Ontem à noite o Figueirense não ganhou. E a culpa foi toda minha. Na sexta, me arrumando na correria para encontrar a Tatá no Regional, acabei esquecendo de colocar minha camisa na mochila. Fato que só fui perceber ontem no trabalho. Fiquei inconformado, com mau pressentimento e humor.
Ir ao estádio sem a camisa do time é como estar pelado, e, para torcedores supersticiosos como eu, mau agouro. Tentei me livrar desses sentimentos recordando um 1 a 0 sobre o Corinthians em 2014, gol de Marcão, em que também esqueci a camisa em casa e vencemos. O Figueirense também entrou com um uniforme diferente: o terceiro, todo em preto e com detalhes dourados.
O lance mais emocionante do primeiro tempo foi quando nossa torcida cantou alto. A simpática torcida do Remo, em número maior que esperava, respondeu, em bonito duelo. Nossos jogadores absorveram essa energia, e por alguns instantes pareciam mais ligados. Depois voltaram a mesma toada. O jogo sofria e ardia os olhos. Apesar das nítidas limitações do Remo, criávamos quase nada e a maioria dos jogadores estava mal. Zé Mario era o mais lúcido.
SeguirNo segundo tempo Wilson nos salvou em algumas oportunidades. Pensei comigo: “ainda bem que o Wilson existe”, e comentei com o senhor a meu lado que não estávamos perdendo porque o time do Remo é muito ruim. As entradas de Paolo e Léo Artur pouco ajudaram. Mario Henrique acertou um cruzamento perfeito na cabeça de Andrew, que, sozinho, mandou para fora. Levou as mãos à cabeça, sem acreditar. Nós também.
E foi assim que o Figueirense garantiu seu quarto empate seguido e saiu de campo vaiado. Mas a culpa, na verdade, foi só minha. Se estivesse devidamente uniformizado nada disso teria acontecido. Jogaríamos com mais hamonia. Bassani erraria menos e Oberdan voltaria a ser o do Catarinense. Natan Masiero jogaria com mais segurança e Serginho não se machucaria. Leo Artur e Gustavo Henrique tocariam na bola. Gustavo Ramos estaria mais inspirado e Andrew nunca que perderia aquele gol.
Wilson foi o único poupado das vaias. Teve seu nome entoado e homenageado com “O meu goleiro voa como um gavião”. Wilson, ainda bem que tu existe! Muito obrigado por abdicar de marolas para sofrer conosco em feio mar. Ser ídolo no Figueirense é isso: se aproximar da gente.
É ser amigo, um irmão na adversidade, como tens sido. Assim serás lembrado. Assim tua história continua e assim será contada .Cheguei em casa perto da meia noite, bêbado de sono e de cansaço. E sobre a mesa a camisa “retrô” dos anos 70 que nos faltou para a vitória.
Bernado de França de Silva, mora no João Paulo. Gosta de escrever e de compor suas músicas nas horas vagas. – Foto: Acervo pessoal/ND