Só o título mundial dará a Lionel Messi um lugar na prateleira mais alta do futebol. Ainda que eventualmente apontado como um dos maiores da história, só a taça de campeão do mundo o dará, aí sim, a permissão para entrar no panteão dos imortais.
O futebol é imponderável. Essa fábrica de possibilidades e percursos, dessa maneira, não tolera o lógico. Pelo contrário, o futebol e sua capacidade de contar histórias são grandes desafiantes do que é estipulado, programado e até antecipado.
O futebol não tolera os números. Sempre que pode, se descola. O maior exemplo dessa condição é o quanto os números conseguem dizer. Uma frase, lançada pelo economista norte-americano Aaron Levenstein (1911- 1986), descreve essa relação
Seguir“A estatística é como um biquíni. O que mostra é sugestivo, mas o que esconde é essencial”.
Lionel Messi é uma máquina de produzir números. Ao lado do tão inacreditável quanto, Cristiano Ronaldo, “La Pulga” é um avassalador de recordes ao longo de sua carreira.
Em Copas do Mundo, de protagonismo tardio, soma oito gols em 21 partidas com a camisa albiceleste, em mundiais. Pela seleção, como um todo, é o artilheiro mais que disparado da Argentina. São 92 gols em 166 partidas.
Isso, é claro, sem lembrar seus quase incalculáveis números ao longo da carreira, majoritariamente, pelo Barcelona, além de um pequeno recorte com a camisa do PSG (Paris Saint-Germain).
Não trata-se de torcer pela Argentina, por causa dele. Ou, talvez, trata-se uma vez que só é possível discretamente vibrar pela ‘ressurreição’ dos argentinos em função dele.
Com o o seu 8º gol anotado, neste sábado, em Copas do Mundo – o 2º nessa edição do Catar – Messi sabe que isso ainda é “pouco”. Aos 35 anos e ainda contestado por eventuais “omissões” ao longo da carreira, o camisa 10 da Argentina sabe que precisará levantar a taça se quiser ser, aí sim, respeitado como uma lenda – como se já não fosse.
Essa é a essência de uma Copa do Mundo. Em um universo competitivo à parte de toda e qualquer competição futebolística, só ela é capaz de segregar os gênios da bola dos imortais campeões mundiais.
Eu não costumo dizer que o futebol “deve” uma Copa do Mundo a Lionel Messi, como frequentemente é reverberado por grandes romancistas da bola.
É o Messi que tem essa dívida com (quem ama) essa modalidade à parte do universo.
Leia outras
Dia #1: Crônicas da Copa: de Infantino a Galeano para poder torcer no Catar
Dia #2: Crônicas da Copa: O Catar e a ‘pior edição’ da história da Copa do Mundo
Dia #3: Crônicas da Copa: De Messi a Erasmo Carlos para saber que na vida é preciso escolher
Dia #4: Crônicas da Copa: O futebol é mais do que nunca uma ‘caixinha de surpresas’
Dia #5: Crônicas da Copa: O centroavante que libertou um povo da desunião
Dia #6: Crônicas da Copa: O adeus de um país que vai para o porão da história das Copas