‘Joinville me deu muito mais do que eu para a cidade’, diz Nardela, homenageado com honraria

Maior ídolo da história do JEC, Nardela recebeu a Medalha do Mérito Princesa Dona Francisca na noite de quinta-feira (16)

Foto de Drika Evarini

Drika Evarini Joinville

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Uma vida inteira em Joinville e maior ídolo da história do JEC, o piracicabano Reinaldo Antônio Baldessin disputou 680 jogos, marcou 130 gols e conquistou sete títulos com a camisa tricolor.

Nardela recebeu a Medalha do Mérito Princesa Dona Francisca – Foto: JEC/Divulgação/NDNardela recebeu a Medalha do Mérito Princesa Dona Francisca – Foto: JEC/Divulgação/ND

Aos 65 anos, Nardela tem seu nome cravado futebol catarinense, no JEC, em Joinville, que escolheu para chamar de lar depois de tudo que construiu com a camisa preta, branca e vermelha, mas também pelo que construiu com a cidade.

E essa relação de mais de quatro décadas foi reconhecida pelo município. Nardela recebeu, na noite de quinta-feira (16), a Medalha do Mérito Princesa Dona Francisca, a maior honraria de Joinville. O sentimento pela cidade, pelos moradores, torcedores e pelo JEC emociona o eterno camisa 8.

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“É uma história escrita por Deus, não por mim, porque se dependesse de mim não iria acontecer nada disso. Naquele momento, naquela época não era minha vontade vir para cá, mas aconteceu e eu só tenho a agradecer. A cidade de Joinville me deu muito mais do que eu ofereci para a cidade, representa a minha existência, a minha vivência como pessoa”, diz.

“Joinville faz parte da minha vida agora, até faltam palavras para dizer o que representa, ela me propiciou muitas coisas como profissional, como pessoa, como ser humano, na vida espiritual, tudo aqui foi construído nessa cidade. Era aqui que eu deveria estar e foi isso que aconteceu, Joinville é tudo pra mim, me alegro de estar aqui, quero aqui finalizar minha vida junto das pessoas queridas, dessa cidade, dos torcedores e do JEC”, fala emocionado.

A história de Nardela em Joinville tem o JEC como protagonisa. O clube tinha apenas quatro anos quando o meio-campista desembarcou na cidade. E o início da relação não foi exatamente um conto de fadas, ao menos em partes. Nardela não tinha como meta de vida profissional vir para o futebol catarinense e não esconde que o Tricolor não era seu destino dos sonhos. Mas, depois que o destino e, por que não, os deuses do futebol, fizeram o camisa 8 chegar, ele chegou para ficar.

“Nunca escondo que não queria vir pra Joinville, não era meu desejo na época, profissionalmente eu achava que não era interessante, mas vim com um propósito. E assim eu pude participar daquele momento de auge do clube, já no início da sua existência, o JEC tinha 4 anos quando cheguei em agosto de 1980. Imaginava ficar pouco tempo, mas aqui fiquei, aqui joguei e fui construindo essa história toda”, revela.

“Houve uma identificação muito grande minha com o clube, por todo o momento glorioso, as coisas foram crescendo, fomos tendo um vínculo cada vez maior com a cidade, não só com o clube, mas com a cidade, com os torcedores, com as pessoas, amigos. Hoje eu me considero mais um joinvilense do que um piracicabano, porque eu estou aqui há 43 anos, certamente me considero um joinvilense. E muito feliz por isso, pelo carinho que eu sempre recebi das pessoas aqui. Confesso que até me espanta pelo fato de as pessoas até hoje lembrarem e me tratarem com tanto respeito, com tanta estima”, lembra.

Não é à toa que Nardela é o maior ídolo da história do JEC. Apesar de o clube já ter conquistado o bicampeonato quando ele chegou, foi com o camisa 8 comandando o meio campo que o time viveu seus momentos de maior glória, chegou ao octacampeonato e fez a torcida se apaixonar ainda mais por um clube que sequer chegou a engatinhar, saiu logo correndo com as taças na mão. A memória é infalível para lembrar de cada um desses momentos.

Nardela marcou um gol e conquistou título após precisar de atendimento e voltar ao campo com a cabeça enfaixada – Foto: Arquivo históricoNardela marcou um gol e conquistou título após precisar de atendimento e voltar ao campo com a cabeça enfaixada – Foto: Arquivo histórico

“Lembro, até uma curiosidade, dos sete títulos que eu participei, seis foram fora de casa. Só um que foi em 1980 e inclusive acabou sendo decidido em janeiro de 1981 é que foi aqui em Joinville. Nós ganhávamos e quando retornávamos para a cidade após o jogo, às vezes tarde da noite, os torcedores estavam nos esperando e depois até às vezes carro do corpo de bombeiro nos levando pela cidade, são coisas marcantes demais. O de 1987 foi muito marcante. Machuquei a cabeça, aí voltei com ela enfaixada e nós ganhamos aquele título e eu fiz um gol, então marcou muito. Fico até espantado às vezes, as pessoas ‘obrigado pelas alegrias que você trouxe para nós’, são coisas que não tem preço na nossa vida”, recorda.

São mais de seis décadas de vida, quatro delas em Joinville e a maior parte dedicada ao JEC. Homenageado, Nardela conquistou os corações dos torcedores, mas também dos joinvilenses, que o elegeram como vereador três vezes. O piracicabano virou joinvilense e é aqui que ele quer ficar e realizar sonhos.

“O meu sonho seria ver o JEC novamente conquistando títulos, em outra situação, vivendo dias melhores, sendo um clube vencedor como nasceu, como diz o hino, esse é um desejo que gostaria de ver cumprido, como torcedor. Sonho também em viver nessa cidade até meus últimos dias. São coisas simples, não quero muito mais que isso, mas quero estar junto, contribuindo no que for possível e buscando viver novas alegrias principalmente com o nosso JEC”, finaliza.

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