Liderança, 28 pontos, sete vitórias, sete empates, invencibilidade, 66% de aproveitamento e a segunda melhor defesa de toda a competição que, é bom lembrar, reúne 64 times em sua primeira fase. Com uma senhora vitória mesmo com um jogador a menos contra o Cascavel, mesmo já classificado, o JEC garantiu o primeiro lugar do grupo 8 da Série D sem conhecer a derrota e destruindo a maior invencibilidade do futebol brasileiro.
Campanha sólida, time equilibrado e a inteligência que vem do banco dão confiança ao torcedor do JEC – Foto: Vitor Forcellini/JEC/Divulgação/NDOs números, a campanha na ponta do lápis, o resultado e a classificação antecipada após dois anos de insucessos frustrantes já seriam motivos suficientes para fazer o torcedor tricolor acreditar que, sim, desta vez é possível.
Mas, para além da tabela de classificação e das estatísticas, o desempenho dentro de campo durante uma primeira fase de 14 jogos dá ainda mais esperança e confiança à torcida.
SeguirA chegada de Leandro Zago foi questionada e, quem não tiver memória curta se lembrará de toda a desconfiança plantada no nome do treinador que, já na apresentação, colocou os pingos nos is e o objetivo em cima da mesa. “Não quero ser especialista em série D. Prefiro ser especialista em um ano e levar o time à série C. Não quero ter oito anos de experiência em série D. O clube tem que ser especialista em série A”.
Era a primeira entrevista de Zago como treinador do JEC, como treinador de um time principal. De lá para cá, ele calou bocas. Uma a uma. Anulou críticas. Uma a uma. E construiu um time sólido, equilibrado, eficiente e que mudou de personalidade. Um Tricolor que saiu da água para o vinho.
O mesmo time que saiu desacreditado do Catarinense e com um pingo de confiança do torcedor, aquele pingo que sempre há, se transformou. A base é a mesma, algumas peças chegaram, outras saíram, mas o “grosso” do time é exatamente o mesmo e o que mudou?
A postura. A postura que começa no vestiário, nos treinamentos, na preparação e invade o gramado, a camisa tricolor, a ponta da chuteira. Zago é extremamente inteligente, trabalha exaustivamente durante a semana e não apenas fisicamente, o que já é um fator bem diferente neste time que não está “morrendo” já no intervalo, mas trabalha tática.
Também na coletiva de apresentação o treinador salientou que o time não ficaria engessado, não teria um modelo de jogo, um esquema em campo, mas teria flexibilidade, pluralidade, variedade. Dito e feito.
O JEC de hoje é um time que tem variações de um jogo para o outro e dentro da mesma partida. O adversário muda, o posicionamento muda. A situação em campo exige mudança? Os jogadores mudam, sutilmente, drasticamente, mas mudam e, com isso, o time se adapta, corrige, volta aos trilhos.
E, por falar em mudanças, eis aqui outro ponto. As alterações não acontecem por acontecer. Não se troca ‘seis por meia dúzia’ no JEC. A cada vez que a placa levanta indicando uma alteração há um motivo. Lesão? Cartão? Também. Mas, mais do que isso, a tal variação que pode ser tática ou apenas de característica que o jogo exige.
A campanha foi construída com inteligência, com persistência, preparo e cabeça aberta para entender que a Série D é difícil, exige fisicamente, exige taticamente, exige inteligência e humildade em mudar a rota quando necessário.
A Série D exige equilíbrio emocional e foco e, hoje, o torcedor sabe que os 11 em campo, os reservas, a comissão, a diretoria, todos estão em equilíbrio e com um único foco: o acesso, um acesso que pode vir com, vejam só, um técnico sem experiência em Série D e, espero que toda a experiência de Zago na quarta divisão possa ser resumida a 24 jogos, o caminho até seu primeiro título nacional como treinador principal.