Jogadores que defenderam o JEC no Estadual denunciam atraso no pagamento das rescisões

Em recuperação judicial e eliminado na primeira fase do Campeonato Catarinense, JEC fez acordos de rescisão com atletas, no entanto, tem atrasado os pagamentos

Foto de Drika Evarini

Drika Evarini Joinville

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Que a situação financeira do JEC é delicada, não é nenhuma novidade. Com dívidas na casa dos R$ 40 milhões, o clube entrou em recuperação judicial e ainda negocia os valores tributários que também atrasaram ao longo dos anos, mas além de tudo isso, o time não honrou os compromissos com o elenco que disputou o Campeonato Catarinense, o que pode acarretar em um problema ainda maior.

JEC não honrou acordos feitos com jogadoresBase tricolor sofreu mudanças, mas antes foi alvo de denúncia – Foto: Arquivo/JEC/Divulgação/ND

Vários jogadores que fizeram parte da campanha relataram atrasos nos pagamentos dos acordos feitos nas rescisões contratuais. Os atletas preferiram não se identificar, mas os depoimentos são muito semelhantes, com o mesmo modus operandi, mudando apenas os detalhes contratuais, os valores a receber, quantidade de parcelas e tempo de atraso.

A reclamação vem de um grupo grande de jogadores que quase totalizam o elenco que estava no clube até março, quando o time foi eliminado na primeira fase do Estadual. “É uma situação complicada, fomos pela oportunidade de defender o JEC, que é um time grande, que abre portas. Não conseguir a classificação foi consequência, é uma coisa do futebol, mas isso não dá o direito de não cumprir com o que foi acordado”, ressalta um dos atletas.

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Segundo os relatos, com a eliminação na primeira fase, a diretoria entrou em acordo com vários atletas para parcelamento dos valores devidos até o fim do contrato e da rescisão, antecipada com a falta de calendário. Em outros casos, os atletas não aceitaram os acordos e cumpriram os contratos que terminavam entre meados de abril e maio.

Os jogadores que aceitaram acordo receberiam os valores parcelados, no entanto, o acordo não foi cumprido, contam os atletas. “No meu caso eles me devem o salário de março e abril, e também os acertos de 13º e de férias”, revelou outro atleta. Ele aceitou o acordo proposto pelo clube de dividir o valor em várias parcelas, no entanto, recebeu apenas um terço do valor total da primeira parcela e além do valor para completar a primeira, a terceira parcela está em vias de vencer. “E o pior é que eles nem respondem mais as mensagens”, complementa.

Um dos atletas, que estava emprestado ao Tricolor, também não recebeu os valores que eram de responsabilidade do JEC. O jogador não aceitou o acordo de rescisão antecipada e cumpriu o contrato até o fim. Com o encerramento, o clube fez três propostas diferentes com abatimento de parte dos valores devidos e parcelamento, mas o atleta não aceitou.

“Tenho um valor considerável e eu ainda estava abrindo mão de uma parte. Eu acho que seria pior se os atletas entrassem com uma ação coletiva ou se cada um entrar individual. Ninguém dá um parecer e nós estamos vendo que já estão contratando e essa situação? Dar um parecer nada, eles fizeram um compromisso. Alguns já pensam em acionar o clube dessa forma e eu vou tentar mais uma vez, vou fazer uma ação extrajudicial para mandar para o clube, caso não aconteça de chegar a um acordo vou partir para outras situações”, diz.

JEC pode ser impedido de inscrever atletas caso jogador acione CNRD

Entre as “situações” citadas pelo jogador está o acionamento na CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas), órgão da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) que media conflitos trabalhistas. Como sanção, o JEC pode até mesmo ser impedido de inscrever atletas, lembrando que o time está às vésperas da Copa Santa Catarina.

“Todos nós entendemos a situação do clube, chegamos lá e foi prometido que os salários não seriam atrasados, começaram a falar que pela eliminação caiu a renda, mas tem que cumprir o que foi prometido com os atletas anteriores, não adianta ficar jogando para frente porque o time está nessa situação justamente por isso. Parece que pra eles é muito fácil jogar na recuperação judicial”, salienta um dos atletas.

“Todos estão querendo resolver amigavelmente,  mas como eles não estão dando mais satisfação começamos a pensar em fazer uma ação coletiva”, diz outro.

Procurado, o JEC não negou os atrasos e as dívidas com o último grupo de atletas. “Estão em andamento os pagamentos, não estão concluídos. Do valor total das rescisões, o clube pagou 54% e vamos concluir os demais pagamentos de acordo com o fluxo de caixa do clube. Estamos fazendo o máximo possível para encaixar o fluxo e finalizar os valores que estão em aberto”, afirmou o clube.

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