A situação financeira do JEC é delicada e se agrava ainda mais com a espera do pagamento de uma negociação feita há mais de dois anos. A venda do volante Anselmo, que foi negociado pelo Internacional ao Al Wheda aconteceu ainda em 2018, mas até hoje o Colorado não quitou sua dívida com o Tricolor, que tem direitos sobre o valor negociado pelo atleta.
JEC mergulhou em dívidas e trabalha para tentar negociá-las enquanto Internacional ainda não honrou o pagamento pela venda do volante Anselmo – Foto: Divulgação/JECO Tricolor mergulhou em dívidas e, de acordo com o diretor-geral do clube, Luís Carlos Guedes, esse valor pode chegar aos R$ 40 milhões, entre dívidas fiscais, ações trabalhistas e com fornecedores. Só em dívidas fiscais, o valor é de R$ 16 milhões que pode cair para cerca de R$ 10 milhões após negociações.
Além disso, os valores do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) foram negociados e alongados em 80 parcelas. O valor é de R$ 1 milhão. Com fornecedores, a dívida gira em torno de R$ 1,8 milhões. “A grande questão é com relação às dívidas trabalhistas, entre 15 e 25 milhões de reais, mas que podem ser menores dependendo das negociações”, explica.
SeguirOs valores são altos, mas o pagamento da negociação do volante Anselmo poderia amenizar o impacto nos cofres do clube. Acontece que o Internacional não tem honrado com as parcelas. O valor deveria ter sido quitado ainda em maio, mas o clube gaúcho alegou problemas financeiros decorrentes da pandemia e cessou os pagamentos.
O JEC afirma que tem tentado negociar a dívida para evitar acionar o Colorado na CBF, mas até o momento, o valor da venda não foi quitado. “O Inter vinha pagando com algum atraso, mas pagava. Nas últimas parcelas alegaram a dificuldade com a pandemia e não pagaram. O presidente e toda a diretoria têm entrado em contato. Sabemos que há dificuldades, mas o nosso valor é insignificante dentro do orçamento do Internacional. Para nós é importante, mas insignificante para eles”, fala.
O diretor-geral fala sobre uma possível notificação, mas salienta que não é desejo do clube e reforça que um processo administrativo junto à CBF é ruim para ambos os clubes. “Falamos da possível notificação como último recurso. Dada a nossa dificuldade e dado o valor não ser importante pra eles, entendemos que eles poderiam pagar, nem que seja parcelado. A negociação continua, mas entendemos que acioná-los é ruim para todos. Se a parcela do Inter viesse, resolveria parte dos problemas em curto prazo”, ressalta.
Guedes explica, ainda, que a conduta do clube tem sido tentar negociar e alongar as dívidas e que, com isso, o Tricolor consegue trabalhar e honrar os dividendos. “Estamos tentando negociar, alongar e parcelar até mesmo as dívidas trabalhistas. Esse valor de R$ 40 milhões está na cabeça de todo mundo”, diz.
Para ele, o Joinville precisa aumentar a receita com urgência. O orçamento projetado para este ano era de cerca de R$ 500 mil ao mês, mas segundo o diretor-geral, esse valor caiu pela metade. “O clube está super endividado. O JEC está na UTI, respirando por aparelhos”, finaliza.
A reportagem do nd+ entrou em contato com o Internacional solicitando um posicionamento do clube com relação ao atraso no pagamento da dívida com o JEC, mas até o momento, não obteve retorno.