A inundação no Rio Grande do Sul paralizou o futebol e prejudicou a vida de milhares de cidadãos, entre eles jogadores de futebol. Itaqui, atleta do Monsoon FC, que joga a segunda divisão do Gaúchão, relatou um drama familiar.
TCE/SC fez levantamento de municípios catarinenses que estão em áreas de risco de desastres naturais, como enchentes e deslizamentos de terra – Foto: BRDE/Divulgação/NDENCHENTES NO RS
O atleta contou que conseguiu tirar a esposa e filhos de casa, que fica na cidade de Gravataí, tentou salvar o carro e pertences pessoais, deixando em locais mais altos da cidade, chegou a levantar móveis para tentar salvá-los, no entanto a enchente chegou a um nível inimaginável.
– Tirei minha esposa e filho e voltei para casa. Fiquei lá e não dormi na madrugada. 4h da manhã a água se aproximou em uma velocidade muito rápida. Como precaução, tirei meu carro e as coisas do meu filho de 7 anos, roupas, medalhas, e levei para um bairro mais alto – disse, em entrevista ao site “Lance”.
Seguir– Voltei com o intuito de levantar algumas coisas. Subi tudo que dava, geladeira, móveis. Por volta de 7h a água estava na cintura. A casa está submersa a dias, a água ainda está tocando no teto. O cenário é muito feio – concluiu.
O jogador lamentou ter perdido os bens materiais, mas diz que está feliz por toda a família ter sobrevivido.
– O que tem valor nós conseguimos salvar, as nossas vidas. Nós estamos juntos e com saúde. Graças a Deus não perdemos ninguém. O povo gaúcho tem se reconstruído como irmãos, e isso se estende ao Brasil. Agradecer as pessoas que têm nos ligado e oferecido apoio. Nossa ideia é nos colocar de pé logo e nos tornarmos voluntários. É uma reconstrução para bastante tempo – comentou.
NÚMEROS DA TRAGÉDIA
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul soltou boletim informativo nesta quinta-feira com os números da tragédia: até aqui são 107 mortos confirmados em 41 municípios, sendo Cruzeiro do Sul a cidade com mais mortos, oito no total.
O estado registra ainda 136 desaparecidos e 374 feridos. A estimativa é que 232,1 mil pessoas estão fora de casa, 67.542 pessoas ocupam abrigos e 164.583 estão desalojados. Dos 497 municípios gaúchos, 425 relataram algum tipo de problema, com 1,476 milhão de pessoas afetadas.