu. Mas quem disse que a modalidade é feita por pessoas frias? – Foto: Fifa.com/Divulgação/NDA bola no segundo gol do Japão, na frieza da regra, não saiu. Mas quem disse que a modalidade é feita por pessoas frias? – Foto: Fifa.com/Divulgação/ND

Eu prometo não repetir o que tenho batido, desde o primeiro dia, neste espaço. Eu prometo não insistir que o Catar é a pior sede da história e nem é preciso adentrar as quatro linhas para assegurar essa condição.

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Mas a postura dinheirista da entidade, em arremessar o principal dos torneios da humanidade em um país que pouco ou nada oferece – além de deserto, preconceito e petróleo – vai ao encontro do que a FIFA tem adotado para ficar cada vez mais distante de quem o pratica.

O lance envolvendo o segundo gol do Japão, sobre a Espanha, em uma comprovação técnica de que a bola não saiu é o grande case desse atual descompasso entre a modalidade em sua essência, disputada em campos de chão batido onde a goleira pode ser composta de um par de chinelos.

Em qualquer ‘pelada’ da face da terra aquela bola – insisto, comprovadamente em jogo mediante a precisão da tecnologia – teria saído.

Não trata-se de burlar a regra, mas tornar o jogo a mercê do erro humano. O erro, afinal, faz parte do jogo e os quase 100 anos de Copa do Mundo nos enumeram intermináveis exemplos.

A maior contradição envolvendo a tecnologia e sua pretensa intensão de “aperfeiçoar” o jogo, são casos dessa própria Copa do Mundo.

Os pênaltis canalhas assinalados em Cristiano Ronaldo, no jogo contra Gana; e Lionel Messi, no jogo contra a Polônia são exemplos claros de que a tecnologia, ainda que ofereça a correção e perfeição, “erra”.

O jogo que culminou com a vitória insuficiente do Uruguai, nesta sexta-feira (2), é outro exemplo. Pênalti em cima do atacante Darwin Nuñez, do Uruguai, foi calçado dentro da área. Em qualquer outro ponto do campo seria falta.

O árbitro não deu na hora, teve a oportunidade de rever o lance e seguiu sua equivocada decisão.

O impedimento que leva em consideração o fiapo do uniforme, que só pode ser lido em uma tecnologia formada por 21213565 câmeras e que, mesmo assim, jorra equívocos.

Há três pilares que sustentam o futebol, maior modalidade da humanidade e uma das grandes invenções do homem:

Paixão, essência e fácil acesso. Os dois últimos têm sido, aos poucos, aniquilados pela senhora Federação Internacional de Futebol. Para terminar com o primeiro basta manter esse ritmo.

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