Gabriel dos Santos Magalhães, ou Gabriel Magalhães, ou apenas “Biel”. Não importa. Aos 22 anos, o zagueiro revelado pelo Avaí (já) é ídolo em um dos maiores clubes do planeta, o Arsenal-ING. Mais que os méritos do canhoto e paulista, está no trabalho desenvolvido no Sul da Ilha que vê uma “cria da casa” como modelo ideal, além de incontáveis milhões no cofre.
Gabriel Magalhães já tem um gol com a camisa dos “Gunners”; atleta foi eleito o melhor jogador do clube no mês de setembro. – Foto: Arsenal FC/divulgaçãoÉ o molde perfeito ou, nesse caso, quase: ascender um atleta das categorias de base, preparar para que dê o retorno técnico e financeiro ao clube.
Gabriel Magalhães, nesse momento, é o grande expoente do Leão da Ilha. Passou pelo sub-17, sub-20 e profissional do Avaí onde, em 2016, ao disputar 39 jogos e anotar dois gols, ajudou o clube, entre outras coisas, a conquistar um acesso à Série A do brasileiro.
SeguirHoje, na história do clube, ocupa as duas primeiras posições no que diz respeito ao mercado de transferências: em sua saída para o futebol da França, ao final da temporada 2016, quando foi vendido por cerca de €3 milhões; além da transferência do atleta para o Arsenal, no meio da temporada 2020 – início da temporada na Inglaterra.
Com cláusula de confidencialidade, o valor de direito ao clube não é revelado, mas estima-se uma cifra ao redor de R$ 30 milhões, somente para o Leão. O Arsenal pagou, ao Lille, incríveis € 26 milhões.
Atualmente, segundo dados do portal Transfermarket, Biel, distribuído em 1,90m, está custando € 28 milhões.
“É uma prática que a gente tem adotado no clube já, há alguns anos. Teve o Gabriel, mas também temos dezenas de atletas que vem dando esse retorno para o Avaí. Uns performam aqui e dão retorno técnico, outros não, mas todos deixam um retorno financeiro”, explicou Diogo Fernandes, atualmente coordenador de futebol no clube mas que passou pela coordenação das categorias de base.
Fábio Sanches comemora com Gabriel gol sobre o Bragantino – Foto: Jamira Furlani/Divulgação Avaí FCHá anos o profissional colabora nesse projeto implantado na Ressacada, sobretudo, na segunda metade da década.
Diogo, apesar de reconhecer sua importância em toda essa engrenagem, faz questão de dividir o mérito com os demais profissionais do clube que vão desde os técnicos da base, como integrantes do clube que vem desde a nutrição bem como o trabalho psicológico dos atletas.
Alto, magro e com capacidade de aprendizagem
A reportagem do nd+ conversou com técnicos e ex-companheiros de Gabriel Magalhães, sobretudo, na época de Avaí. A definição de todos os ouvidos foi unânime: atleta alto, canhoto e de capacidade e vontade de aprender.
Zagueiro Gabriel foi um dos destaques do Avaí no Catarinense; DNA azurra na Premier League – Foto: André Palma Ribeiro/AvaíForam alguns dos atributos que, conforme apurado, foram cruciais para que o atleta chegasse onde chegou. Teve uma correção, pelo menos, que tem o DNA azurra: a virilidade.
“Eu fui trabalhar com ele em 2014, chamava a atenção também pela boa impulsão, um jogador clássico, mas que não era muito viril. Eu cobrava bastante isso dele. Como eu fui zagueiro, eu cobrava para que ele fosse mais incisivo”, contou o técnico Fabrício Bento, atualmente técnico da sub-20 e que está no Sul da Ilha desde 2013.
O relato foi corroborado por Fabio Batista da Cunha, o Fabinho, 48 anos, que é treinador de base desde 2002. De volta ao Leão depois de uma passagem pela Chapecoense, Fabinho trabalhou nas canteras azurras até 2016, tempo suficiente para conhecer e trabalhar com Gabriel.
“Um menino muito dedicado, que sempre procurou evoluir e teve duas pessoas muito importantes para formar seu futebol: os zagueiros Emerson Nunes e Fabrício Bento, como zagueiros eles ajudaram muito o Gabriel”, explicou Fabinho.
Tanto para Fabrício quanto para Fabinho, no entanto, Gabriel dava mostras de que teria um grande futuro pela frente.
“Falar verdade a gente fica surpreso pelos valores envolvidos [nas negociações de Gabriel tanto para França, como para a Inglaterra], mas a gente sabia. Era um jogador diferente, que gente vê. Ele tem um perfil clássico também, alto, magro, forte. É um jogador de seleção”, acrescentou Fabricio Bento.
Duelo azurra na Premier League
No próximo dia 22 de novembro, o calendário da Premier League, a principal liga de futebol de clubes do mundo, prevê o duelo entre Leeds United x Arsenal, no estádio Elland Road, na cidade de Leeds.
Mapa de calor do zagueiro Gabriel, pelo Arsenal; média (alta) do atleta que já é ídolo em Londres- Foto: Sofascore/divulgaçãoA coincidência estará, para os azurras, em lados opostos: enquanto Gabriel certamente estará na defesa dos “Gunners”, do outro lado, o atacante Raphinha será a opção do folclórico técnico Marcelo Bielsa.
Raphinha, para quem não lembra, é outro produto da base do Avaí que, embora não tenha passado pelo profissional, deixou marca na base do Avaí.
