O juiz de Direito da Vara Regional de Recuperações Judiciais, Falências e Concordatas de Florianópolis, Luiz Henrique Bonatelli negou, nesta sexta-feira (12), o pedido da diretoria do Figueirense de recuperação extrajudicial.
Figueirense tem pedido negado pela Justiça – Foto: Patrick Floriani/FFC/NDO objetivo do clube era impedir a cobranças de dívidas por 30 dias para que houvesse uma “reorganização financeira”. O clube alega risco de decretar falência.
No relatório, o juiz Luiz Henrique Bonatelli destaca que o Figueirense é uma associação civil sem fins lucrativos, e, por isso, não se enquadra no pedido. O magistrado considera o processo extinto por ilegitimidade.
SeguirA lei cabe apenas para “falência do empresário e da sociedade empresária, doravante referidos simplesmente como devedor”. Ou seja, a lei não contempla empresas civis, como no caso do Figueirense.
“Em conclusão, este magistrado entende que a associação civil não se enquadra no conceito de sociedade empresária, razão pela qual não possui legitimidade para requerer recuperação judicial”, destacou.
Presidente fala sobre pedido
Em coletiva no fim da tarde desta sexta-feira, o presidente do Furacão, Norton Flores Boppré, falou sobre o pedido feito pelo clube. Segundo o mandatário, o objetivo é a reestruturação do clube diante do pior cenário financeiro já vivido pela instituição.
Norton Boppré afirmou que o movimento é o ideal para o clube no momento – Foto: FFC/divulgaçãoAlém de Boppré, também estiveram presentes no encontro Leonardo Coelho e Luiz Roberto Ayoub, dos escritórios Alvarez & Marsal e Galdino e Coelho Advogados, respectivamente, que auxiliam a diretoria no processo.
A situação financeira do clube é estudada pela diretoria desde agosto de 2020. Para o mandatário, a medida tomada é a “mais correta para o momento”.
“Esse movimento que se faz hoje se deve à necessidade do clube em buscar uma proteção judicial para preservar a liquidez do clube enquanto se repactua o passivo junto aos credores. Gostaria de deixar claro aos torcedores do Figueirense que temos a plena convicção do que estamos fazendo. O que estamos fazendo é para o bem do Figueirense”, afirmou o presidente.
Entenda o caso
O Figueirense entrou com um pedido de recuperação extrajudicial junto à Vara Regional de Recuperações Judiciais, Falências e Concordatas de Florianópolis.
O documento de 35 páginas, assinado por cinco advogados, alega que o clube corre risco de encerrar suas atividades imediatamente caso não consiga paralisar a execução de suas dívidas.
O objetivo do clube é que haja o impedimento de cobranças por 30 dias para que haja uma “reorganização financeira”. A diretoria do clube confirmou que entrou com a medida em nota oficial divulgada na tarde desta sexta-feira.
O rebaixamento à Série C do Campeonato Brasileiro reduziu para apenas R$ 8 milhões o orçamento anual do clube. A dívida total do clube gira na casa do R$ 165 milhões.
Entre os fatores que causaram o endividamento do clube, o Furacão cita a gestão da Elephant. A empresa chegou em 2017 para gerir o clube, porém a situação financeira se agravou ainda mais até a saída da mesma em setembro de 2019.