Júlio Heerdt: Em meio a tantas decepções (e derrotas), uma virtude do jovem presidente do Avaí

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Que o futebol do Avaí não deu certo nesta temporada de 2022, isso até aquele casal de quero-quero que dá belos rasantes e põe seus ovinhos no gramado da Ressacada, já sabe.  De fato, em todas as competições que o time azurra entrou em campo, apenas resultados decepcionantes foram colhidos. Dá até para e ousar e afirmar sem nenhuma dúvida: é o pior ano de resultados das últimas décadas: apenas 10 vitórias; contando o campeonato catarinense, Recopa, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro da Série A. Vamos lá, indo direto ao ponto: uma vergonha, um vexame.

Júlio Heerdt: Derrotas sem achar culpados e inimigos “imaginários”. – Foto: Fabiano Rateke/AvaíFC/NDJúlio Heerdt: Derrotas sem achar culpados e inimigos “imaginários”. – Foto: Fabiano Rateke/AvaíFC/ND

A grande frustração do torcedor do Avaí que acreditou, compareceu ao estádio para apoiar a equipe e se associou ao clube, é fruto exatamente em ter acreditado na promessa da nova gestão de que o futebol seria tratado com profissionalismo, métodos inovadores e uso da tecnologia para contratar jogadores para o elenco. É aquela história, a proporção da expectativa reflete no tamanho da decepção.

Na prática, o que se viu foram métodos batidos no Sul da Ilha: contratação de qualidade duvidosa, instabilidade com a chegada e saída de diretores de futebol, treinadores, preparadores físicos e jogadores. E assim como em anos anteriores, um  ex-jogador assumiu o time para fechar a temporada. Ou melhor, dois ex-atletas.  Alguém aí lembrou do Evando, também em um rebaixamento de brasileiro?

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Nesse clima de “filme já visto” só faltou mesmo o presidente Júlio Heerdt catar um calção no vestiário, pegar aquela camisa apertada que pertenceu ao volante Régis e entrar no gramado para treinar a equipe. Sim, isso já aconteceu na Ressacada, com o saudoso Nilson Fidélis, o Pico, presidente campeão estadual de 1988. Lembrei desse fato pitoresco, só para reforçar que o “Avaí faz coisa” precisa ocorrer com trabalho e com resultados positivos e não com esses folclores em torno do clube, que no fim fazem mais a festa dos adversários do que com a própria torcida do Leão da Ilha.

E nesse primeiro ano de aprendizado para o a atual gestão do presidente Júlio Heerdt e do seu vice, Bruno Comicholli, chegamos a parte do sincero elogio para o mandatário do Avaí. Esclareço para o torcedor que teve a paciência de chegar até aqui, após mal traçadas linhas. No mesmo dia que em publiquei o comentário “O fim da temporada do Avaí me lembrou um poema de Carlos Drummond de Andrade; e, agora? ” no qual faço uma analogia do poema de Carlos Drummond de Andrade “E agora, José?” com o atual momento do clube, um editorial publicado no Jornal ND, onde assino a coluna diária, questiona o momento ruim do futebol de Santa Catarina nesta temporada.

Pois foi com esse editorial, onde é citado os valores milionários que recebem os maiores clubes do Brasil, numa enorme disparidade que recebe o Avaí, que o presidente Júlio Heerdt enviou para a coluna a sua resposta: “E agora, José? Te respondo, muito trabalho! ”.

O leitor conseguiu perceber o que este apenas esforçado jornalista percebeu? Exatamente isso, em meio a tantos erros, em meio a tantos resultados ruins, o gestor Júlio Heerdt em nenhum momento de pressão se fez de vítima do processo, da imprensa, da torcida, da “oposição raivosa”, de inimigos “imaginários e reais” e de ninguém.

Tem aceitado as críticas com altivez e serenidade; tem explanado que vai trabalhar para que os erros sejam corrigidos e as mudanças de rotas realizadas. Sabe onde se meteu e quer buscar soluções. Baseado nessa virtude e amparado na perseverança, o torcedor recebe a mensagem que o ano do centenário pode ser diferente para o Avaí Futebol Clube.

Mas desde já, presidente Júlio Heerdt, o Avaí precisa parar de uma espécie de assistência social de amigos e coleguinhas  (98% da torcida entendeu e sabe do que estou falando, é a voz das arquibancadas, do bar do Alemão, da Toca do Leão…) e virar de fato, uma equipe de futebol qualificada e com os resultados eficientes cobrados. Mas isso é assunto para outro comentário.