Durou menos de 90 dias a passagem de Elano Blumer pelo estádio Orlando Scarpelli. Recheado de expectativa em sua chegada, o técnico deixou Florianópolis querendo não ser visto. A saída, que tem um caráter de discrição, foi imediatamente “abafada” pela contratação do técnico Jorginho.
Não trata-se de uma saída conturbada ou em “guerra” com membros do clube, mas um silêncio que diz mais que qualquer outra declaração.
Técnico Elano Blumer, do Figueirense; técnico chegou e tentou, em vão, melhorar a equipe e a classificação na Série B – Foto: Patrick Floriani/FFCElano chegou em Florianópolis com a missão de incrementar a campanha do então técnico Márcio Coelho. Foi anunciado, dia 27 de agosto, onde estreou imediatamente, empate em 0 a 0 com o Confiança.
SeguirNa ocasião, se ainda não era a colocação dos sonhos, o Figueirense era o 13º posicionado. A pauta, pelos corredores do Orlando Scarpelli, era “acesso a Série A”. De lá para cá todo o sentimento de expectativa foi proporcionalmente trocado pela tensão.
Em paralelo, o desempenho da equipe despencou. Apesar dos problemas extracampo e até recorrentes lesões, como bem citado pelo técnico em sua última entrevista coletiva, o Figueirense não demonstrou absolutamente nada de diferente do que, até então, era visto com seu antecessor.
Sua campanha, no fim das contas, foi pífia: 17 jogos, três vitórias, cinco empates, nove derrotas. Foram 12 gols marcados e 18 gols sofridos em um aproveitamento de: 26%.
Coletivas abatidas e impacientes
Ao passo que a campanha do Figueirense de Elano foi perdendo força e engajamento, o torcedor foi automaticamente perdendo a paciência em suas manifestações pós-jogos.
Elano Blumer, após derrota para o Avaí, pela Série B – Foto: Patrick Floriani/FFC/divulgaçãoEm, pelo menos, três oportunidades, lembrou a folha salarial do clube que gira em torno de R$450 mil mensais muito aquém dos adversários com “folhas de até R$1,5 milhão”.
Apesar de negar, Elano manifestou sua insatisfação, em dado momento, devido as atrasos salariais na equipe. A “ausência” da direção, nesse aspecto, foi admitida pelo próprio presidente em entrevista coletiva, porém, com a promessa de que a situação seria contornada.
Os resultados de campo, mesmo assim, seguiram tímidos. As entrevistas, em sintonia, também foram perdendo “força”. Após derrota para o Operário, dentro do Scarpelli, o técnico chegou a falar em jogar de “igual para igual” com o Fantasma, em uma comparação que caiu como uma afronta em meio a torcida alvinegra.
Todo o abatimento desmontrado por Elano passou a refletir em campo. Na derrota para o Vitória, na Bahia, o Figueirense tomou um gol com 2 minutos de bola rolando. Deixou, ali, por uma questão comportamental, a certeza de que não buscaria o resultado.
Depois da derrota para o Vitória, inclusive, o técnico pediu para responder apenas uma pergunta de cada veículo, alegando necessidade de “ajudar” alguns atletas que, segundo ele, estavam se sentindo mal.
Lesões e suspensões
Não bastassem as dificuldades do plantel, o Figueirense foi acometido por lesões bem como um surto de coronavírus. Foram 25 casos confirmados dentro do vestiário do clube, incluindo o técnico, em intervalo de 12 dias.
A necessidade de resultados mesclada com uma falta de planejamento fizeram com o que o time registrasse um entra e sai ao longo dos cerca de 80 dias da “era Elano”.
Silêncio
A reportagem do nd+ tentou o contato com o agora ex-técnico, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.