Formador de ‘atletas e cidadãos’, Betão fala sobre novo cargo no Avaí e se declara ao clube

Em entrevista ao Arena ND+, Betão relembra trajetória como jogador, história dentro do Avaí e deixa os parabéns pelos 99 anos do clube

Foto de Ian Sell

Ian Sell Florianópolis

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Zagueiro com maior número de jogos na história do Avaí, Betão marcou seu nome na história do Leão da Ilha. Hoje na função de coordenador técnico das categorias de base do clube, o ex-jogador segue deixando seu legado, porém, dessa vez na formação do jovem atleta e do “cidadão”.

Betão no estádio da Ressacada, casa do AvaíBetão conversou com a reportagem do Arena ND+ – Foto: Ian Sell/ND

Betão conversou com o Arena ND+ em entrevista especial para o aniversário de 99 anos do Avaí, que acontece na próxima quinta-feira (1º).

Entre os assuntos na manhã ensolarada e “gelada” no estádio da Ressacada, estão a “virada de chave” de jogador para dirigente, o momento que o clube vive dentro e fora dos gramados, o trabalho na formação de jovens jogadores do clube e, claro, a relação de “amor” vivida entre ele e o Leão da Ilha.

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Confira a entrevista na íntegra:

Transição de jogador para dirigente

Betão: Foi tranquila. Costumo dizer que não foi ‘traumática’. Normalmente o jogador quando para ou porque está velho, ou gordo, ou lesionou e muitas vezes para de uma maneira despreparada. Eu vim me preparando durante alguns anos, voltei a estudar diretamente para a área de gestão de futebol em 2014. Me preparei mentalmente, me instruí e está sendo prazeroso trabalhar com jovens, passar o que vivenciei durante toda a minha vida.

Betão recebeu bela homenagem em despedida como jogador no Avaí – Foto: Gustavo Medeiros/@gustavooficialllll/NDBetão recebeu bela homenagem em despedida como jogador no Avaí – Foto: Gustavo Medeiros/@gustavooficialllll/ND

Trabalho com jogadores jovens

Betão: O que tenho visado bastante aqui com os atletas não é somente a formação do atleta, mas também do cidadão. Se ele conseguir chegar a ser atleta profissional ele vai chegar com o pensamento de cidadão também. E se por ventura ele não consiga ser jogador, será um cidadão com algum direcionamento. Minha preocupação é mostrar para eles a realidade, que nem todos vão chegar, e àqueles que conseguirem chegar precisam ter uma preocupação de como construir sua carreira e imagem.

Trajetória e idolatria no Avaí

Betão: Não imaginava que minha trajetória no Avaí poderia chegar a este nível que chegou de integração com a história do clube. Fiquei muito feliz, satisfeito e lisonjeado por cada segundo que vivi dentro do clube desde 2016. Tivemos sempre um respeito mútuo, meu com o clube, do clube comigo e também com o torcedor. Você fazer parte de um clube com uma história centenária, como é o Avaí, é para poucos.

Betão, como capitão, levanta a taça do título Catarinense de 2021 – Foto: André Palma Ribeiro/Avaí FCBetão, como capitão, levanta a taça do título Catarinense de 2021 – Foto: André Palma Ribeiro/Avaí FC

Momento do clube dentro e fora dos gramados

Betão: O Avaí vive um momento de transformação. Toda mudança gera desafios, tira as pessoas da zona de conforto, tem erros que acabamos cometendo como gestores. Dentro desta mudança há coisas que você vai tentar inovar que não vão dar certo. A felicidade que temos hoje dentro do Avaí é que o clube ‘respira trabalho’. Em qualquer setor que você vá você verá pessoas trabalhando em prol do contexto geral que é o crescimento da instituição. Temos a esperança de um Avaí melhor daqui há alguns anos e esperamos passar o centenário dentro da Série A.

Como trazer o torcedor “mais jovem” para dentro do clube

Betão: Todo clube precisa ter uma referência em campo, um jogador que o torcedor se identifique, que represente a voz e o comportamento deles. Acho que fiz parte deste contexto dentro do Avaí. Vi muitas pessoas com a camisa número 3 nas ruas e nas arquibancadas. Vi muitas crianças me apoiando, me incentivando. O jogador tem esse papel de trazer o torcedor e as crianças, claro, para próximo do clube. Fiquei feliz ao ver as crianças fazendo gestos que eu fazia, ou imitando um comportamento. Tenho certeza que mais atletas terão essa influência positiva para fazer com que mais camisas do Avaí se perpetuem pela nossa cidade.

Projetos para o futuro

Betão: Não pretendo mudar de direcionamento. Não vou para a área técnica de campo. Gosto de trabalhar com pessoas. Hoje não tenho vontade nenhuma de ser treinador, claro que no futuro não sabemos o que pode acontecer. Pretendo evoluir na área onde estou, fazer mais cursos. Tenho participado de lives de grandes empresas, então tem sido bastante satisfatório.

Parabéns ao Avaí pelos 99 anos de história

Betão: Na verdade eu tenho é que agradecer ao Avaí por ter me aberto as portas. Deixo meus parabéns ao clube. O momento é muito bom, momento de divisor de águas em termos de reestruturação do clube. Parabenizo o Avaí, o torcedor, todos os que ajudaram o Avaí a estar vivendo este momento e mais uma vez expresso minha gratidão ao clube por ter vestido essa camisa com tanto orgulho.

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