Duas semanas depois de Maradona foi a vez de Paolo Rossi reforçar o time do céu, vítima de um câncer de pulmão. O centroavante que qualquer brasileiro com mais de quarenta anos conhece, pois foi nosso algoz na semifinal da Copa de 1982 da Espanha, no Estádio do Sarrià, em Barcelona. E eu estava lá. O Brasil era o favorito com Zico, Júnior, Sócrates, Falcão, Toninho Cerezo, Eder, Serginho “Chulapa” e mais uma constelação de estrelas. Um “dream team” de Telê Santana. Rossi que até então não tinha marcado fez três gols na partida, inclusive desempatando duas vezes depois de gols de Sócrates e Falcão. Brasil tinha vencido a Argentina de Maradona no mesmo estádio no jogo anterior, e eu também estava lá, foi minha primeira Copa, e os italianos também. Para nós bastava o empate. Os berros do narrador Luciano do Valle ainda ecoam na memória traumatizada das gerações que nasceram dos anos 70 pra trás: “Paaaaaaaaoooolooo Rossiii….”. Carrasco absoluto. Matador. Dizem alguns boleiros entendidos que todo bom time pra ser campeão tem que ter pelo menos um “bandido”. E Paolo era a prova dessa “teoria”. Foi preso quando defendia o Juventus de Turin pelo envolvimento no escândalo conhecido como “Totonero”, um esquema de manipulação de resultados de jogos para beneficiar apostadores da loteria esportiva. Há quem diga que foi “indulto”, mas a pena de três anos foi encurtada em 2/3 providencialmente pela Justiça italiana e saiu da cadeia menos de um mês antes da Copa de 82. Para mandar o Brasil de volta pra casa. Foi artilheiro, campeão e eleito o melhor jogador. De bandido, no entanto, não tinha nada, era um boa praça que plantava olivas, produzia vinho e tinha uma academia de futebol.
“Il Bambino d`Oro” contava achando graça que uma vez veio ao Brasil e pegou um táxi em São Paulo, quando disse o seu nome o motorista mandou ele descer do carro: não levaria Paolo Rossi.
SeguirSe a “Tragédia do Sarrià” ainda incomoda, imagina quanto tempo vamos demorar a digerir os 7×1 contra a Alemanha?
Diego Armando Maradona e Paolo Rossi – Foto: Divulgação