Quem teve acesso a “petição inicial de tutela” apresentada pelo Figueirense na semana passada na justiça requerendo a sua recuperação judicial ficou assustado com o quadro apresentado no documento. São 35 páginas assinadas pelos advogados Luiz Roberto Ayoub, Pedro F. Teixeira, Filipe Guimarães, Ana Paula Barbato e Pablo Cerdeira da Galdino Coelho advogados e Teixeira Prima Butler advogados. Um “raio X” nada animador do alvinegro há poucos meses do seu centenário. Algumas argumentações são dramáticas: “espada na cabeça”, “risco de desaparecimento da instituição” e para finalizar, para completar o drama, até o escritor Nelson Rodrigues é citado. Nada mais coerente, afinal, “é a vida como ela é”. Mesmo citando timidamente que administrações anteriores tem culpa no quadro atual da instituição, a maior culpa recaiu, segundo o documento, sobre a Elephant. Os advogados pegaram leve com ex-presidentes do Figueirense. “Amar é ser fiel a quem nos trai”, dizia o já citado Nelson Rodrigues.
Figueirense vive um drama no seu centenário. – Foto: Patrick Floriani/FFC/NDAinda sobre a Elephant, sobre Cláudio Vernalha ou mais recentemente Cláudio Honnigmann, os advogados escrevem na página 16: “surgiu então a Elephant, misterioso personagem trazido pelas mãos pelo ex-Presidente do Figueirense FC.”. Misterioso personagem? E mesmo assim, como que um personagem sombrio das obras teatrais do Nelson Rodrigues consegue de um dia para o outro ter nas mais o comando de um clube como o Figueirense, o mais vezes campeão e dono de uma nação de torcedores fieis e apaixonados? Mais uma obra “rodrigueana” é aqui relembrada para lembrar todo esse episódio: “o óbvio ululante”.