Crônicas da Copa: Lionel Messi e sua dívida antes da imortalidade

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Diogo de Souza Florianópolis

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Só o título mundial dará a Lionel Messi um lugar na prateleira mais alta do futebol. Ainda que eventualmente apontado como um dos maiores da história, só a taça de campeão do mundo o dará, aí sim, a permissão para entrar no panteão dos imortais.

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    Lionel Messi jamais será colocado ao lado de Maradona. Não antes de ter um título mundial (Photo by Odd ANDERSEN / AFP) - AFP/ND
    Lionel Messi jamais será colocado ao lado de Maradona. Não antes de ter um título mundial (Photo by Odd ANDERSEN / AFP) - AFP/ND
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    Lionel Messi em sua estreia na Copa do Mundo do Catar. Foto: Antonin THUILLIER / AFP) - Antonin Thuillier / AFP
    Lionel Messi em sua estreia na Copa do Mundo do Catar. Foto: Antonin THUILLIER / AFP) - Antonin Thuillier / AFP

O futebol é imponderável. Essa fábrica de possibilidades e percursos, dessa maneira, não tolera o lógico. Pelo contrário, o futebol e sua capacidade de contar histórias são grandes desafiantes do que é estipulado, programado e até antecipado.

O futebol não tolera os números. Sempre que pode, se descola. O maior exemplo dessa condição é o quanto os números conseguem dizer. Uma frase, lançada pelo economista norte-americano Aaron Levenstein (1911- 1986), descreve essa relação

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“A estatística é como um biquíni. O que mostra é sugestivo, mas o que esconde é essencial”.

Lionel Messi é uma máquina de produzir números. Ao lado do tão inacreditável quanto, Cristiano Ronaldo, “La Pulga” é um avassalador de recordes ao longo de sua carreira.

Em Copas do Mundo, de protagonismo tardio, soma oito gols em 21 partidas com a camisa albiceleste, em mundiais. Pela seleção, como um todo, é o artilheiro mais que disparado da Argentina. São 92 gols em 166 partidas.

Isso, é claro, sem lembrar seus quase incalculáveis números ao longo da carreira, majoritariamente, pelo Barcelona, além de um pequeno recorte com a camisa do PSG (Paris Saint-Germain).

Não trata-se de torcer pela Argentina, por causa dele. Ou, talvez, trata-se uma vez que só é possível discretamente vibrar pela ‘ressurreição’ dos argentinos em função dele.

Com o o seu 8º gol anotado, neste sábado, em Copas do Mundo – o 2º nessa edição do Catar – Messi sabe que isso ainda é “pouco”. Aos 35 anos e ainda contestado por eventuais “omissões” ao longo da carreira, o camisa 10 da Argentina sabe que precisará levantar a taça se quiser ser, aí sim, respeitado como uma lenda – como se já não fosse.

Essa é a essência de uma Copa do Mundo. Em um universo competitivo à parte de toda e qualquer competição futebolística, só ela é capaz de segregar os gênios da bola dos imortais campeões mundiais.

Eu não costumo dizer que o futebol “deve” uma Copa do Mundo a Lionel Messi, como frequentemente é reverberado por grandes romancistas da bola.

É o Messi que tem essa dívida com (quem ama) essa modalidade à parte do universo.

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