A jornada do Avaí/Kindermann no Campeonato Brasileiro Feminino faz com que o único representante catarinense na elite chegue à última rodada com chances de classificação depois de um começo de competição preocupante. Do fundo do poço à redenção com direito a grandes vitórias contra equipes consolidadas e contra as atuais campeãs, as Leoas Caçadoras viraram a chave e emergiram da zona de rebaixamento para uma sequência de cinco vitórias consecutivas que garantiram não só a permanência do time na Série A1, como também manteve vivo o sonho de classificação.
Ávaí/Kindermann embalou com cinco vitórias consecutivas e mantém vivo o sonho da classificação no Brasileirão Feminino – Foto: Divulgação/NDA última rodada acontece na segunda-feira (12) e o desafio é duro. O time comandado pela técnica Carine Bosetti tem pela frente a tradicional equipe da Ferroviária, uma das principais no cenário nacional do futebol feminino, mas a expectativa depois da recuperação é das melhores.
“A equipe vem embalada, nós atingimos o primeiro objetivo que era se manter na Série A, mas desde o início nós sempre falamos em classificação também, até por acreditar no potencial da equipe que foi montada, e por tudo que foi acontecendo ao longo da competição. Pela resiliência, pelas viradas, por tudo que o grupo se dedicou no dia a dia de trabalho e por essa união também”, fala a treinadora.
SeguirA equipe paulista é a terceira colocada com 31 pontos em uma campanha de 10 vitórias, três derrotas e um empate, na última rodada, contra o Cruzeiro. “É um jogo muito difícil, sabemos da qualidade da equipe adversária, mas o grupo trabalhou focado na semana e no que depender de nós, vamos buscar muito o resultado positivo, a vitória, para poder ter a classificação para a próxima fase. Sabemos que hoje não dependemos só das nossas próprias pernas, mas estamos muito focadas para cumprir o nosso papel contra a Ferroviária”, ressaltou Bosetti.
A virada de chave do Avaí/Kindermann
O Avaí/Kindermann é o 10º colocado com 19 pontos, a dois do Cruzeiro, oitavo colocado. A campanha das Leoas Caçadoras, começou a mudar na oitava rodada, antes disso, foram seis derrotas e um empate. Mas, a vitória contra o Grêmio começou a mudar o roteiro do time catarinense na competição.
Depois de vencer as gaúchas, a equipe até tropeçou contra o Real Brasília, mas emendou uma sequência de cinco vitórias nos últimos cinco jogos contra: Atlético-MG, Ceará, Corinthians, Bahia e Athletico, o que manteve o sonho do G-8 vivo. A mudança de chave, destaca a treinadora, veio em dois momentos distintos.
“Contra o Grêmio, quando conquistamos a primeira vitória dentro da competição e também no vestiário do jogo contra o Santos, que foi o sétimo jogo. Ao final do jogo acabamos sofrendo a derrota e nós conversamos bastante. O grupo se fechou naquele momento por um só objetivo, não que isso não tinha antes, mas eu considero um momento marcante onde as meninas acreditaram que era possível a virada de chave e no próximo jogo vencemos o Grêmio. A partir dali foram sete jogos e seis vitórias. Então, acredito que tenham sido esses momentos muito importantes. O grupo se manteve unido e focado naquilo que precisava melhorar para ter os resultados positivos e conseguimos construir isso no dia a dia”, lembra.
Grupo unido e focado para mudar o cenário
O aspecto mental do grupo, salienta a treinadora, foi fundamental para a arrancada que manteve o time na primeira divisão e que ainda torna possível a classificação ao mata-mata. Mesmo sem acompanhamento de um profissional de psicologia no clube devido a limitação de investimento, o trabalho foi realizado durante toda a campanha.
Avaí/Kindermann superou o Atlético-MG e iniciou sequência de cinco vitórias consecutivas – Foto: Daniela Veiga/Atlético/Divulgação/ND“Eu costumo dizer que a parte mental é 70% do trabalho. Em todos os discursos que tivemos, as conversas com elas foi de que precisávamos focar naquilo que nós tínhamos que melhorar e que ao longo do tempo, o trabalho do dia a dia seria coroado com as vitórias. O grupo acreditou muito nisso, se manteve unido nos momentos de muita dificuldade, já que as primeiras rodadas não foram exatamente como nós gostaríamos. O grupo se manteve unido e focado naquilo que tinha que executar e acreditando que com o trabalho, o merecimento e o comprometimento que tínhamos no dia a dia, os resultados positivos iriam acontecer, isso foi natural”, diz.
Reformulado, Avaí/Kindermann entrosou e embalou
O começo de temporada foi desafiador para o time catarinense e o resultado foi o início ruim no Brasileirão, que manteve a equipe na zona de rebaixamento por diversas rodadas. A treinadora salienta que o clube já sabia que teria dificuldade devido à grande reformulação do elenco. Bosetti reforça que, em relação ao grupo da última temporada, a manutenção foi de apenas 30% e, desse total, apenas duas eram titulares em 2022.
Entre as contratações do Avaí/Kindermann para a temporada está a goleira Catalina Pérez – Foto: Avaí Kindermann/Divulgação/ND“Sabíamos que teríamos muita dificuldade para que a equipe encaixasse. Sabíamos que esse tempo seria necessário, mas mesmo com tudo isso fizemos bons jogos, perdemos alguns jogos com diferenças pequenas, algumas com oportunidade de também vencer. Então, sabíamos que o grupo era qualificado e que teria esse poder de reação durante a competição e isso foi acontecendo. A equipe foi encaixando, os resultados foram acontecendo, nós fomos fazendo os ajustes necessários. Em alguns jogos trocas de peças, em outros, a troca de sistema e fomos conseguindo achar a coesão da equipe”, explica.
A treinadora destaca, ainda, o nível técnico da competição, o equilíbrio e o trabalho desenvolvido para que o time mesmo com um início ruim, conseguisse chegar às vésperas do fim da primeira fase, com chances reais de classificação.
“Foram vários momentos que o time soube suportar a pressão e também os momentos de dificuldade para usar isso como combustível para crescer. Acredito que a equipe, classificando, também vai entrar em uma briga boa com as outras equipes, já conhecemos todas, sabemos do nível da competição e também da qualidade que temos. Hoje o grupo está ainda mais forte. Não só fortalecido pela união, mas principalmente por toda essa força mental para se reerguer dentro da competição. Acredito muito no potencial da equipe, sei que vamos para a última rodada, mas temos chance de classificação e é isso que vamos buscar”, finaliza.