Notas e impressões sobre a Copa do Mundo do Catar; #01

Decepções até aqui, destaques e análise da estreia do Brasil na competição

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A BOA ESTREIA DO BRASIL NA COPA DO MUNDO. A estreia do Brasil na Copa do mundo do Catar foi convincente e agradou. Apesar de todo o nervosismo de ser um primeiro jogo, e com muitos atletas novatos na competição, a equipe se comportou muito bem no conjunto e na maturidade dos atletas, inclusive os mais jovens da equipe do treinador Tite.

casemiro foi um monstro na seleção brasileira. – Foto: Lucas Figueiredo/CBFcasemiro foi um monstro na seleção brasileira. – Foto: Lucas Figueiredo/CBF

É preciso levar em conta o ‘ferrolho’ praticado pelo adversário. Os brasileiros tiveram calma e paciência para construir o placar de dois a zero. O primeiro tempo começou com as suas dificuldades previstas: o time sérvio todo atrás, com jogadores altos e impondo uma forte marcação. O Brasil com bom domínio de bola tentou buscar uma infiltração na área e espaço para chegar ao seu primeiro gol: as raras oportunidades não foram concluídas com sucesso.

Se o volante Casemiro foi o melhor jogador da seleção antes de ir para o vestiário, os laterais Danilo e Alex Sandro ficaram devendo personalidade para aparecer mais na partida, e para fazer as passagens nas triangulações. Raphinha e Vinícius Jr, espetados nas alas brilharam em raros momentos e faltou mais presença, agilidade e efetividade do Lucas Paquetá no meio para ajudar o Neymar que não se omitiu das jogadas: tentou, buscou o jogo mais sem conseguir dar sequência nas jogadas.

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Apesar disso, o placar não saiu do zero a zero. Na volta para o segundo tempo, a Seleção Brasileira voltou mais atenta em roubar a bola próximo a área do adversário e começou a colecionar gols perdidos. Para melhorar, os laterais cresceram no jogo com mais presença no ataque. O gol, que era questão de momento, surgiu após um rebote que o atento Richarlison tocou para o fundo das redes.

A partir daí, com a muralha sérvia destruída o Brasil deitou e rolou. Foi praticamente jogo de um time só. E o prêmio por esse domínio veio com um golaço do Richarlison, o artilheiro da estreia brasileira na Copa do Mundo do Catar 2022. Enquanto isso, o goleiro Alisson praticamente só assistiu ao jogo, teve pouco trabalho. Além da estrela do artilheiro, é preciso destacar o futebol maduro, inteligente e eficiente do Casemiro no meio, ou melhor, em todos os setores do campo. Que a venha então a forte Suíça!

APENAS NA PROMESSA. Na copa do mundo de 1990, realizada na Itália, lembro que na época se falava que a Seleção de Camarões, iria levantar uma taça do mundo “no máximo em dois ou três mundiais”. Futebol vigoroso, envolvente e com ares de novidade, em uma competição chata e com poucos gols, os camaroneses impressionaram naquele mundial vencendo logo na partida de estreia, a Argentina, então campeã do mundo e só pararam diante da Inglaterra, nas quartas de final com jogadores como Roger Milla, Onana e Maboang. O tempo passou, e a evolução rumo ao lugar mais alto da prateleira do futebol mundial, não passou apenas de uma ilusão.

Nesta quinta (24), pela primeira rodada do grupo G, a chave do Brasil, a Seleção de Camarões perdeu para a Suíça, pelo placar de um a zero, gol marcado pelo atacante Breel Embolo, nascido em Camarões.

