A decisão do campeonato estadual de 1977 foi complicada em todos os sentidos. Teve acusações para todos os lados. E até hoje o título é contestado pelos torcedores mais antigos do Avaí.
O problema surgiu em um amistoso da Chapecoense contra o Joaçaba antes da final no então estádio Índio Conda. O problema teria ocorrido na expulsão do lateral Cosme do time do Oeste. Na época, se o jogo tivesse “súmula” o jogador expulso teria que cumprir essa suspensão. Aí começou todo o problema. A diretoria da Chapecoense garante até hoje que o Cosme não foi expulso. Da parte do Avaí até declaração de uma rádio local era a prova dessa expulsão e acusação de “súmula adulterada”. Um outro nome teria sido incluído na escalação.
No confuso regulamento do estadual daquele ano, um pentagonal foi realizado para apontar o campeão: Chapecoense, Avaí, Comerciário (hoje Criciúma), Joinville e Paysandu de Brusque.
SeguirNo turno deste pentagonal, Avaí e Chapecoense empatam em 1 x 1, jogo no Scarpelli. No returno, o jogo da confusão, o Avaí perdeu para a Chapecoense por 3 x 4 no Oeste do Estado. Detalhe: neste jogo o árbitro Alvir Renzi saiu carregado pela torcida local, isso mesmo, carregado nos braços pela torcida do time do Oeste.
Como Avaí e Chapecoense terminaram o pentagonal empatados em pontos, um jogo de desempate foi marcado novamente para Chapecó. O time da Chapecoense levava vantagem no saldo de gols.
Aqui começou nova briga jurídica. O Avaí pleiteava os pontos da partida em Chapecó pela escalação irregular do lateral Cosme e queria a perda dos pontos do adversário, sendo homologado como campeão estadual daquele ano. Não teve jeito. Mesmo com toda pressão do mundo e clima de guerra o time do Avaí entrou em campo com: Zé Carlos; Orivaldo, Chico Botelho, Marcos e Cacá; Almir, Balduíno e Renato Sá; Ademir, Otacílio (Lourival) e Lico. O treinador era o Emilson Peçanha.
A Chapecoense voltou a vencer a partida: 1 x 0 gol de Jaime, aos 44 minutos do segundo tempo. O time atuou com: Luís Carlos; Cosme, Carlos Alberto, Décio e Zé Carlos; Janga, Valdir e Sérgio Santos, Wilsinho (Jaime), Jorge e Elizardo. Técnico: Edgar Ferreira.
DEPOIMENTOS:
Mais uma vez Avaí e Chapecoense fazem a final de um estadual. Participei da decisão de 1977. Uma decisão conturbada, algumas irregularidades. Uma confusão. Mas o que interessa agora é que ao longo de todo esse tempo, a Chapecoense vem crescendo, hoje é uma realidade no cenário catarinense e nacional. Uma clara evolução. Evidente que ela cresceu muito após a tragédia. Lamentável. Maior tragédia de todos os tempos do futebol mundial. Porém, temos que ressaltar o que fazem hoje os diretores. É uma equipe que entre cinco times do Brasil nunca caiu para a série B no nacional. Sobre a decisão, junto com o Avaí as duas equipes foram as melhores: o time da capital com uma pontuação incrível. O Avaí decide em casa, precisa ter todos os cuidados. Enfrenta uma Chapecoense muito forte, com muita moral.
BALDUÍNO, Atleta do Avaí em campo na decisão de 1977.
…
João Carlos da Silva, o Balduíno – Eduardo Valente/ND/arquivoEu lembro daquela decisão de 1977, é que o último jogo foi aqui, ainda era chamado de Índio Condá. Um sol de rachar às quatro da tarde, estádio lotado. Ganhamos por um a zero, um jogo muito difícil. Só para ter uma ideia, no time do Avaí tinha grandes jogadores. O meio de campo era Almir, Balduíno e Renato Sá. O ataque tinha Ademir, Néia e Lico. Todos jogadores que depois foram para grandes clubes. E fomos campeões em cima desse timaço. Inesquecível.
JANGA. Atleta da Chapecoense em campo na decisão de 1977.
Janga, campeão com a Chapecoense em 1977. Hoje é comerciante ao lado da Arena Condá – Eduardo Fernandes/Divulgação
Foto mostra o clima entre Avaí e Chapecoense – Revista Avaí 90 anos/divulgaçãoRelembre a final Avaí e Chapecoense de 2009. CLIQUE AQUI
Relembre a final Avaí e Chapecoense de 2017. CLIQUE AQUI