Afastado do futebol já há alguns anos, Carlos Alberto Parreira teve a carreira marcada por Copas do Mundo. Esteve em 1982 no Kuwait, 1990 e 1998 nos Emirados Árabes, foi técnico do Brasil em 1994 e 2006, além de comandar a África do Sul em 2010.
Parreira era coordenador técnico da seleção em 2014 – Foto: Reprodução/CBF/NDO que mais lhe marcou a carreira, no entanto, não foi o tetracampeonato da seleção brasileira em 1994, ou mesmo o tri em 1970 onde ele era preparador físico. O que não sai da cabeça do ex-treinador é o trauma de 2014, 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil em pleno Mineirão em uma semifinal de Copa.
“Aquilo [2014] foi difícil para todos. Eu já não trabalhava com futebol, foi minha última função. O Felipão acabou se recuperando, óbvio, tinha um laço muito grande. Mas os próprios jogadores, a comissão, foi um peso muito grande tomar de 7 a 1 em casa. Foi muito difícil”, revelou Parreira ao Lance.
SeguirO maior “trauma” da história do futebol brasileiro começou logo aos 11 minutos do primeiro tempo, com Thomas Müller. Até o intervalo foram mais quatro gols. Klose aos 23′, Kroos aos 24′ e 26′ e Khedira aos 29′.
Clima no vestiário
No vestiário, Parreira, que era coordenador técnico da seleção em 2014, relembra que o clima era de total incredulidade no intervalo. A expectativa de o Brasil ser campeão em casa, se tornava um pesadelo.
“Está marcado na história das Copas o 7 a 1. Nunca aconteceu em uma semifinal, uma seleção nunca perdeu de sete. Explicação? Não tenho. São coisas próprias do futebol. A melhor definição foi do Júlio César, o mais experiente do elenco. Quando acabou o jogo perguntaram como explicava o 7 a 1″, disse Parreira.
Felipão cumprimenta Joachim Löw após o jogo – Foto: ODD ANDERSEN / AFP“Ele [Júlio César] disse que não se explica o inexplicável. Definiu. Um a zero, dois, olhava para o Felipão, três, estava dando a saída e já foi gol. Estava conversando para comentar o jogo, em cinco minutos foram três gols. Muito rápido, não deu tempo. Voltamos para o vestiário e estava 5 a 0”, lembrou.
“Imagina isso. Voltar para o vestiário em uma semifinal de Copa do Mundo, em casa, 5 a 0 para o adversário”, completa.
Ainda segundo Parreira, o discurso de Felipão, treinador do Brasil na ocasião, foi de “vamos terminar o jogo com dignidade”. “Não adianta falar ‘vamos virar o jogo’, fazer 6 a 5, não vai acontecer”, explica.