Na última segunda, dia 10 de outubro, morreu o ex-lateral direito Cosme que na final do estadual de 1977 entre Chapecoense, o seu clube na época e o Avaí, acabou sendo pivô de uma das maiores polêmicas em finais do campeonato catarinense.
Cosme foi personagem central da polêmica decisão de 1977 – Foto: Memória Avaiana/NDCosme Souza da Rocha, tinha 69 anos e morreu vítima de uma parada cardíaca, em Canoas (RS), cidade onde morava. Natural de Porto Alegre, iniciou sua carreira defendendo o Cruzeiro e depois o Juventude. Chegou na Chapecoense em 1977 e ficou no clube catarinense até 1986.
Pela Chapecoense, exatamente no seu primeiro ano no clube, Cosme ficou conhecido como personagem central de uma polêmica decisão até hoje reclamada pelo adversário na decisão, o Avaí. O episódio ficou conhecido como o “caso cosme” e foi relatado com todos detalhes no livro escrito pelo Dr. Anatólio Pinheiros Guimarães, advogado do Leão da Ilha nesse caso.
SeguirEm outro livro, “O Time da Raça – Almanaques de 90 anos do Avaí Futebol Clube” escrito pelos historiados Adalberto Klüser, Felipe Matos e Spyros Apóstolo Diamantaras o “Caso Cosme” mereceu três páginas ricas em informações da imprensa da época. O episódio foi resumido no twitter Memória Avaiana, escrito pelo Matos, um dos autores do citado livro acima.
Em 1977, descobriu-se que Cosme havia jogado irregularmente contra o Avaí numa partida que terminou empatada, pois ele havia sido expulso no jogo anterior da Chapecoense, um amistoso contra o Joaçaba. Dirigentes da Verdão adulteraram a súmula para não constar o nome de Cosme. O Catarinense de 1977 teria uma partida extra, caso duas equipes terminassem empatadas na fase pentagonal final. Avaí e Chapecoense terminaram com 12 pontos. No entanto, a Chape deveria perder os pontos conquistados com a escalação irregular de Cosme e o Avaí seria o campeão.
Voltando ao livro “O Time da Raça” o episódio é detalhado e relembrado da seguinte forma:
Naquela época a legislação a legislação desportiva definia que o jogador que fosse expulso em uma partida amistosa com súmula deveria cumprir a suspensão automática na primeira partida subsequente. Um pouco antes do primeiro jogo com o Avaí, a prefeitura de Joaçaba convidou a Chapecoense para uma partida amistosa no aniversário da cidade.
Quando o placar estava 1 a 1, o lateral Cosme foi expulso após entrada violenta na perna de um adversário. Logo depois a súmula foi enviada para a FCF sem constar o nome do atleta.
No jogo realizado no estádio Orlando Scarpelli, empate em 1 a 1 entre Avaí e Chapecoense com o Cosme em campo. Com a informação de que o jogador tinha atuado no amistoso antes deste confronto, e que portanto estava irregular, o jurídico do Avaí protestou junto do TJD-SC pedindo a impugnação deste confronto e os pontos da partida.
Na sequência, em jogo realizado no Oeste, vitória da Chapecoense por 4 a 3 e claro, com o irregular Cosme em campo. Por causa do recurso do time da Capital o clima para este jogo foi o pior impossível. A revista Placar da época, em texto assinado pelo jornalista Mário Medáglia dizia que “era o jogo em que o Avaí não poderia vencer de jeito nenhum”.
Na véspera do confronto, no sábado, o Leão da Ilha não conseguiu campo para treinar. À noite, segundo textos da época, a polícia teve que dar tiros para o alto para a fim de acabar com o foguetório (foguetório? acho que isso vai se repetir alguns anos depois também em uma final de estadual só que com outro adversário..).
No fim da partida, o árbitro da partida Alvir Renzi saiu carregado nos braços da torcida local. O quarto gol anotado pelo Wilsinho estava em claro impedimento.
Nos livros citados acima, diz que no julgamento do TJD, o “auxiliar de escritório da prefeitura de Joaçaba, José Ruaro, testemunha do Avaí, foi categórico em afirmar que tinha assinado a súmula do jogo em nome do Cosme, o que foi confirmado por Dirceu Bareta, então dirigente do Joaçaba. (…) Na rádio de Joaçaba que transmitiu o amistoso, os profissionais também lembram da escalação do Cosme. No entanto, apesar de provado todas as irregularidades ocorrida nos dois confrontos contra a Chapecoense, o Avaí não conseguiu impetrar mandado de segurança que solicitava efeito suspensivo para o terceiro jogo em Chapecó que terminou 1 a 0 e o título para o time do Oeste.
No livro “O Time da Raça” o texto sobre o “caso Cosme” é finalizado da seguinte forma:
Ao fim do jogo, a torcida invadiu o gramado e a Avenida Getúlio Vargas, ao som dos sinos da catedral. A renda do jogo foi depositada no cofre de um dirigente da Chapecoense e a chave foi dada ao prefeito Milton Sandes. O time local negou-se a dar para o Avaí a parte da renda que lhe era de direito. No ano seguinte, a Chapecoense levou o troco na mesma moeda: o Avaí retirou-se do Campeonato e o time da Chape perdeu o título nos tribunais para o Joinville, time da cidade do presidente da federação, José Elias Giuliari”.
Foto mostra o clima entre Avaí e Chapecoense na decisão de 1977 – Foto: Revista Avaí 90 anos/divulgação