O dia amanheceu tenso naquele 6 de junho de 2007. Era véspera de feriado do ‘corpus christi’. Nessa data, a partir das 21h30 no estádio Orlando Scarpelli, o Figueirense iria jogar diante do Fluminense para conquistar o título mais importante da sua história: a Copa do Brasil.
Nas ruas, o otimismo do torcedor Alvinegro era refletido nas camisetas, bandeiras e festas nas esquinas. Pelo lado do Fluminense, uma tímida aglomeração no hotel de concentração do clube. Na imprensa esportiva, toda a expectativa pelo confronto era esmiuçada com longas matérias.
No jogo de ida, em pleno Maracanã, o Figueirense com um golaço do Henrique no final da segunda etapa, buscou um precioso empate. Com esse gol marcado no “maior do mundo” bastava apenas até um empate em 0 x 0 no Scarpelli para a torcida gritar “é campeão”.
SeguirNo entorno do estádio Orlando Scarpelli, além da festa do torcedor, ambulantes vendiam faixas e o pôster com o Figueirense campeão. Alguns supersticiosos nem olhavam para o material “sai, zica!”. Outros, sem duvidar da conquista, compravam para guardar a lembrança para sempre.
No vestiário do Figueirense, foco e concentração para o momento histórico. Em nenhum momento teve menosprezo com o adversário. Porém, o time do Fluminense aproveitou para incentivar emocionalmente seus atletas pendurando o vestiário matérias da impressa local com possível desprezo aos visitantes. Até vídeo na preleção foi usado. Cada usa as armas que tem. E o Renato Gaúcho, experiente sabia disso.
Um gol. Bastava apenas um gol do melhor ataque da competição, o Figueirense. Podia ser do Victor Simões (então artilheiro da Copa do Brasil 2007 ao lado do Dimba, do Braziliense, Dênis Marques, do Athletico e André Lima, do Botafogo) ou do Cleiton Xavier. Quem sabe do zagueiro Chicão ou do goleiro Wilson, de pênalti?
Mas o gol saiu. E logo aos 4 minutos da primeira etapa. A linha burra do impedimento, e bota burra nisso, deixou o então lateral Roger Machado, então improvisado na zaga, sozinho fuzilando as redes do Figueirense, sem chances para o goleiro Wilson. (Sim, o Roger Machado é aquele mesmo, hoje treinador do Grêmio).
Com o placar de um a zero para o Fluminense, o tempo voou no relógio. Quando o torcedor do Figueirense percebeu, a partida tinha terminado com a equipe carioca fazendo a festa em plena estádio Orlando Scarpelli. O resto é história.
No livro comemorativo dos 90 anos do Figueirense lançado pela diretoria “Figueirense – 90 anos de Glória, Amor e Paixão” a perda da Copa do Brasil é analisada com orgulho como na imagem abaixo.
Vice-campeonato analisado com orgulho após 15 anos – Foto: Figueirense 90 anos/reproduçãoE ai, torcedor. Qual é o seu sentimento em relação a esse vice-campeonato do Figueirense da Copa do Brasil em 2007: raiva ou orgulho?
Pose oficial da equipe do Figueirense na decisão diante do Fluminense da Copa do Brasil de 2007. O placar terminou 1 x 0 para o time carioca. Em pé: José Fernando Gonçalves e Hudson Coutinho (preparadores físicos), Ari, Henrique, Chicão, Victor Simões, Rafael Lima, Edson, Vinícius, André Santos, Felipe Santana, Wilson e Peçanha (preparador de goleiros). Agachados: Anderson Luís, Daniel, Ramon, Léo, Diogo, Fernandes, Cleiton Xavier e Ruy. – Foto: Figueirense 90 anos de glória/reprodução