Maria do Léo, Maria Nunes ou Maria da Juvelina, tanto faz. São 90 anos de lutas e alegrias

Maria do Léo completou 90 anos no último dia 24 de setembro com muita lucidez. Avaiana, para a tristeza do marido e dos filhos, recebeu a camisa do Leão da Ilha e agradeceu pelo presente.

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Dona Maria do Léo, é uma daquelas pessoas cativante do bairro do João Paulo. E muito amiga da nossa família. Minha falecida vó Tiloca, era sua companheira e amiga próxima na luta pela educação dos filhos e pela sobrevivência. Mesmo com muitas dificuldades, elas nunca abriram mão da dignidade e do respeito ao próximo.  Por isso, a imagem da Maria do Léo é lembrança muito forte da infância deste colunista. Seus filhos, eram nossos amigos. Nas festas de aniversários, éramos  uma única família. Sem preconceito, sem distinção e pautados apenas no amor. Olha este colunista ali na foto de camisa amarela numa reunião familiar com a presença da Maria do Léo sendo abraçadas por duas tias.

Na foto, dona Maria em uma reunião da nossa família no João Paulo, nos anos 1970. Este colunista é o menino de camisa amarela. – Foto: Acervo família Machado/NDNa foto, dona Maria em uma reunião da nossa família no João Paulo, nos anos 1970. Este colunista é o menino de camisa amarela. – Foto: Acervo família Machado/ND

No último dia 24 de setembro ela completou 90 anos. E por merecimento, ela foi alvo de muitas homenagens e de mensagens de carinho.

Maria do Léo com a camisa do Avaí enviada pelo presidente Battistotti ao lado de Carlos Alberto Ferreira, diretor de comunicação do clube – Foto: Irineu José Nunes/fcb/NDMaria do Léo com a camisa do Avaí enviada pelo presidente Battistotti ao lado de Carlos Alberto Ferreira, diretor de comunicação do clube – Foto: Irineu José Nunes/fcb/ND

Vera Brito, irmã do jornalista descreve esse momento.

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“Maria Nunes; para o povo de Canasvieiras Maria da Juvelina, para o povo do João Paulo e demais Maria do Léo.
Completou em 24 de setembro 90 anos com muita lucidez, alegria, levando amor e orações a todos, tomando sua caipirinha e cervejinha gelada. Escola de Samba em Floripa: Copa Lord, no Rio de Janeiro: Mangueira. Marido sempre apaixonado por ela, quatro filhos formados, educados, muito admirados exercendo trabalhos relevantes.
A sua casa é onde toda a Família e amigos estão sempre reunidos com muita alegria e amor. Noras queridas e cinco netas exemplares.
Deus continue a te abençoar, Maria do meu coração, em nome de Jesus de Nazaré”, diz Vera Brito”.

Maria do Léo. Aos 90 anos de idade, um exemplo de vida. – Foto: Acervo família/NDMaria do Léo. Aos 90 anos de idade, um exemplo de vida. – Foto: Acervo família/ND

Seu irmão, o jornalista Paulo Brito narra a história deliciosa de como a Maria fugiu com o seu amor de bicicleta de Canasvieiras até o bairro do Saco Grande, hoje João Paulo.

“Ele chegou no campo do Caxias de bicicleta, vi quando escondeu atrás de uma moita de pés de araçás e foi se trocar. Estranhei! Leo morava no Itacorubi e não veio no caminhão que trouxe o time adversário?
Alguma coisa está fora do lugar, Leo sempre vem defender, jogar o Caxias de Canasvieiras. Era pago para jogar. A turma gostava, ele jogava bem e sempre fazia gols.
Mas sempre chegava e voltava para o Itacorubi no caminhão do time adversário.
Era comum. A estrada era de barro, da entrada do Ratones até Santo Antônio na volta era um areião só. Os caminhões tinham um único caminho da cidade até o campo do Caxias, localizado no caminho para o Balneário de Canasvieiras. O jogo começou quando vi a Maria de Juvelina chegando com a roupa da missa, batom na boca é uma “trouxa” nas mãos e foi colocá-la ao lado da bicicleta do Leo, meio que escondida atrás dos araçás.
Vi ela com as outras raparigas assistindo e torcendo pelo Caxias, “Mariah” em especial torcia pelo Leo. Eu era um rapazinho que passava as férias escolares nas casas do irmãos e irmãs dos meus avós lá em Canasvieiras. Havia tempo pra tudo: nadar, pescar, ir na venda, ficar com os rapazes sentado na escadaria da venda do tio Gigi, que também servia de Porto dos Correios ali na frente do Caminho do Rei, trocado por agora para rua doutor José Bahia Bittencourt. Não lembro do nome do adversário, mas de que o Caxias ganhou de 1 a 0, gol do Leo. Na outra noite, segunda-feira a conversa não era sobre o jogo ou a vitória do “nosso” time, mas do escândalo de que a Maria da Juvelina havia fugido com o nosso centroavante Leo. Eu não entendia muito de amor, mas tanto o dela como o dela era maior do que eu imaginava. Anos mais tarde ela me contou que a viagem, sentada no quadro da bicicleta demorou, às vezes ele cansava e a gente parava na beirada da estrada pra ele descansar, e rindo…
⁃ Ele estava tão cansado de jogar e de pedalar, que eu nem quis abusar dele. Deixei tudo pra noite, quando a gente chegou na casa que ele alugou ali ao lado da venda do seu João Paulo, onde se transformou na Maria do Leo.
⁃ E são felizes até hoje, dia em quando completa 90 anos, e quando vou lá não tem uma dia ou noite que não chore assim que me vou, antes de lembrar rindo que lavava a minha bunda quando eu era neném e ela tinha 13 anos.
⁃ Beijos Maria pelo aniversário e te amo, nem tanto como o Leo te ama. Aos filhos Irineu, Vanca, Nicolau e Dorinho um abraço”.
VÍDEO DE AGRADECIMENTO
Dona Maria é avaiana e acende a vela para que o seu time ganhe, mesmo que por essa atitude, ela seja xingada pelo seu marido, Léo, que é torcedor do Figueirense, assim como seus filhos. O presidente Battistotti em nome do Avaí Futebol enviou para ela uma camiseta do clube. No vídeo abaixo ela agradece o carinho e com seu jeito simples, abre o coração. Vejam o vídeo abaixo.
Camisa do Avaí para indignação do marido da Maria – Foto: Avaí/divulgação/NDCamisa do Avaí para indignação do marido da Maria – Foto: Avaí/divulgação/ND

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