Saiba quem é o fã apaixonado por Zico que trouxe a escola de futebol do ídolo para a Ilha

Ziquista incondicional, ele se converteu ao flamenguismo quando criança, coleciona autógrafos do Galinho de Quintino e chegou a batizar um dos filhos com o nome do jogador

Receba as principais notícias no WhatsApp

Marcelo Neagu, paulista de Santo André, era pequeno quando se tornou fã de Zico, então, um dos ídolos mundiais do futebol. Ao avistar o estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, pela primeira vez, com sete anos, a paixão do menino se completou: vestiu a camisa do Flamengo para sempre.

Em 2014, mudou-se de São Paulo para a Ilha de Santa Catarina, já casado com a manezinha Daiane de Andrade Rosa, rubro-negra e “ziquista” como ele, e com o primeiro filho, Noah, hoje com oito anos. Eles tiveram ainda Arthur, de cinco anos, e Manuela, de dois anos. “Até nisto imitei o Zico, ele também tem três filhos”, brinca Marcelo.

Publicitário, morador do Campeche, lá ele atende clientes de todo Brasil e do exterior com uma empresa de marketing digital, joga futebol (a mulher também) e colabora com a escolinha da Sociedade Esportiva Recreativa Campinas, onde, desde fevereiro deste ano, dirige a primeira franquia da Escola de Futebol Zico 10 na Grande Florianópolis.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Qual paixão despertou primeiro: Zico ou Flamengo?

Sem dúvida, o Zico. Em 1979, ele já despontava como um dos melhores jogadores do mundo, tinha jogado a Copa de 1978 pela Seleção Brasileira e iniciava a sua trajetória como um dos melhores camisas 10 que o Brasil já teve e que o mundo conheceu.

Todas as crianças queriam ser o Zico, um fenômeno que se concretizou e explodiu na década de 1980, quando ganhou vários títulos pelo Flamengo, inclusive Libertadores e Mundial, em 1981, se tornou o camisa 10 da Seleção e jogou as Copas de 1982 (uma das melhores seleções de todos os tempos) e de 1986.

Todas as capas da revista “Placar” tinha o Zico, propaganda de refrigerante Coca-Cola, propaganda do Kichute (o tênis mais desejado pela criançada da época, e tinha que amarrar no tornozelo senão não valia), propaganda de xampu Wella Seleção, matéria constante nos telejornais, em novelas, programas de TV, etc.

Nas férias de final de ano de 1979 para 1980, fui visitar meu tio no Rio de Janeiro. Em uma visita ao Cristo Redentor, ele apontou o estádio do Maracanã. Naquele exato segundo, pensei: “O estádio que o Zico joga”, e virei flamenguista, por causa do Zico.

Como foi o impacto ao entrar no Maracanã pela primeira vez?

Meu pai tinha falecido em 1984 e a minha mãe faleceu em novembro de 1987, com câncer. Fui morar na casa do meu tio, no Rio de Janeiro. No dia 13 de dezembro de 1987, com 14 anos, poucos dias após ter perdido a minha mãe, ele me levou no Maracanã para assistir à final da Copa União, o Campeonato Brasileiro de 1987. Naquela tarde, caiu um temporal, as ruas todas alagadas, meu tio passando com carro pela calçada, fazendo de tudo para chegarmos para o jogo.

Hoje eu entendo o que ele devia estar pensando e porque não desistiu. Foi aí a minha primeira vez no Maracanã, a primeira vez que vi Zico no estádio, minha primeira final, meu primeiro título no estádio. Foi um dia inesquecível. Descobri que poderia voltar a sorrir e sentir felicidade, apesar de tudo que tinha acontecido na minha vida até ali.

Por que dizes que Zico representa o teu ideal de pai?

Meu pai era um português mulherengo, que tinha uma padaria e pouco convivia com a gente em casa. As principais recordações que tenho do meu pai não são legais. Ele faleceu por problemas renais, tinha diabetes e não se cuidava. Na época em que isso tudo acontecia na minha casa, o Zico era um herói da vida real. Ele era pai do Junior, que nasceu em 1977, e do Bruno, que nasceu em 1978. Quando eu o via na TV com a esposa e filhos, eu queria ser filho do Zico (risos).

