Para as meninas que sonham ser jogadoras de futebol, as atletas da seleção brasileira presentes na copa do mundo feminina, que tem início nesta quinta-feira (20), são um exemplo. Assim como elas, as jovens imaginam um futuro no qual possam trabalhar com a bola nos pés, vestindo o uniforme do time do coração e jogando dentro de um estádio lotado.
Treinadora Jéssica e as alunas na escola de futebol Fair Play Floripa. – Foto: Júlia Venâncio/NDO sonho da profissão, entretanto, não é fácil. Em uma carreira dominada por homens, ser mulher e jogar futebol requer força, persistência e vontade de vencer a hipersexualização e a masculinização em que elas convivem dentro do esporte.
Apenas três em cada 10 mulheres sonham em se tornar atletas profissionais, enquanto entre os homens são seis em 10, diz a pesquisa “Mulheres e Esporte: Um pacto coletivo para uma nova narrativa”, produzida pela Centauro em parceria com a Consumoteca.
SeguirA tendência revela que ter o esporte como fonte de renda, se quer é uma possibilidade para muitas meninas, visto que há falta de incentivos e oportunidades dentro do mercado.
Jogar futebol também é coisa de mulher
Foi a falta de oportunidade para se profissionalizar que Jéssica Ferreira enfrentou durante a sua adolescência. Com poucos clubes femininos e seletivas para jogadoras mulheres, ela decidiu fazer Educação Física na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e se tornou treinadora de meninas na Fair Play, uma escola de futebol para homens e mulheres, localizada no Sul da Ilha de Santa Catarina.
Para ela, a oportunidade de treinar as pequenas jogadoras é um sonho realizado. “É um propósito que tenho na minha vida. Já tive oportunidade de treinar os meninos também, mas com as meninas eu sinto que é o meu lugar. Rola uma identificação”, diz.
Nicoly Meirelles, de 13 anos, é uma das treinadas por Jéssica na escolinha de futebol. A garota, que é goleira do time e tem a jogadora Marta como inspiração, se imagina um dia jogando na Copa do Mundo. “Me interessei pelo esporte por causa da minha mãe, ela jogava futebol e eu também quis”, conta.
Para Jéssica, é uma realização trabalhar com o treinamento das meninas no futebol. – Foto: @treinadorajessica/Instagrm/Divulgação/NDManuela Iwersen, de 9 anos, também copmpartilha do mesmo sonho “porque acha divertido”. A menina começou a ser treinada pela professora Jéssica há 2 meses, após ver que era um time só de mulheres. “Eu fazia aula com os meninos, daí eu descobri aqui que era só com meninas e decidi fazer”, explica.
Quando questionada se torcia para algum time, Manuela respondeu que gostava do Avaí. “Mas eu fui em um jogo e vi que eles jogavam muito mal. Perdeu de dois a zero. Até eu jogo melhor”, diz rindo. Agora a pequena jogadora torce para o Fluminense e o Internacional.
As dificuldades do Leão da Ilha não afetou a paixão de Maria Júlia, de 8 anos, que continua sendo torcedora fanática do time. A pequena jogadora entrou para a escolinha de futebol há um mês, mas sua mãe, Juliana de Moura, de 38 anos, garante que ela não perde um treino.
“Ela se encantou quando viu o irmãozinho dela jogando, gostou e pediu para o pai dela se podia jogar também”, diz Juliana.
“Podemos fazer tudo que a gente quiser”
Por trabalhar em uma empresa de tecnologia da informação, Juliana reconhece a dificuldade de atuar em uma profissão majoritariamente masculina. Porém, acredita na importância da representatividade feminina nos espaços. Emocionada, ela fala sobre a escolha da filha de praticar o esporte.
“Acho que mulher não tem que ter rótulos. Podemos fazer tudo que a gente quiser. Podemos ocupar qualquer posição e jogar futebol é só mais uma delas. Me orgulho muito da Maria Júlia, mesmo vendo os outros meninos jogando, ela se sente super bem, ama jogar futebol e quer sempre estar melhorando”, disse.
Majú e a sua mãe Juliana. – Foto: Arquivo pessoal/NDContudo, a representação da mulher no futebol feminino continua sendo um desafio. A pesquisa “Mulheres e Esporte: Um pacto coletivo para uma nova narrativa”, mostrou que a relação à imagem do corpo é um dos maiores problemas das mulheres dentro do esporte.
Segundo o estudo, para 20% das entrevistadas, a hipersexualização é o maior desafio enfrentado pelas mulheres, enquanto 42% da população enxerga que as atletas de futebol feminino são excessivamente masculinizadas.
O sonho que se tornou realidade
Para Rafaela Robson, de 14 anos, o sonho está prestes a se tornar realidade. Torcedora do Grêmio desde pequena, a menina foi aluna da escola de futebol Club Sport Marítimo de Florianópolis e passou na seletiva para jogar na base do time do coração ainda este ano. Para ela, não existe outra profissão que deseja seguir.
“É o que eu quero para mim e treino todos os dias e me esforço para conseguir. Agora avancei um grande passo, que foi entrar para o time do Grêmio”, complementa.
Seletiva ocorre neste sábado
Florianópolis recebe neste sábado (22) e domingo (23), na escola de futebol da Fair Play, a seleção de meninas, entre 10 a 17 anos, para o São Paulo Futebol Clube.
Para participar basta preencher o formulário disponibilizado pela Fair Play e levar os documentos necessários. Mais informações estão disponíveis no Instagram da escola.
Serviço:
O que: Seletiva de meninas entre 10 a 17 anos para jogar no São Paulo Futebol Clube
Quando: Sábado (22) e domingo (23)
Onde: Escola de Futebol da Fair Play – R. Saul Oliveira, 438 – Carianos, Florianópolis