Raphinha, juntamente com Gabriel Magalhães, realizou uma campanha digna na Taça São Paulo de Juniores no ano de 2015. Na ocasião o atacante, que é natural de Porto Alegre (RS), foi negociado com o futebol de Portugal logo depois de ser visto e admirado pelo luso-brasileiro Deco, estrela internacional de década passada.
Raphinha, que foi contratado pelo Leeds por €17 milhões (cerca de R$110) junto ao Rennes-FRA, foi outro a “respingar” significativa quantia nos cofres azurras. Pelo mecanismo de solidariedade da FIFA estima-se que o Leão tenha a receber cerca de R$5 milhões.
Para o técnico Fabinho, o atacante, além de sua evolução como jogador que galgou seu espaço em três ligas diferentes da Europa, a sua grande marca fora a “personalidade”.
“Foi um menino visto em um amistoso, ele tinha uma personalidade muito grande, mesmo sendo bem novo. Tinha facilidade para jogar onde fosse”, relembrou.
Resenha na base
Quem lembra com carinho de ambos, e admite manter o contato, é o atacante Vinícius Baiano, atualmente no Caxias-RS. Vinícius, que também é da base do Leão da Ilha, recorda a qualidade dos dois atletas surgidos na base do Avaí:
Raphinha, Vinícius Baiano e Gabriel, da esquerda para a direita; base do Avaí gera frutos – Foto: Arquivo pessoal/ND/divulgação“Raphinha menino com muita qualidade, muito trabalhador, rápido. Eu achei que ele ia jogar no profissional do Avaí, mas foi negociado com o futebol de Portugal depois de jogar muito na Taça São Paulo”, relembrou Vinicius.
O atacante, que chegou atuar em uma oportunidade pelo profissional do Avaí, estreia do catarinense no ano de 2017, conta que com Gabriel, atualmente tem uma amizade “raiz”.
“Pô, Gabriel menino brincalhão, gosta de uma resenha, tenho contato com ele até hoje, trabalhador, menino humilde”, contou Vinicius que ainda disse que o zagueiro do Arsenal, ajuda ele em um projeto de futebol em Salvador (BA), em uma zona periférica da capital baiana.
Premier League Brasil
Para um dos editores da página PL Brasil, o maior veículo especializado da Premier League no País, João Vitor Salla, 22 anos, Gabriel é “sem sombra de dúvida” a principal contratação do Arsenal na última janela.
“O brasileiro chegou para resolver o setor mais problemático de Mikel Arteta e está dando conta do recado. A chegada dele nos Gunners foi impactante ao ponto de sua presença não elevar apenas o nível da defesa do time, mas também dos seus companheiros de elenco”, argumentou.
João Vitor justificou sua análise no prêmio angariado pelo atleta que foi eleito o melhor jogador do Arsenal no mês de setembro.
O editor do portal, ao chancelar o tamanho do mérito de Gabriel, lembrou ainda a rápida adaptação do zagueiro.
“É muito difícil ver um atleta dessa idade, vindo de uma liga inferior, apresentar os recursos e, principalmente, a bola que o Gabriel está jogando”, contou.
Raphinha
Já o atacante vive uma situação considerada “normal”, sobretudo, em uma liga tão nivelada como a inglesa: busca sua adaptação no elenco do Leeds.
Apesar de ter sido uma indicação do técnico Marcelo Bielsa, Raphinha ainda está atrás do seu espaço.
“Raphinha ainda busca uma regularidade no Leeds, mas isso é um processo. É um trâmite normal. O Bielsa nunca usa um jogador recém-contratado logo de cara. Com ele, o jogador precisa de um tempo para se adaptar e entender a metodologia proposta, por ser um tanto diferente”.
Mapa de calor de Raphinha que, como a imagem salienta, foram três jogos – ou 60 minutos – e atuação pelos dois lados do campo – Foto: SofaScore/divulgaçãoO atacante, aos 23 anos, fez três jogos com a camisa do Leeds até aqui. Canhoto de preferência, Raphinha ainda persegue seu primeiro gol.
Olho neles
A produção azurra não se limita ao que já passou. Pelo contrário, o clube, como salientado, vem desde 2010 investindo cada vez mais em seu patrimônio.
Se por um lado temos os exemplos de Gabriel e Rapinha na Premier League, tem nomes mais íntimos dos torcedores azurras. Romulo e Getúlio, por exemplo, são crias da casa reveladas e mantidas dando resultado técnico ao clube.
Guga, o lateral-direito, talvez seja uma revelação nacional da posição. O atleta, que atualmente defende o Atlético-MG, já soma passagem pela seleção brasileira e frequentemente é ventilado no mercado europeu.
A “nova” realidade do Avaí é o centroavante Jô, que disputa o brasileirão de aspirantes e já soma cinco gols. Com passagens tímidas pelo futebol profissional, o jogador vira mais uma esperança para o futuro próximo do clube.
Jô, que vem empilhando gols no Brasileirão de Aspirantes, é mais um destaque da base do Leão – Foto: André Palma Ribeiro/Avaí FCQuestionado pela reportagem, o técnico da sub-20, Fabricio Bento, apontou alguns nomes que já são encarados como “xodós” das categorias de base: o zagueiro Arthur e o atacante Thiaguinho.
O segundo, inclusive, já vem ganhando oportunidades e destaque em treinamentos com o profissional. Pode ser uma surpresa do técnico Geninho, a qualquer momento.
*Material atualizado às 19h desta quarta-feira (11)