Zico (à esq.) e o fã, Marcelo Neagu, em 2018, no CFZ (Centro de Futebol Zico), no Rio de Janeiro – Foto: Divulgação/NDZico (à esq.) e o fã, Marcelo Neagu, em 2018, no CFZ (Centro de Futebol Zico), no Rio de Janeiro – Foto: Divulgação/ND

Uma lição deste “pai”…

Quando ele se machucou em 1985, e na TV passava todas as noites todo o esforço pós-cirurgias, toda aquela luta para ele se recuperar e jogar a Copa de 1986, eu rezava, pedindo para Deus curá-lo. Toda aquela luta e esforço deram certo e, mesmo sem condições ideais, ele foi para a Copa. Então, veio mais um aprendizado: ele sai da Copa como vilão pelo pênalti perdido diante da França. Uma injustiça ao meu ver, porque ele entra no jogo no segundo tempo, o primeiro toque na bola deixa Branco na cara do gol e acontece o pênalti. Zico bate, perde, o jogo termina e vamos para disputa dos pênaltis. Lá, o Zico sem medo pega a bola e bate, convertendo a penalidade, mas outros jogadores perdem o pênalti e o Brasil foi eliminado.

No ano seguinte, em 1987, vem a consagração novamente com o Flamengo, sendo campeão brasileiro com Zico. Ali ficou uma lição para mim, que você precisa lutar sempre para vencer os desafios, e, mesmo quando o resultado correto deveria ser a vitória, se vier a derrota, não devemos desistir, porque trabalhando e lutando com honestidade a vitória vai chegar e o reconhecimento do seu trabalho também.

Como reagiste quando Zico foi embora do Brasil?

Em 1983, foi a primeira dor, quando Zico foi jogar na Itália, no Udinese, onde ele é o maior ídolo até hoje. Em sua primeira temporada, marcou 19 gols, sendo vice-artilheiro, e encantou a Europa com as batidas de falta. Era normal os programas esportivos italianos da época discutirem como arrumar a barreira para atrapalhar o Zico. Depois, em 1985, ele voltou para o Flamengo e foi muita alegria. Aí, foi choro de alegria.

No Flamengo, ele jogou até o final do ano de 1989. Em 1991, iniciou o trabalho no Japão, onde ele é reconhecido e homenageado até hoje como um Deus, com estátua, faixa em todos os jogos do Kashima escrito “Spirit of Zico”. Inclusive, atualmente, ele é diretor do Kashima, e está morando mais lá do que no Brasil. O futebol japonês só se desenvolveu e cresceu graças à ida do Zico,  em 1991, onde, para mim, fez o gol mais bonito entre todos, o que ficou conhecido como gol escorpião.

Há um vasto arquivo de informações sobre Zico, Flamengo e futebol na tua memória. Onde garimpas tanta coisa?

Tudo que é do Zico sempre foi minha paixão. Hoje é muito mais fácil ter acesso à informação graças à internet, mas sou da época que se alugava fita VHS na locadora para assistir ao Zico ensinando a jogar bola, ia assistir ao filme dos Trapalhões no cinema e a parte que mais gostava era o Canal 100, que mostrava lances do futebol antes do filme começar, quando mostrava lances do Zico, é claro.

Como morava em São Paulo, era muito difícil acompanhar os jogos do Flamengo, mas eu tinha um rádio com ondas curtas, médias e longas no qual conseguia ouvir rádios do Rio de Janeiro. O sinal ia e voltava, era desesperador quando o Zico ia bater uma falta, o sinal sumia e voltava depois de alguns minutos. Eu não sabia se tinha sido gol, precisava esperar anunciar o placar para comemorar.

Tive na adolescência um grande amigo que hoje é jornalista, o PVC, aquele que tem uma memória de elefante e sabe todas escalações, times, tudo. Aprendi muito da história do futebol e das histórias do Zico com ele. Aos 16 anos, ele já sabia tudo de qualquer time, de qualquer data. Era incrível.

Marcelo exibe dedicatória no livro “Zico – 50 Anos de Futebol”, autografada pelo jogador – Foto: Divulgação/NDMarcelo exibe dedicatória no livro “Zico – 50 Anos de Futebol”, autografada pelo jogador – Foto: Divulgação/ND

És também um colecionador? O que tens guardado?

