“É o maior presente que ganhei na vida, é o meu tesouro”, afirma o morador de Florianópolis Silvio Florêncio Campos Júnior, de 64 anos. Ele se refere a uma camisa autografada do Santos, que ganhou do rei Pelé em 1972 e guarda há 50 anos.
Silvio exibe orgulhoso o presente que ganhou de Pelé ainda nos anos 1970 – Foto: Silvio Florêncio Campos Júnior/Arquivo Pessoal/NDSilvio recebeu a reportagem do Arena ND+ em seu escritório no Centro da Ilha de Santa Catarina na tarde desta terça-feira (4) para mostrar o “troféu” e contar a história de como entrou no vestiário do time da Vila Belmiro, quando tinha apenas 14 anos, para conversar com o eterno rei do futebol.
Silvio é natural de São Paulo (SP) e a relação com o esporte começou ainda pequeno. Ele foi atleta de futsal até os 22 anos.
SeguirNo início dos anos 1970, atuava por um clube da Capital paulista, e foi através do diretor deste clube que veio a ligação com Pelé.
“Tinha um senhor chamado ‘Seu Pércio’, que era o diretor do clube onde eu jogava. Ele sempre falava que havia jogado com o Pelé quando eles eram crianças. Imagina você falar para uns ‘moleques’ de 13, 14 anos que você conhecia o Pelé?”, conta Silvio.
Contato com Pelé
“Meu pai tinha uma casa em Santos [litoral paulista], e todos os nossos amigos do futebol iam para lá na época, ficavam 10, 12 meninos para a gente aproveitar a praia”, explica.
Silvio ainda nos tempos de atleta de futsal – Foto: Silvio Florêncio Campos Júnior/Arquivo Pessoal/NDE foi em um “sábado ensolarado”, como conta Silvio, que tudo aconteceu. Pércio tinha um apartamento em São Vicente, cidade vizinha de Santos. O diretor então passou na casa dos meninos e os convidou para assistir ao treino do Santos.
Quando acabou o treino, o diretor então havia “desaparecido”. Os meninos então saíram pra procurá-lo, até que Silvio abriu uma porta e deu de cara com Pércio conversando com ninguém menos que Pelé.
“Estava o Pelé abraçado com o Pércio, os dois batendo o maior papo. Foi uma surpresa enorme. O Pelé me abraçou, brincou dizendo iam marcar um jogo com os meninos. Eu fiquei hipnotizado”, conta Silvio.
Presente do rei
No entanto, não foi neste momento que Silvio recebeu a camisa de Pelé. A surpresa veio algumas semanas depois. “Meu pai era funcionário de um banco e trabalhava em uma corretora. Nessa corretora tinha um cliente que era conselheiro do Santos. Meu pai então contou a situação que eu havia vivido com Pelé”.
“Até que um belo dia, o cara chegou na corretora, ele gostava muito do meu pai, e entregou uma caixa para ele dizendo que era um presente para mim. Meu pai chegou em casa e falou: ‘olha, você ganhou um presente’, e me deu. Quando abri, dei de cara com uma camisa que o Pelé havia usado em um jogo e estava autografada”, relata Silvio.
“Podia ter pedido a camisa do Pelé no vestiário do Santos, mas fiquei tão nervoso na hora que não tive coragem [risos]”, completa.
Relação com Florianópolis
Silvio veio para Florianópolis em julho de 1995. Desde 1999 trabalha como contador na Capital de Santa Catarina.
A relação com a cidade começou ainda nos anos 1970. Na época, Silvio estudou com um amigo, que mantém contato até hoje, chamado Carlos Pérez, que é natural de Florianópolis.
“O Pérez acabou estudando no mesmo colégio que eu em São Paulo. Fizemos amizade, ele me falava muito sobre a cidade e em 1988 vim para Florianópolis pela primeira vez. Fiquei encantado”, conta.
“Passei quase 10 anos seguidos vindo para cá, até que resolvi pedir demissão no banco onde eu trabalhava em São Paulo e vim morar aqui em 1995. Já faz 27 anos que moro aqui, até já me sinto manezinho”, brinca Silvio.