Crônicas da Copa: O presente do futebol entre o que passou e o que está por vir

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Diogo de Souza Florianópolis

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Outro dia um jovem repórter se envolveu em um debate sobre grandes nomes do futebol brasileiro, em meio a redação. Sem qualquer pudor chegou decretando Neymar como o mais próximo de Pelé; Thiago Silva como o melhor zagueiro brasileiro da história, dentre outras travessuras desse nível.

Com a confiança de quem escala seu time no videogame, deixou seus colegas com quase 200 anos somados, sem reação. Como quem varre um cômodo, mandou tudo que chamamos de ‘história’ para baixo do tapete.

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    Goleiro de Marrocos foi outro heroi de Marrocos - Fifa/Divulgação/ND
    Goleiro de Marrocos foi outro heroi de Marrocos - Fifa/Divulgação/ND
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    Hakimi cobra o pênalti para superar o goleiro da Espanha e colocar Marrocos em uma histórica quartas de final - Karim Jaafar/AFP/Divulgação
    Hakimi cobra o pênalti para superar o goleiro da Espanha e colocar Marrocos em uma histórica quartas de final - Karim Jaafar/AFP/Divulgação
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    Portugal goleia a Suíça e avança na Copa do Mundo - Fifa.com/Divulgação/ND
    Portugal goleia a Suíça e avança na Copa do Mundo - Fifa.com/Divulgação/ND

O torcedor tem uma relação curiosa com o que não pode ter. É só mais um fenômeno que acomete todo e qualquer ser humano – em mais um movimento futebolístico que repete a vida – onde volta e meia mergulha no passado para dizer que é melhor, ou ainda divaga no futuro para sonhar com que ainda não tem.

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Entre o balanço do que passou e a expectativa do que está por vir, frequentemente nos perdemos no que parece ser o básico de todo e qualquer indivíduo: viver o agora.

Ainda sem esboçar uma resposta para o nobre e simpático colega, lembrei da escritora bielorrusa Svetlana Alexijevich, que pontua em sua obra denominada Vozes de Tchernóbil, que a pior das doenças da humanidade é o Mal de Alzheimer, pois ele age no que um ser humano tem de mais valioso: as lembranças.

A Copa do Mundo, nesse compasso de quatro em quatro anos, brinca com essa ideia atemporal de que jamais estamos satisfeitos com o momento, perdidos entre os suspiros do passado e o brilho do que pode ser o futuro.

Ainda que de maneira afrontosa, o intrépido repórter tem sua parcela de razão em enaltecer o que presencia em sua experiência de Copa do Mundo, essa do Catar, a mais insossa e descaraterizada da história da competição.

Essa terça-feira (6), inclusive, marcou o último dia dentre os últimos 17, com futebol diariamente. É bem verdade que essa edição, até aqui, com partidas de gosto e desempenho bem duvidosos, se mostra aquém de toda a expectativa.

Mas o fato é que é preciso esperar, pelo menos, até sexta-feira até que a efervescente fase quartas de final tenha início.

Também por isso optei não contestar o jovem aventureiro. Até porque o presente, que ele tanto tremulou, nos traz uma infeliz constatação: jogos da copa só em quase 72h.

Esse momento é de mergulho no sentimento e romantismo pelo que passou; e de incerteza e expectativa pelo que está por vir.

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