Sim. Todas as minhas camisas são autografadas pelo Zico; tenho chuteira que joguei com o Zico, em 2013, e depois do jogo ele autografou; livro que ganhei do Zico, autografado; as camisas da minha esposa, dos meus filhos, tudo autografado pelo Zico; meu filho do meio se chama Arthur, em homenagem ao Zico [Arthur Antunes Coimbra].

Tenho o livro que participei, que conta as 23 histórias de amor pelo Galinho, onde conto um pouco dessa paixão, e tenho os vídeos e fotos dos jogos em que joguei com o Zico, dos eventos de homenagem que pude entregar placa para ele, dos jogos preliminares no Maracanã que joguei do Jogo das Estrelas. São muitas recordações.

Depois de 2013, quando o conheci pessoalmente, graças ao projeto do FlaNação, do meu amigo Sandro Rilho, essa minha paixão pelo Zico foi potencializada ainda mais. Se ele já era o meu ídolo dentro e fora de campo, era e é a minha principal influência como homem, marido e pai. Essa proximidade concretizou tudo o que eu achava que ele é, um ser humano fora de série, sem igual.

Chuteira de Marcelo autografa pelo ídolo – Foto: Divulgação/NDChuteira de Marcelo autografa pelo ídolo – Foto: Divulgação/ND

Como conseguiste esta proximidade com ele?

Ele fez uma promoção no Facebook para chegar a um milhão de seguidores e em comemoração ao aniversário de 60 anos. A promoção consistia nos 22 que mais interagissem durante dois meses na página iriam para o Rio de Janeiro, conhecer o Zico e jogar uma partida de futebol com ele.

Parei de trabalhar, parei minha vida e me dediquei só a isso. Consegui ficar em segundo lugar na promoção. Foi um sonho incrível conhecer o meu ídolo, jogar uma partida de futebol com ele, fazer três gols na partida com meu ídolo em campo e dar entrevista. Foi um dia que preciso ver as fotos e vídeos para ter certeza que não foi um sonho.

Depois desse jogo, estive com Zico inúmeras vezes. Estive na casa dele no dia do seu aniversário. Poder dar parabéns para o Zico no dia do aniversário e na casa dele foi inimaginável. Joguei diversas outras peladas no CFZ (Centro de Futebol Zico), no Rio de Janeiro, com ele, nos eventos da FlaNação. Quando ele vem para Santa Catarina e desembarca em Florianópolis, sempre vou ao aeroporto para recebê-lo. Veio a última vez em Jaguaruna, onde tem uma Escola Zico 10, para dar uma palestra. Peguei toda minha família e fui lá para assistir.

Em dezembro de 2016, Marcelo joga sua primeira partida no Maracanã, preliminar do Jogo das Estrelas – Foto: Divulgação/NDEm dezembro de 2016, Marcelo joga sua primeira partida no Maracanã, preliminar do Jogo das Estrelas – Foto: Divulgação/ND

E a emoção de estar junto do ídolo pela primeira vez?

Eu chorei muito. O programa esportivo que estava acompanhando o evento percebeu que eu era chorão, e não tirava a câmera da minha cara. Toda hora a jornalista me fazia uma pergunta para me ver chorar (risos). Foi um dos melhores dias da minha vida. O que vivi ali naqueles minutos, podendo estar em campo com o Zico, foi surreal, não tenho palavras que dimensionem o que eu senti aquele dia.

Esse pessoal que se conheceu graças a essa promoção formou um grupo que chama TopZZico. Temos uma página no Facebook com mais de 100 mil seguidores, onde colocamos diariamente conteúdo do Zico, do passado e do presente. Falamos que somos irmãos em Zico. O TopZZico, com duas letras “Z”, é para representar os 22 primeiros da promoção, quando o grupo iniciou.

Eles me aprontaram uma em 2016, depois de um jogo com o Zico. No evento pós-jogo, o Zico me entregou uma placa e leu a dedicatória em minha homenagem. Foi outro momento indescritível você receber uma homenagem do seu ídolo. O que chorei dava para encher a Lagoa do Peri.

