Celeiro de sonho e de craques: futebol sete consolida-se também entre as mulheres

No embalo da Copa do Mundo de Futebol Feminino, meninas do Figueirense/PREC destacam-se no piso society e abrem a série de reportagens do ND sobre o futebol feminino

Foto de Diogo de Souza

Diogo de Souza Florianópolis

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Atletas do Fut7 do Figueirense entram treinam toda semana, na quadra do Paula Ramos – Foto Flavio Tin/NDAtletas do Fut7 do Figueirense entram treinam toda semana, na quadra do Paula Ramos – Foto Flavio Tin/ND

O futebol é praticado por 3 bilhões de pessoas em todo o mundo. É, sim, o esporte mais popular e o mais praticado nos quatro cantos do planeta. O futebol society, ou, conhecido também por futebol sete, ajudou a difundir essa marca com a pulverização das quadras a cada centena de metro quadrado. No Brasil, evidentemente, não é diferente. Gradativamente evoluindo, a modalidade disputada sobre o piso artificial já é cogitada, inclusive, para tornar-se uma modalidade olímpica no futuro.

Enquanto isso não acontece, atletas de alto rendimento vão espalhando talento pelos campos do continente elevando o nome (também) de Florianópolis no peito. E o mais fascinante, os protagonistas estão mais preocupados com as gerações futuras do que com eles mesmos.

Se você começou a ler esse texto e pensou nos peladeiros de final de semana, você está certo. Mas também é preciso lembrá-lo que os praticantes não se restringem apenas ao sexo masculino. Em outra latente demonstração de força feminina, o fut7 entre elas ganha corpo e já colhe grandes resultados nacionais e internacionais.

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Um dos principais hospedeiros da modalidade concentra-se em Florianópolis. O Figueirense/PREC é a base da seleção brasileira de fut7. Dois dos pilares do elenco 2019, que ajudaram a equipe a erguer o bicampeonato mundial de clubes, em 2018, chamam a atenção pela qualidade, mas mais que isso, por fazer de tudo para a evolução do esporte “para as futuras gerações”.

Marina Hoher, meia do Figueirense e da seleção, eleita a melhor jogadora de fut7 do mundo em 2018 – Foto Flavio Tin/NDMarina Hoher, meia do Figueirense e da seleção, eleita a melhor jogadora de fut7 do mundo em 2018 – Foto Flavio Tin/ND

“Eu estou fazendo não por mim, mas pela nova geração que vem aí. São meninas novinhas, crescendo, que usam nós e o nosso meio como espelho”, revelou Marina Hoher, 25, meia do Furacão, da seleção brasileira e atual melhor jogadora do mundo.

A disposição é de mais uma amante do futebol que injeta a modalidade desde os cinco anos de idade e, 20 anos depois, preocupa-se não só em colher frutos, mas continuar semeando o terreno.

A curva para o futebol sete foi forçada, curiosamente, por uma das grandes frustrações de toda a vida da atleta. “Fui tentar um sonho em São Paulo, no futebol de campo, mas nada do que foi prometido foi cumprido. Foi bem difícil. Em 2012 voltei para Florianópolis e conheci o futebol sete”, relembrou antes de dizer que não troca a modalidade sete “por nada”.

Izabela Aguiar, 26 anos, é ala do Figueirense e da seleção brasileira. Bel, como é conhecida, é apontada como um dos pilares do sistema defensivo da equipe. Ela é mais um estereótipo apaixonado pelo esporte que viu, no fut7, a chance de manter a chama da modalidade acesa diante de uma dinâmica, no seu entendimento, melhor que o campo e o salão.

A atleta que é natural de Florianópolis e atua no marketing de uma empresa de tecnologia revelou a importância da cobertura e da valorização da Copa do Mundo e fez coro a Marina, ao entender um cuidado e um zelo para as próximas gerações.

“A divulgação acaba puxando o campo, o futebol sete, o futsal, um vai puxando ao outro, é muito importante isso”, explicou Bel.

Izabela Aguiar, a Bel, ala do Figueirense e da seleção brasileira – Foto Flavio Tin/NDIzabela Aguiar, a Bel, ala do Figueirense e da seleção brasileira – Foto Flavio Tin/ND

Futebol de alto nível, sim

Em meio ao preconceito debatido e desconstruído diariamente, reza uma crença popular de que o futebol praticado pelas mulheres é inferior aos homens. Dependendo do critério adotado, até pode ser que sim haja vista a diferença histórica dos gêneros em todas as camadas sociais.

Marina Hoher, do Figueirense e da seleção brasileira – Foto Flavio Tin/NDMarina Hoher, do Figueirense e da seleção brasileira – Foto Flavio Tin/ND

O Figueirense/PREC treina uma vez por semana na quadra do Paula Ramos Esporte Clube, bairro Trindade, e a reportagem teve a oportunidade de acompanhar um treinamento do plantel.

Em um determinado momento a meia Marina recebeu no campo de defesa, se livrou de duas marcadoras e, com um tapa com o lado externo do pé direito, no sentido contrário ao rosto virado para a esquerda – lance popularizado pela genialidade de Ronaldinho Gaúcho – encontrou uma companheira sozinha, de frente para o gol.

Bel, em outro setor do campo e no time adversário, antecipa um contra-ataque, gira pra cima da atleta desarmada e, em um passe, arranca um contra-contra-ataque.

Dois lances captados no treinamento da equipe em preparação aos desafios nacionais e sulamericanos da temporada. Lances que denotam a habilidade e a plasticidade que não diferem gêneros.

“A questão tática no futebol feminino tu consegue ver as jogadas ensaiadas e as jogadoras formatadas. É um futebol mais lento, mas não quer dizer que não seja tão ou mais bonito”, explicou Emerson Prado da Silva, 28, formado em educação física e treinador do Figueirense Fut7.

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