Em outubro de 2013, a decisão de Maicon Monteiro, de 31 anos, estava tomada. Com a chegada do primeiro e, até então, único filho, Davi Luiz, o bombeiro comunitário decidiu que faria alguma homenagem para o recém-nascido.
Torcedor fanático do Figueirense, ele conta que a primeira opção de tributo não saiu como ele esperava.
Ao tentar associar Davi ao Figueirense, para que o primeiro documento do filho fosse a carteirinha de sócio do clube, ele se deparou com a burocracia dos cartórios. Então, como forma de manter a homenagem, Maicon decidiu que encararia o trauma de agulhas, adquirido aos 10 anos de idade, e faria uma tatuagem com o nome da criança. Mas o planejamento mudou em cima da hora.
Seguir“Saí de casa para fazer uma homenagem a ele, pois, pelo meu filho, iria superar o trauma e fazer a ‘tattoo’. Faria o nome dele nas costas. Quando cheguei ao estúdio para fazer a tatuagem, o tatuador me perguntou o que eu iria fazer e pensei baixo… já que estava ali e não iria mais desistir, perguntei se ele faria o escudo do Figueirense”, lembra.
“Com todo o amor ao Figueirense, apenas ser sócio, ir a todos os jogos e ter, na época, aproximadamente 20 camisas do ‘Figueira’, pra mim, ainda estava faltando alguma coisa, mas o trauma e pavor das agulhas me impediam de eternizar na pele o amor que tenho pelo clube”. O nascimento do filho foi combustível para que Maicon encarasse o medo.
Reações
Para a esposa Julia Amáblia, que se tornou torcedora do Figueirense após o relacionamento com Maicon, a reação foi de surpresa. O casal se conheceu em 2006, e ele garante que a moça, hoje com 30 anos, era torcedora fanática do Avaí.
Em outubro daquele ano, Maicon lembra que ela o aguardava em casa para ver como tinha ficado o nome do filho, nascido no dia 19, em tatuagem. No entanto, ao ver o escudo do Figueirense estampado nas costas do marido, a situação logo se tornou engraçada.
Maicon, Julia e Davi frequentam o Estádio Orlando Scarpelli juntos – Foto: Maicon Monteiro/Arquivo pessoal/Reprodução/NDPara Maicon, era um sonho realizado e eternizado, como define o próprio. Contudo, ele assume que aguarda para cumprir a promessa do nome do filho. “Estou em dívida com a família, tenho que voltar lá e fazer o nome do menino”.
Davi Luiz, hoje com oito anos de idade, vê a situação com naturalidade e bom humor, como explica o pai. “O meu filho, hoje, é outro apaixonado pelo futebol e pelo Figueira”.
Trauma, homenagem e tradição
“A história da minha tatuagem eu levo como uma loucura, pois eu tenho pavor de agulhas, um trauma que começou ainda quando era criança, em uma fratura que tive no dedo no pé, com 10 anos de idade. De lá pra cá, receber agulhadas pra fazer exames e vacinas sempre foi muito difícil para mim”.
Ao relembrar a história, que completa nove anos em 2022, Maicon considera que, desde o início, a ideia era uma ‘loucura’.
“Eu tentei fazer uma loucura que não deu certo. Queria associar ele logo ao sair da maternidade, só que não consegui, pois ele ainda não estava registrado no cartório. Como ele nasceu em uma maternidade particular, eles apenas entregavam um documento para fazer o registro. Então, como não consegui fazer dessa forma (primeiro registro da criança ser uma carteirinha do Figueirense) deixei passar dois anos para associá-lo, e é sócio até hoje”.