O número inicial aproximado esteve em 60 pessoas, mas a verdade é que o começo da tarde deste domingo (18), em Canasvieiras, Norte da Ilha, ultrapassou a centena. Espaço internacionalmente reconhecido por ser ocupado por argentinos, Florianópolis se tornou “um pedaço” de Buenos Aires para acompanhar – e celebrar – Argentina e França, válido pela final da Copa do Mundo de 2022.
A presença dos argentinos em estabelecimento localizado na rua Apóstolo Paschoal, em Canasvieiras, foi marca registrada ao longo da Copa do Mundo. Desde a derrota para Arábia Saudita, na primeira rodada da competição, o empreendimento administrado pelo casal argentino Cristian Zapata e Noemia Romero se tornou ponto obrigatório dos ‘hermanos’ em jogos da Copa do Mundo.
Com um serviço bem característico dos albicelestes, o espaço foi ganhando engajamento e público com o decorrer da campanha quase irretocável de Messi e companhia. Além da ‘hamburguesa’, o local comercializa vinho tinto argentino, fernet branca – bebida típica dos argentinos e de coloração escura e gaseificada – além do atendimento todo argentino já que os garçons são os proprietários e seus filhos.
SeguirOutro detalhe nessa consolidação do espaço diz respeito a transmissão dos jogos que, de origem e procedência desconhecidas, era puxado da internet a cobertura argentina com narrações, comentários e reportagens argentinos.
Carrossel de emoções e aumento do ‘público’
Se o início da partida o pequeno local ficou ainda menor para os quase 60 argentinos que se espremiam para fugir da chuva, o decorrer do jogo teve um aumento significativo. Em rápida contagem o número chegou perto de 100, principalmente, no momento das penalidades onde vários idiomas se cruzavam entre as mesas.
Argentinos, chilenos e até brasileiros pararam para ver a vitória da Argentina, nos pênaltis, pelo placar de 4 a 2.
Com um primeiro tempo de muita facilidade, dentro de campo, o intervalo de partida foi marcado pela festa dos ‘hermanos’ que, assim como os jogadores no Lusail Stadium, deram o jogo por encerrado depois que Lionel Messi e Ángel Di Maria deram os números iniciais no placar.
Nenhum deles, inclusive, contava com uma espécie de “estopim” de Kilyan Mbappé que, em menos de cinco minutos, fez dois gols e forçou a prorrogação.
Com forte cheiro de cigarro – outra iguaria preferida dos argentinos, sobretudo, os cigarros de filtro amarelo
Para Noemia Romero, 33 anos, não há sentimento que explique a possibilidade ver um título da o dia que Canasvieiras se tornou um pedaço de Buenos Aires, mas mais que isso, oportunizar seus “Hermanos” de assistir ao jogo em um local próprio e característico.
“Sinto muita saudade da minha Argentina, mas amo o Brasil e não tenho palavras para dizer o que estou sentindo agora”, disse a empresária, com os olhos marejados.
Quem também não conteve as lágrimas foi Antonela Dana, 60 anos, que passa férias no Brasil, nesse momento. Ela relembrou os outros títulos da Argentina, em 74 e 86, no segundo, ela revelou que estava “parindo mi hijo”.
Rivalidade próxima
Apesar de todo apelo sobre a relação sul-americanos e europeus traduzido em uma final de Copa do Mundo entre Argentina e França, a verdade é que a Argentina ainda dividiu corações em terrenos locais.
Alguns veranistas oriundos do Chile, por exemplo, estavam a poucos metros do bar argentino na mesma avenida. Explodiram três vezes, em três gols do inacreditável Kylian Mbappé.
É o astro francês que mexe com o chileno Diego Hurtado, 17 anos, que passa férias no Brasil e se disse torcedor do Colo Colo (CHI) e admirador do atacante da França. Disse, ainda, que “somos rivales de argentina” e, devido a isso, optou por torcer pelos europeus.
Com uma distância inferior a 50 metros, o final mostrou que só um dos lados pode comemorar – e não poderia ser diferente.