Zico entrega homenagem da fanpage TopZZico a Marcelo – Foto: Divulgação/NDZico entrega homenagem da fanpage TopZZico a Marcelo – Foto: Divulgação/ND

Como te envolveste com a S.E.R. Campinas, no Campeche?

Ao vir morar em Florianópolis, em 2014, eu precisava desesperadamente encontrar um lugar para jogar futebol, que é a minha grande paixão, especialmente futebol de campo. Quando comecei a ver os campos que temos aqui na Grande Florianópolis, quase surtei. Em São Paulo, encontrar campos de times amadores totalmente gramados é muito difícil, a maioria dos campos chamamos de careca, porque só tem gramas dos lados.

Vim morar no Campeche, um bairro que escolhi por estar próximo ao aeroporto, devido à minha necessidade nos primeiros anos de ir e voltar para São Paulo. Foi aí que um amigo daqui, flamenguista e apaixonado pelo Zico como eu, o Rochinha, que já foi técnico de diversos times no futebol amador de Florianópolis, me apresentou na S.E.R. Campinas para o então presidente e hoje meu amigo, Lídio. Passei então a jogar no time Veterano 40 do Campinas e conheci o sensacional projeto da Escolinha Social.

A quem o projeto beneficia?

A Escolinha de Futebol do Campinas atende com aulas aos sábados de manhã meninos e meninas de quatro a 13 anos de idade. São crianças que moram no Campeche, Rio Tavares e outros bairros próximos. É uma escola gratuita, mantida pelos sócios do Campinas há muitos anos. O Campinas existe desde 1955, é um dos principais clubes amadores de Florianópolis.

Marcelo com crianças da Escolinha da S.E.R. Campinas, no Campeche – Foto: Divulgação/NDMarcelo com crianças da Escolinha da S.E.R. Campinas, no Campeche – Foto: Divulgação/ND

Por que trazer a Escola Zico 10 para Florianópolis e no mesmo local?

Comecei a levar meus filhos na Escolinha do S.E.R. Campinas aos sábados. O Noah, com cinco anos, e o Arthur, com três anos. Mas, como era para crianças a partir de sete anos, pedi permissão ao professor Ruan para ficar em um cantinho do campo, brincando com eles de futebol e inventando treinamentos lúdicos que fizessem eles gostarem de futebol como eu. Outros pais vendo eu fazer a atividade com meus filhos perguntavam se os filhos deles menores poderiam brincar junto. A turma foi crescendo até que resolvemos criar uma de quatro a seis anos.

Foi aí que descobri, na época com meus 45 anos, o que eu amo fazer, e passei a fazer parte da Escolinha do Campinas, ajudando os professores Ruan e Jadir. A Escolinha mudou a minha vida. Juntando a paixão de estar em campo com as crianças e pelo Zico, tive a ideia de trazer para Florianópolis a Escola Zico 10, que fica localizada e tem as suas aulas no campo do Campinas.

Vale destacar que este sonho só foi possível de ser concretizado graças ao meu sócio e amigo, professor Rafael Mano, também apaixonado pelo Zico e que tinha o sonho de ter uma escola do Zico. Ele foi fundamental para que pudéssemos trazer a Zico 10, devido a sua formação em educação física e toda a sua experiência de mais de 20 anos.

Marcelo Neagu (à esq.) e Rafael Mano se associaram para abrir a primeira Escola Zico 10 da Grande Florianópolis – Foto: Divulgação/NDMarcelo Neagu (à esq.) e Rafael Mano se associaram para abrir a primeira Escola Zico 10 da Grande Florianópolis – Foto: Divulgação/ND

É uma franquia espalhada por todo o país?

A Escola de Futebol Zico 10 é uma franquia presente em vários Estados, dedicada ao ensino do futebol, utilizando metodologia exclusiva desenvolvida pelo Zico e sua equipe, com técnicas específicas e materiais adequados à idade e ao desenvolvimento motor das crianças.

Nosso principal objetivo é ajudar no desenvolvimento e na formação das crianças, que as aulas possam ser, além da prática de um esporte, um momento de alegria e diversão, proporcionando o desenvolvimento e a transformação humana, gerando mais saúde, mais equilíbrio, agregando valores e sendo um importante instrumento para capacitar pessoas a ingressarem construtivamente na sociedade, dando-lhe subsídios para que possam por si mesmas transformar a sua realidade.

