Hoje, dia 20 de novembro, as publicações nas redes sociais dos clubes devem se multiplicar, de Norte a Sul, de Leste a Oeste do país. O motivo? O Dia da Consciência Negra. Frases de efeito, artes bonitas e impactantes. É o cenário que se repete a cada data significativa e carregada de significado, conquistas e lutas por direitos. Bonito? Bonito. É importante que ninguém se esqueça de datas que marcam lutas diárias.
Caso Celsinho trouxe, mais uma vez, o racismo à tona e julgamento trouxe, novamente, a conivência e o reforço do racismo estrutural no futebol brasileiro – Foto: ESTADÃO CONTEÚDO/NDMas, nesta semana, na Semana da Consciência Negra, o que se viu foi o completo desrespeito e o reflexo de uma sociedade e de um futebol que não apenas é conivente, como incentiva o racismo. Se para alguns de maneira indireta, a reversão da punição ao Brusque no caso Celsinho, a “devolução” dos míseros três pontos perdidos e a “troca” por uma perda de mando de campo e uma multa parece um incentivo direto, especialmente para quem é vítima, rotineiramente de racismo fora de campo e dentro dele.
Celsinho foi vítima de racismo reiteradas vezes só neste ano. Mas, infelizmente, não foi o único. Em jogo recente, parte da torcida do Grêmio – mais uma vez – foi racista em jogo que terminou, ainda, com quebra-quebra protagonizado por torcedores inconformados com a fase do time. Em Joinville, a goleira do JEC/Audax foi vítima de racismo neste ano. E outros, outras, tantos outros, tantas outras.
SeguirEnquanto atletas protestam, utilizam as plataformas que são para denunciar o racismo, para fazer ecoar as vozes de milhões de negros e negras agredidos diariamente, mortos diariamente, as diretorias, as federações, as confederações, os tribunais, incentivam o racismo com a conivência.
O heptacampeão Lewis Hamilton é uma das vozes mais potentes contra o racismo no esporte – Foto: Reprodução/InstagramO recado que passam é: fingimos que nos importamos com publicações na internet e alimentamos o racismo estrutural nas canetadas e decisões. O recado é que os jogadores que nos encantam, que trabalham, que sustentam famílias, que são referência, ídolos, que alimentam o amor de meninos e meninas como o Bruninho, que não vê rivalidade, vê apenas o amor pelo futebol e pelo que cada jogador representa, que esses jogadores não valem três pontos em um campeonato. O recado é que a dor deles não vale um jogo.
Hoje, teremos publicações bonitas e algumas até emocionantes, mas enquanto na internet instituições têm discursos – vazios – jogadores, jogadoras, pilotos, atletas sofrem diariamente, protestam diariamente, lutam diariamente por direitos retirados por essas mesmas instituições.