No aniversário do Figueirense, uma crônica sobre um símbolo Alvinegro: o zagueiro Trilha

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No aniversário de 102 anos do Figueirense Futebol Clube, é muito justo por deste colunista, relembrar para os leitores, uma crônica sobre o ex-zagueiro Trilha, um dos símbolos eternos do Alvinegro, publicada aqui neste espaço. A memória de grandes atletas precisa ser revivida sempre. De tempos em tempos, até para que a nova geração de torcedores saiba e reconheça o trabalho e o suor de abnegados dirigentes – incluindo os anônimos – e atletas.

Trilha, uma lenda do Figueirense e o coluinista.  – Foto: Fábio Machado/NdonlineTrilha, uma lenda do Figueirense e o coluinista.  – Foto: Fábio Machado/Ndonline

Recentemente o colega Marcelo Mancha realizou uma matéria sobre o centenário da barbearia Vargas, uma das mais tradicionais de Florianópolis para o Jornal Balanço Geral, apresentado de segunda a sábado na NDTV, e quem ele encontrou lá? É isso mesmo, ele encontrou o zagueiro Trilha juntamente com Laudares Capela, também ex-jogador do Figueirense. Com muita honra fui convidado para falar sobre esse verdadeiros símbolo do Figueirense. Veja no vídeo abaixo.

Zagueiro Trilha no Balanço Geral. – Vídeo: NDTV;reprodução

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CRÔNICA: NA TRILHA DO TRILHA

Em um certo sábado, ao chegar na redação do Grupo ND nos altos do Morro da Cruz, recebi, por intermédio de uma colega de trabalho, um recado: “Fábio, alguém te ligou, e pediu para retornares à ligação o mais rápido possível”. Como ainda faltavam alguns minutos para o início do programa Clube da Bola que seria transmitido dentro de instantes para todo o estado pela NDTV | Record TV, retornei à ligação. Do outro lado do telefone, uma voz agradável e emocionada. “Fábio Machado, sou teu fã, acompanho o teu trabalho. ” Agradeci o carinho e perguntei se poderia ajudar em mais alguma coisa. A resposta que recebi, me comoveu: “Nada, não. Apenas quero dizer que te considero um grande amigo, meu nome é Trilha, fui zagueiro do Figueirense”. Tempos depois, em uma solenidade no memorial do estádio Orlando Scarpelli, conversando distraído com alguns colegas, Trilha saiu de onde estava para vir me abraçar. “Sou o Trilha”, como se não soubesse que ali na minha frente estava um dos maiores jogadores do futebol de Santa Catarina. Deodoro Trilha representa como poucos a história do Figueirense. Zagueiro vigoroso, que vestia a camisa com raça, disposição e muita entrega em campo. Alguns amigos da época – com um pouquinho de maldade costumam dizer que para o Trilha, do pescoço para baixo era canela -, mas para o torcedor dos anos da década de 1960, isso pouco importava. O fato é que com o Trilha vestindo a camisa do Figueirense, os adversários não entravam na sua área passeando, pois, o nosso zagueiro defendia como poucos a sua profissão e mais ainda, defendia a camisa preto e branco alvo de sua paixão eterna. Quem o viu jogar com caras de poucos amigos, sério e compenetrado, não imagina o quanto doce é esse senhor de sorriso simpático que acompanha diariamente as notícias do clube do seu coração. Lamenta quando o Figueirense perde, fica feliz quando o Figueirense vence. Trilha não ganhou dinheiro no futebol, na época, no máximo o que um atleta faturava era um “bicho” aqui e ali por uma vitória. Às vezes nas renovações dos contratos, tinha direito ao que era chamado de “luvas”. E só. No mais, até mesmo os uniformes eles levavam para a casa para ser lavado para o jogo seguinte. Mas Trilha nunca reclamou. Se ele tivesse que pagar para defender o Figueirense, ele faria sem problemas nenhum. Até porque a camisa alvinegra fazia parte da sua pele. Para quem acha algum exagero neste relato, as dúvidas desaparecem para quem teve o prazer de assistir o depoimento do Trilha no documentário dos 99 anos do Figueirense. Ele chorou, e quem assistiu também. A nova geração precisa conhecer e entender o significado da passagem desse zagueiro no clube.  Voltando para a minha conversa com o Trilha no Scarpelli, nos abraçamos, rimos e tiramos fotos juntos. Na hora da despedida, lembrei daquele telefonema de tempos atrás na redação da TV e me despedi do Trilha com as seguintes trocas de frases.

Equipe do Figueirense na temporada de 1954 em mais um jogo realizado no estádio Adolfo Konder, onde hoje funciona o Shopping Beira Mar, no centro de Florianópolis. Em pé: Mafra, Julinho, Laudares, Aníbal, Hélcio e Trilha. Plácido, Betinho, Meireles, Danir e Pacheco.Equipe do Figueirense na temporada de 1954 em mais um jogo realizado no estádio Adolfo Konder, onde hoje funciona o Shopping Beira Mar, no centro de Florianópolis. Em pé: Mafra, Julinho, Laudares, Aníbal, Hélcio e Trilha. Plácido, Betinho, Meireles, Danir e Pacheco.

*Crônica publicada no dia 14/08/2020.