Camarões brilhou nos anos 90. Eterna “promessa”? – Foto: CAF/DivulgaçãoCamarões brilhou nos anos 90. Eterna “promessa”? – Foto: CAF/Divulgação

EM NOME DA POLÍTICA E DO DINHEIRO. Se com 32 seleções em uma copa do mundo estamos vendo jogos fracos como Catar e Equador e placares arrastados de 0 a 0 como México e Polônia e Marrocos e Croácia, imaginem na Copa do Mundo de 2026, que será no Canadá, México e Estados Unidos, em que a dona FIFA decidiu que 48 seleções vão participar do mundial. Vai ser um exercício de paciência assistir verdadeiras ‘peladas’ internacionais até que o torneio entre na fase decisiva e mais emocionante.

PESADO. No Uruguai, que não saiu do empate em zero a zero com a Coréia do Sul, o tempo parece que passou para o atacante Suárez. Visivelmente fora de ritmo, o atacante sofreu até para dominar a bola. Na sua terra, é difícil resistir a boa – e gordurosa – comida uruguaia. Ainda sobre o empate da Celeste, não deu para entender o ‘brasileiro’ Arrascaeta no banco de reservas.

Suarez sem ritmo no Uruguai – Foto: Estefanía Leal/El Pais/URU/Divulgação/NDSuarez sem ritmo no Uruguai – Foto: Estefanía Leal/El Pais/URU/Divulgação/ND

AS MELHORES.  Das seleções que mais gostei do que vi estão: O Brasil – pela dificuldade do adversário e pela maturidade em buscar o resultado; da renovada Espanha que jogou um futebol-arte; da Inglaterra que se jogou para frente e goleou o Irã, da França que superou seus desfalques para atropelar a Austrália e da forte Holanda, que teve paciência para derrotar o forte time do Senegal. A Dinamarca, que espero alguma coisa, ficou devendo mais velocidade e por isso não saiu de arrastado empate em zero a zero com a Tunísia.

Juventude na Espanha brilhou na primeira rodada.  (Photo by JAVIER SORIANO / AFP) – Foto: JAVIER SORIANO / AFP / NDJuventude na Espanha brilhou na primeira rodada.  (Photo by JAVIER SORIANO / AFP) – Foto: JAVIER SORIANO / AFP / ND

PORTUGAL. Vai ser legal acompanhar Portugal nessa copa. Uma geração de bons jogadores – por lá, eles consideram a melhore seleção lusa de todos os tempos. A verdade é que a equipe parece ser menos dependente do atacante Cristiano Ronaldo em relação as outras Copas do Mundo. E por falar no ‘veterano’ e desempregado CR7, ele bateu mais um dos tantos recordes da sua carreira: é o único jogador que marcou gols em cinco copas diferentes. No próximo confronto, Portugal encara o desesperado Uruguai, na segunda às 16h. Jogo imperdível.

ZEBRAS NA COPA. Copa do mundo sem a zebra passeando pelos seus gramados, não é uma copa do mundo. E esses resultados, é claro, ficam marcados para sempre na história das competições. Como por exemplo, no mundial de 1950, realizado aqui no Brasil, quando a seleção dos Estados Unidos derrotou a poderosa Inglaterra pelo placar de um a zero. O placar foi tão inesperado na época que até um filme.

Em 1966, a Coréia do Norte derrotou a Itália também por 1 a 0. Em 1998, a Croácia goleou a Alemanha e a Nigéria venceu a Espanha. E neste terceiro dia de competição na Copa do Catar, a favorita Argentina, que vinha de invencibilidade de 36 jogos, perdeu de virada para a Arábia Saudita pelo placar de dois a um para desolação do craque Messi.

Mas, no caso dos nossos vizinhos, o raio da zebra caiu duas vezes no mesmo lugar, por que na Copa do Mundo de 1990, na Itália, os Hermanos entraram em campo como campeões do mundo e favoritos, e mesmo com Maradona em campo perderam para a Seleção de Camarões. Deu zebra!

Messi saiu frustrado na estreia da Argentina.  Foto: Antonin THUILLIER / AFP) – Foto: Antonin Thuillier / AFPMessi saiu frustrado na estreia da Argentina.  Foto: Antonin THUILLIER / AFP) – Foto: Antonin Thuillier / AFP

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