“O resultado foi um vexame”. Foi assim que o presidente Charles Fischer resumiu a eliminação do JEC na primeira fase da Copa Santa Catarina. Em uma de suas últimas falas como presidente do clube, Charles admitiu que o resultado em campo durante sua gestão esteve longe dos objetivos, embora tenha falado de passos importantes nas questões internas, administrativas e financeiras do clube.
Presidente Charles Fischer e diretor financeiro Genivaldo Karpano Mello concederam entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (19) – Foto: Drika Evarini/NDEm entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (19), o presidente avaliou a gestão e falou sobre a transição, já iniciada com o provável novo presidente, Darthanhan Oliveira, atual presidente do Conselho Deliberativo.
“Esse planejamento já começou. Estamos finalizando o nosso trabalho como presidente, como diretoria. Infelizmente, o resultado dentro de campo não veio, não conseguimos alcançar os objetivos e temos que abrir espaço para novas ideias. Eu vou continuar ao lado do JEC, vou tentar colaborar para que a nova gestão coloque o JEC em outro patamar. Temos compromissos importantes com a questão da Recuperação Judicial, a SAF que vem por aí e isso tudo precisa ser feito a várias mãos. Temos que mudar essa mentalidade que esse é um problema deles. Não é, é nosso, de todos”, disse.
SeguirDepois de perder a vaga na Série D via Campeonato Catarinense em 2021, não conseguir o acesso, quase ser rebaixado no Estadual deste ano, o último insucesso do Tricolor foi a eliminação na Copa Santa Catarina no domingo (16). O resultado pífio em uma competição com seis times em que quatro se classificam foi uma pá de cal.
Para o presidente, que classificou como “vexame” o resultado, o objetivo era formar uma “espinha” para o Catarinense, mas tudo veio abaixo com a derrota para o Nação, que só venceu Tricolor no campeonato. “Tem certas coisas no futebol que não dá para explicar. Acho que o time se perdeu psicologicamente, a derrota para o Nação foi pesada. Não poderíamos perder quatro pontos para eles, o elenco sentiu a pressão externa e nos últimos jogos não conseguimos marcar um ponto. Falta de vontade desse elenco não houve, foram consequências do futebol”, avaliou.
Do plano inicial de manter 12 atletas, entre eles Genilson, Hiago, André Baumer e Vinicius Balotelli, que estavam em negociação, a tendência é que nenhum permaneça. A maioria, que tinha contrato até novembro, já foi liberada e os renovados também não devem continuar no clube, mas a decisão será do próximo presidente. O volante Nelsinho, o meia Ronan e o atacante João Vitor têm contrato até o fim do Estadual, assim como o técnico Jerson Testoni, porém, a indicação é de que a nova gestão inicie o trabalho do zero.
“Fico muito preocupado, sei que é difícil, a próxima gestão terá dificuldades, começar do zero não é fácil, mas vamos todos dar as mãos. Em um primeiro momento, a decisão deles é de liberar todos os atletas. Com o Jerson, estamos conversando para chegar no melhor para ele e para o clube”, salientou.
Recuperação judicial e financeiro do clube
O presidente falou, novamente, sobre a decisão de solicitar recuperação judicial e esclareceu que a próxima gestão pode apresentar um novo plano de pagamento, diferente daquele já apresentado e aprovado pela Justiça. Charles ressaltou, ainda, que não havia outra saída e que sem a RJ, o clube sequer estaria de portas abertas.
“Foi um projeto de toda a diretoria executiva. O Joinville não ia falir, já estava falido. Todos os patrocinadores tinham bloqueio direto neles, perdemos vários. Como manteríamos o clube? Foi uma decisão difícil, mas era a melhor que poderia ser tomada”, falou.
A transição financeira e administrativa também já iniciou e, em reunião na noite desta quarta-feira (19), o atual presidente deve apresentar contratos de patrocínio, receita e fluxo de caixa ao provável novo mandatário tricolor.
Ainda de acordo com Charles, para 2023, o JEC já tem aprovado uma abertura de captação de R$ 3 milhões para utilização na base. Com a criação do Instituto do JEC, órgão à parte que deve organizar e administrar as questões da base tricolor, a nova diretoria pode fazer a captação junto a empresas.
“O caixa fica mais equilibrado. Não vamos passar só o problema, vamos passar a solução. Fazemos questão de fazer a transição corretamente, afinal é o JEC”, reforçou Karpano.
Charles Fischer garantiu, ainda, que será ativo em um trabalho que precisa ser de reconstrução. “Aprendi muita coisa desse lado do balcão e serei compreensivo. Falar o que tem que ser feito é muito fácil, mas fazer é muito complicado, ainda mais nessa situação do clube. Somos todos JEC”, finalizou.