Escola de Futebol Zico 10 recebe crianças a partir dos quatro anos de idade – Foto: Divulgação/NDEscola de Futebol Zico 10 recebe crianças a partir dos quatro anos de idade – Foto: Divulgação/ND

Como é esta metodologia?

Primeiro, reconhecer que cada criança tem suas características próprias. Desta forma, precisamos proporcionar e colaborar com o seu desenvolvimento. As atividades são adequadas a cada faixa de idade. Para os menores, precisamos de forma lúdica e divertida despertar o interesse e a paixão pelo futebol e iniciar com os treinos que criem e desenvolvam a maior habilidade e técnica com a bola. Para as crianças maiores, trabalhamos para potencializar as características individuais, aprimorar a técnica e apresentar os conceitos táticos.

Queremos que da nossa escola saiam grandes craques e que encantem o mundo como o Zico, mas nosso maior compromisso é proporcionar o bem-estar da criança e ajudar na formação dela. Inclusive, quando autorizado pelos pais, fazemos o acompanhamento escolar para sabermos como estão as notas e o comportamento dos nossos alunos.

A unidade de Florianópolis já está operando?

Iniciou as atividades no mês de fevereiro de 2021, quando o professor Rafael Mano coordenou as duas aulas experimentais gratuitas abertas a todas as crianças, com a colaboração e a participação de mais quatro professores, para que pudéssemos apresentar um pouco da metodologia e dos nossos treinamentos. Paralisamos as atividades em virtude deste momento complicado que a cidade vive em relação à pandemia do coronavírus e voltamos no início de abril, sob protocolos de saúde rígidos. As aulas são individualizadas, com uma bola por aluno e sem jogo coletivo.

Quem pode participar?

Meninos e meninas de quatro a 17 anos, com aulas durante a semana, no período da manhã e da tarde. Uma ótima opção de uma atividade no contraturno escolar.

Alunos têm aulas individualizadas – Foto: Divulgação/NDAlunos têm aulas individualizadas – Foto: Divulgação/ND

A Zico 10 também tem um projeto social. Como funciona?

Com a ideia de trazer a Zico 10, nasceu o desejo de acolher crianças de famílias de baixa renda. Criamos o projeto do Anjo 10. Nele, qualquer pessoa física ou jurídica pode apadrinhar uma ou mais crianças. Já temos alguns padrinhos daqui, de São Paulo e do Rio de Janeiro. É uma ótima oportunidade para proporcionarmos a uma criança uma experiência que, com toda certeza, irá refletir em seu futuro.

Torces para mais algum outro time?

Até 1979, eu torcia para a Portuguesa, de São Paulo, por causa do meu pai. Aí, virei Flamengo por causa do Zico. Na Itália, sou Udinese por causa do Zico e, no Japão, sou Kashima por causa do Zico também. Aqui em Florianópolis, sou S.E.R Campinas. Sempre digo que eu torceria para o time que o Zico tivesse jogado. E vou te falar que ser paulista, morando em São Paulo e ser flamenguista não foi fácil. Até hoje tenho de explicar que isso é resultado dessa paixão pelo Zico.

E se um dos teus filhos torcer para um time que não seja o Flamengo?

Esta possibilidade não existe (risos). Com a influência do pai e da mãe, será muito difícil terem outro time. Quando tem jogo do Flamengo durante a semana, e eles dormem antes do final do jogo, no dia seguinte de manhã, já abrem o YouTube para ver os melhores momentos.

Mas, sinceramente, não terá problema se trocarem de time. Claro que espero que não troquem (risos). O principal desejo é se sejam pessoas do bem e que contribuam para termos um mundo melhor amanhã. Nem que esta contribuição seja do tamanho de um grão de areia, ela será importante.

E na Escola Zico 10 não falamos de Flamengo ou de qualquer outro time, é uma escola sem time, ou melhor, uma escola de todos os times.

Marcelo com os filhos, Noah (à esq.), Manuela e Arthur – Foto: Divulgação/NDMarcelo com os filhos, Noah (à esq.), Manuela e Arthur – Foto: Divulgação/ND